Produtores e entidades opinam sobre ampliação da posse de armas em propriedade rurais

Hunting shotguns on haystack while halt during sunrise, soft focus on shutgun butt. Main focus is on breech block

Decisão do Governo Federal permite que produtores possam andar armados por toda a extensão de suas propriedades.

Desde o início do mandato do presidente Jair Bolsonaro, em janeiro de 2019, a questão da posse de arma tem se tornado polêmica na imprensa. No dia 17 deste mês, mais um capítulo dessa história foi anunciado com a sanção do Projeto de Lei que amplia a posse de arma de fogo em toda a extensão da propriedade rural. Anteriormente as armas só poderiam ser usadas na área edificada do terreno. Se para alguns esta decisão parece desarrazoada, para os produtores rurais e para as entidades representativas do setor, esta decisão foi recebida com bons olhos. A Federação da Agricultura e Pecuária de Santa Catarina (Faesc), e alguns produtores rurais de Campos Novos se posicionaram sobre essa decisão de forma positiva, afirmando que essa ampliação dará mais segurança e proteção a propriedade. Porém, é importante ressaltar que, ainda assim, o uso de armas deverá ser feito de forma lícita e consciente, evitando acidentes e situações desagradáveis.

O vice-presidente da Faesc, Enori Barbieri, apoia a medida de liberação de armas nas propriedades rurais, e disse que a legislação anterior deixava os produtores angustiados e fazia até com que muitos deles deixassem de permanecer com a família em propriedades rurais durante o fim de semana por questão de segurança. Barbieri ainda afirmou que em Santa Catarina a nova lei vai se aplicar mais ao âmbito de proteção contra furtos e criminalidade, e não em divisões como invasões de terra, que, segundo ele, no Estado é algo que não vem sendo registrado. A maioria das propriedades rurais se concentram longe da cidade, e ficam mais isoladas, em alguns casos, algumas nem contemplam sinal de internet. As unidades policiais também se encontram longes desses espaços o que dificulta a segurança e a tranquilidade das pessoas que habitam ou vão passar o fim de semana na propriedade. Com a posse de arma ampliada, alguns acreditam que criminosos fiquem longe de suas propriedades.

O presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Campos Novos, Luiz Sergio Gris, falou ao jornal “O Celeiro” que entende a decisão como forma de defesa do patrimônio. “Vimos que é uma matéria importante. Entendemos essa decisão com bons olhos, principalmente porque agora o produtor rural poderá ter a posse e o porte das armas de fogo para garantir a segurança pessoal e da propriedade. Nada mais justo ao produtor do que garantir a sua segurança no campo e preservar o seu patrimônio que a apenas ele sabe o quanto custou para garantir esse patrimônio e o sustento de sua família”, afirmou Gris. O produtor rural, Francisco Chiochetta, disse que também é a favor da decisão, em virtude da segurança que o uso de arma poderá promover. “O produtor tem que ter arma na propriedade porque a propriedade está longe da cidade, e uso de arma nos protege, é um meio de nos defender. Não sabemos quem está chegando na nossa propriedade, se é um estranho ou vendedor. Precisamos estar protegidos”, declarou.

Apesar de ter sido bem recebida pela classe rural, ainda é preciso falar desse assunto com cautela, em virtude de todos os riscos envolvidos em ter uma arma de fogo em mãos. Os próprios produtores afirmam que é preciso que haja licitude, preparo e consciência na hora de utilizar o armamento, pois de forma indevida ela pode gerar danos e acidentes. O produtor Jari Noriler, destacou essa preocupação e o cuidado que dever ser tomado. “Sou dos tempos que a gente podia usar armas em todos os lugares. Eu detinha porte de arma, mas tinha curso e fiz serviço militar. Penso que pra usar armas tem de ter habilitação e muito bom senso. Acho a permissão muito limitada”, declarou Noriler. Chiochetta também comentou sobre o uso das armas. “Eu apoio, mas que isso seja feito de forma consciente. Os funcionários devem ser orientados, para que não usem a arma de forma incorreta. Elas não podem cair nas mãos das pessoas erradas, pessoas que não estão preparadas para usa-la. É importante ter uma arma para usar na hora que for preciso e de forma consciente”, enfatizou. Gris ressaltou outra situação que deve ser respeitada diante dessa permissão. “Entendemos com bons olhos a decisão do Governo Federal, mas claro que recomendamos aos produtores rurais que legalizem as suas armas e que a usem de forma regular nas suas propriedades”, disse.

*Reportagem publicada no jornal “O Celeiro”, Edição 1596 de 26 de Setembro de 2019.

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