Câncer de colo de útero, mais um inimigo na luta contra a mulher

Prevenção, rastreio, diagnóstico e tratamento: o que é preciso saber sobre essa doença?

Em outubro, mês dedicado as mulheres, se enfatiza a importância dos cuidados que a mulher precisa ter consigo mesma para garantir sua saúde. Neste período dá-se muito destaque a prevenção contra o câncer de mama, porém, existem outras doenças que escolhem a mulher como principal alvo, o câncer de colo de útero é uma delas. Este tipo de câncer é listado entre o quarto tipo mais comum entre as mulheres, e quando diagnosticado em fase avançada apresenta poucas chances de cura. Em 2016, ocorreram 5.847 óbitos em virtude do câncer de colo de útero, representando uma taxa de mortalidade de 4,70 óbitos para cada 100 mil mulheres. Todas essas mortes poderiam ter sido evitadas se houvesse o rastreio e diagnóstico precoce da doença. Aumentar o conhecimento sobre esse tipo de Câncer ajudará todas as mulheres a se prevenir.

O câncer de colo de útero é uma lesão persistente que, na maioria dos casos, é provocada pelo Papiloma Vírus (HPV) uma doença sexualmente transmissível que é precursora do câncer de colo de útero. Este tipo de câncer se desenvolve lentamente e no início não há sintomas, quando estes se manifestam é porque a doença já está muito avançada e por isso o tratamento nem sempre é bem-sucedido e a taxa de mortalidade acaba sendo alta é muito alta. Alguns dos sintomas são sangramento vaginal intermitente, sangramento após a relação sexual, dor na relação, dor abdominal, sintomas urinários como ardência ao urinar ou problemas intestinais.

Para começar a luta contra o câncer de colo de útero, a melhor forma é pela prevenção. O médico Felipe Guzzi Costa, que atua no Hospital Dr. Jose Atanházio, conversou com a equipe do jornal O Celeiro e contou sobre prevenção, rastreio, diagnóstico e tratamento. Para ele o melhor modo de se prevenir é por meio do uso de preservativo, afinal o câncer de colo de útero, geralmente é adquirido através do HPV, que é uma DST. Além do uso de camisinha, em anos mais recentes o Ministério da Saúde disponibilizou vacinas contra o HPV para adolescentes, medida eficaz contra a doença.

O médico Felipe também enfatiza a importância de a mulher realizar o exame preventivo, também conhecido como “Papa Nicolau”, que é uma das maneiras de rastrear a doença e descobri-la em fase inicial. O rastreamento é o processo de identificação de pessoas aparentemente saudáveis que podem estar sob maior risco, e é indicado para mulheres que estão na faixa de 25 anos e já iniciaram a vida sexual. “O preventivo foi instituído para rastreio da doença. Por meio do dele é possível saber se há alguma alteração e detectar os primeiros sinais de desenvolvimento de câncer de colo de útero ou demais doenças sexualmente transmissíveis que acometem os órgãos genitais feminino de doença. O objetivo principal do preventivo é encontrar precocemente lesões ou alterações do tecido uterino que indiquem a presença do HPV, cuja infecção é responsável por praticamente todos os casos de câncer de colo de útero”, explicou o médico.

É importante dizer que a realização do Papanicolau é um exame rotineiro de prevenção, não de diagnóstico. Com base nos resultados desse exame é que será dado prosseguimento ao diagnóstico do câncer de colo de útero, mas isso só acontecerá se houver alguma anormalidade apresentada no preventivo. “Um resultado anormal, significa que outros exames deverão ser realizados para determinar a presença de um câncer ou uma lesão pré-cancerosa. Se houver alterações ou a presença do HPV o médico poderá solicitar exames de colposcopia e a raspagem endocervical para que haja a confirmação do caso”, prossegue o médico.

Se a suspeita do câncer de colo do útero for confirmada será iniciado o tratamento, que pode variar de acordo com o estágio da doença, eles podem incluir cirurgia, quimioterapia e radioterapia. Em casos muito avançados o câncer pode atingir outros órgãos próximos ao útero. O médico explica que em casos assim as chances de sobrevida são muitos pequenas. Em virtude do perigo e dos elevados índices de incidência e mortalidade por câncer do colo do útero no Brasil, o MS estabeleceu ações nacionais para o controle da doença que contam com tecnologias para o diagnóstico e tratamento de lesões precursoras, permitindo a cura em aproximadamente 100% dos casos diagnosticados na fase inicial. Neste Outubro Rosa, que as mulheres conheçam os riscos que as rodeiam a passem a se prevenir melhor contra todas as doenças. O Dr. Felipe reforça a conduta preventiva da classe feminina. “O uso de preservativo é muito importante para prevenir doenças. Além disso, todas as mulheres precisam ir ao médico pelo menos uma vez ao ano. Elas precisam se cuidar”, conclui o médico.

HPV

O HPV, sigla em inglês para Papilomavírus Humano, é um vírus que infecta pele ou mucosas (oral, genital ou anal), tanto de homens quanto de mulheres, provocando verrugas anogenitais (região genital e no ânus) e câncer, a depender do tipo de vírus.

Ele pode acometer vulva, vagina, colo do útero, região perianal, ânus, pênis (geralmente na glande), bolsa escrotal e/ou região pubiana. Menos frequentemente, podem estar presentes em áreas extragenitais, como conjuntivas, mucosa nasal, oral e laríngea. Mais raramente, crianças que foram infectadas no momento do parto podem desenvolver lesões verrucosas nas cordas vocais e laringe (Papilomatose Respiratória Recorrente). O tratamento das verrugas anogenitais (região genital e no ânus) consiste na destruição das lesões. A Vacina contra o HPV é a medida mais eficaz para prevenção contra a infeção, sendo distribuída gratuitamente pelo SUS e é indicada para meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos. A vacina é um adjuvante no tratamento de lesões já instaladas, isolada não tem potencial curativo em casos avançados.

*Reportagem publicada no jornal “O Celeiro”, edição 1600 de 17 de Outubro de 2019.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui