Cenário de estiagem continua na região nos próximos meses

Maykol Ouriques e Thays Camassola

Meteorologia da Epagri prevê poucas chuvas e altas temperaturas. Produtor precisa se antecipar as crises.

ião trouxeram muita dor de cabeça aos produtores que tiveram suas lavouras prejudicadas nos últimos meses. Não apenas Campos Novos, mas a maioria dos municípios ao redor como Abdon Batista, Brunópolis, Monte Carlo e Vargem sofreram perdas ao ponto de decretaram estado de emergência. A empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) foi acionada por estes municípios para auxiliar, quantificar as perdas e prever a situação climática nos próximos meses. Estudos mais profundos estão sendo feitos para avaliar a situação, mas a má noticia é que nos próximos três meses não haverá chuvas significativas. “De acordo com a previsão climática o próximo trimestre continuará com situação de estiagem. “Os próximos três meses permanecem com chuva abaixo da media e temperaturas acima do esperado. Continuam as chuvas localizadas e espaças que não favorecem o fim da estiagem. É preciso uma frente fria bem estruturada que traga chuva em todo o estado, mas não está ocorrendo. As chuvas pontuais não resolvem o problema do abastecimento de água. Não há como determinar quando a estiagem vai acabar, mas pode ser que quando comece a outra estação tenhamos melhoras nesse quadro”, explicou Thays Camassola, meteorologista da Epagri.

Esta é uma situação que acontece por inúmeros motivos. Thays diz que o clima sofre influência da zona de convergência do Atlântico Sul no verão que ajuda a trazer a chuva da Amazônia para esta região, mas que no momento está posicionada ao norte trazendo chuvas principalmente para Belo Horizonte e Espírito Santo. Além disso, a profissional conta que com o clima seco se forma uma bolsa de ar seco que impede as frentes frias de avançar para a região porque estão bloqueados, passando apenas uma umidade bem localizada formando esse padrão de verão que apresentam chuvas não uniformes que caem apenas em alguns lugares. Campos Novos tem sido um dos municípios menos afetados, os que mais sofrem com a estiagem são os municípios de Abdon Batista, Brunopolis, Celso Ramos e Monte Carlo. As Culturas mais afetadas nessa região foram a da moranga cabotia em que as plantas na metade do ciclo acabaram morrendo; a uva, que em Celso Ramos murcharam; o fumo em Vargem foi prejudicado e também a plantação de milho em toda a região.

O problema da seca é comum neste período, porém vem se agravando ao longo dos anos. Segundo dados climatológicos houve uma baixa considerável no volume de chuva. “No ano de 2019 as chuvas ficaram cerca de 30 ml a menos do esperado, daí a situação se agrava com a chegada do verão devido ao calor. Aqui na região o esperado é de 110 e 150 ml. No caso de Campos Novos a chuva ocorreu com 100 a 200 ml. Mas em outras cidades ficou a baixo. Em novembro começamos com um déficit de uns 50 ml, em dezembro o esperado era de 130 a 150 ml indo pra 170. Em janeiro começou bem, a chuva estava mais freqüente. Mas do dia 10 até o dia 29 houve poucas chuvas e bem localizadas e não foram mais que 10 ml. Nesse período de quase 20 dias com temperaturas altas e a umidade baixa, precisávamos de chuva para o desenvolvimento dos grãos e não tivemos. Em Campos Novos tivemos dias significativos de chuvas, mas apenas aqui, não ocorrendo em outras regiões”, afirmou.

As informações climáticas e as tecnologias atuais devem ser usadas a favor do homem do campo para que possam se antecipar as crises e atuar de forma preventiva para minimizar as perdas. Para os períodos de seca um sistema de irrigação seria o ideal, no entanto nem sempre é possível investir nesse sistema. Porém, há ações que podem ser aplicadas nas propriedades. O gerente de regional da unidade da Epagri de Campos Novos, Maykol Ouriques, alistou alguns fatores que podem contribuir para o sucesso da propriedade. “O solo abriga toda a parte de biologia, e é um reservatório de água para a planta. O sistema de manejo que o produtor adota tem que preservar o solo, melhorando a produção de estrutura física, mantendo cobertura e mantendo raízes o ano inteiro. Quando o solo não está coberto a evaporação da água é menor, se o solo tem uma estrutura física profunda e não têm camadas compactadas a água sobe quando falta chuva. Quando parte do arado passa a 10 ou 20 cm do chão ele sela o solo, então a planta morre de sede mesmo tendo condições de ter água. Pesquisadores da área dizem que nós mesmos criamos a nossas crises de estiagem. Podemos nos anteceder fazendo o manejo, usando as tecnologias disponíveis e respeitando a seqüência de plantio e colheita. O uso do gado pode ser feito desde que sejam respeitados os intervalos de pastejo e animais por metro quadrado”, concluiu Maycol.

*Reportagem publicada no jornal “O Celeiro”, Edição 1613 de 20 de fevereiro de 2020.

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