Região contradiz expectativa da Conab sobre safra de grãos recorde

De acordo com o órgão a produção deve chegar a 246,4 milhões de toneladas, a expectativa é de que a safra de soja também seja recorde.

Em relatório da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) a expectativa é positiva: “O Brasil deve atingir um recorde de produção de grãos na temporada 2019/20 chegando a 246,4 milhões de toneladas, aumento de 1,8% ou 4,3 milhões de toneladas em relação ao ciclo anterior. A área plantada deve chegar a 64,1 milhões de hectares, com incremento de 1,4 na comparação com a temporada passada”. Maravilhoso, não é? Com tanta coisa acontecendo em 2020, o que inclui uma estiagem prolongada, ter um resultado grandioso parece ilusório. De acordo com as cooperativas da região este cenário descrito está longe de ser uma realidade. Com as colheitas em fase final a produtividade foi baixa e fora do esperado, contrariando a expectativa da Conab.

A estimativa inicial da Conab foi avaliada em janeiro deste ano, e a aposta de que seria uma temporada recorde se deu devido aos altos investimentos que foram feitos pelos produtores rurais. Em relatório mais recente, que é possível conferir no site da instituição, divulgado no dia (09/04), o órgão cortou em 110 mil toneladas a previsão, no entanto ainda se mantem a expectativa de que será um ano recorde. Há de se levar em consideração que os números são baseados em todo o território nacional.

A expectativa para a produção de soja passou de 124,205 milhões para 122,060 milhões de toneladas. Mesmo com um corte de mais de 2 milhões de toneladas, o número representa um crescimento de 6,1% em comparação com a safra passada, que foi de 115,029 milhões de toneladas. A produção de milho foi revisada para cima, de 100,083 milhões para 101,867 milhões de toneladas, somando os três ciclos da cultura contabilizados pela Conab. A primeira safra teve sua estimativa reduzida para 25,274 milhões de toneladas, sendo compensada pela segunda, cujo número foi reajustado para 75,436 milhões de toneladas. A colheita estimada para a terceira safra de milho foi mantida em 1,156 milhão de toneladas.

Na região a colheita da soja e do milho estão em fase de conclusão e apesar da boa expectativa no final de 2019, a estiagem causou surpresa gerando perdas inimagináveis aos produtores rurais resultando numa produtividade baixa de grãos. Os envolvidos na produção relatam sobre as dificuldades deste período turbulento para o agronegócio. Mesmo com a pandemia do Coronavírus as unidades estão funcionando normalmente, e as safras de milho e soja devem ser finalizadas até o inicio de maio com queda no recebimento previsto anteriormente. Os estados do Rio Grande do Sul e Paraná também enfrentaram grandes dificuldades que serão contabilizadas, mas que provavelmente estarão fora da projeção nacional.

Colaboradores de algumas cooperativas comentaram a realidade de Campos Novos e região no que diz respeito as safras. O gerente operacional da Copercampos, Nelson Cruz, contou sobre o andamento da colheita da temporada 2019/20 e sobre as consequências da seca. “Nós tínhamos uma projeção de recebimento de milho de 4,2 milhões de sacos/60kg, mas com a estiagem deste ano, devemos ter uma redução desta quantidade, porém, no cereal, essa quebra deve ser menor e devemos receber 3,8 milhões de sacos. Com cerca de 60% da área colhida do milho, temos essa estimativa por visualizar boas produtividades em algumas regiões de nossa atuação, surpreendendo até o setor quanto ao recebimento em algumas unidades. O recebimento de soja também está acontecendo. Já recebemos 2,8 milhões de sacos, e vemos que as produtividades da cultura está bem abaixo das estimadas e dos investimentos realizados pelos agricultores. A quebra deve ser de 30% na produtividade e esperamos receber 6 milhões de sacos, com cerca de 60% colhido. Esperamos que esse recebimento se confirme, mas vemos que as lavouras mais tardias têm uma queda de produtividade e isso impacta diretamente no recebimento na cooperativa”, afirmou Nelson.

A Coocam também vive situação similar devido o enfrentamento da estiagem. O técnico agrícola, Silvio Zanon, destacou os efeitos que influenciaram na produtividade da safra. “A Coocam iniciou em abril com praticamente suas lavouras colhidas ou em fase de colheita. Estimamos que 70% da área da soja e 90 % da área do milho já foram colhidas. Com relação a produtividade apontamos dois pontos. Temos duas realidades: onde choveu a produtividade foi alta e onde não choveu foi baixa. Tivemos um perido de estiagem prolongada e por isso a produtividade foi abaixo do esperado.
Com a colheita em fase final, os produtores rurais se preparam para as safras de inverno, e para isso eles recebem orientação dos profissionais que orientam sobre os cuidados que devem ser tomados para as próximas temporadas. Após as colheitas o agricultor é incentivado a fazer a cobertura do solo para protege-lo. Silvio diz que a Coocam já se prepara para dar início as próximas safras. “Temos uma programação do que o produtor vai fazer de cereais de inverno. Este ano estamos oferecendo trigo, cevada e aveia preta para semente. As previsões são de que o clima vai ser mais frio do que ano passado e mais seco e propicia as culturas de inverno. Com um inverno mais seco vamos ter condições de atingir altas produtividades nas culturas de inverno. Orientamos para não deixar o solo descoberto, realizar um bom manejo no outono para que uma boa cobertura do solo minimize os efeitos da falta de chuva”, concluiu o técnico.

*Reportagem publicada no Jornal ‘O Celeiro’, Edição 1622 de 16 de abril de 2020.

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