Sindicato dos Produtores Rurais mantém Feira do Terneiro e da Terneira

Evento, que ocorrerá no dia 23 de maio, será transmitido online com leilão virtual.

A pandemia da Covidi-19 trouxe ao agronegócio novos desafios e oportunidades de adaptar-se e reinventar-se para lidar com a crise. O evento mais tradicional da região, a Feira da Terneira e do Terneiro, promovida pelo Sindicato dos Produtores Rurais, foi ameaçado pela crise, no entanto será realizado em formato misto para se manter no calendário do município. Os animais serão levados ao Parque Leonidas Rupp e a transmissão será feita através do Youtube pelo canal da leiloeira Pampa Remates, aonde os leilões serão realizados virtualmente. O formato inovador foi regulamentado pelo Governo do Estado de Santa Catarina em virtude da quarentena. O presidente do Sindicato no município, Luis Sergio Gris Filho, declarou que o evento cumprirá com todos os decretos estaduais e municipais e com a portaria 242 da Secretaria de Saúde e com as normas técnicas estabelecidas pela Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc). A 37° edição da feira deverá contar com mais de 500 animais de raças e qualidade diferenciadas. Interessados podem se cadastrar através do site pamparemates.com.br. O evento programado para o próximo mês terá início ás 13h30.

Luis Sergio Gris Filho

A alternativa de realização de leilões e feiras virtuais surgiu da necessidade de manter o agronegócio funcionando e movimentando o setor. Todo ano a Feira do Terneiro traz a Campos Novos uma movimentação financeira crescente. Ano passado o evento, que aconteceu simultâneo a Expo Campos, girou quase R$ 1 milhão.

A Federação da Pecuária a Agricultura de Santa Catarina (Faesc) foi quem solicitou a realização de leilões virtuais para atender a demanda de comercialização de terneiros retidos nas fazendas devido a suspenção dos eventos agropecuários. A portaria de regulamentação das feiras e leilões virtuais prevê as recomendações para diminuir os riscos de contaminação da Covid-19. Para o presidente da Faesc, José Zeferino Pedrozo, os leilões virtuais são uma conquista do setor e um avanço para a agropecuária catarinense. “É uma modalidade nova em Santa Catarina, que em outros Estados já é uma tradição. Passa a ser uma aposta do setor que precisou inovar na crise. Analisaremos agora como será a recepção dos produtores e quais serão os resultados para o Estado, cientes de que a medida foi fundamental para assegurar a comercialização do rebanho”, declarou.

Entre as regras estabelecidas na portaria 242 estão o uso obrigatório de máscaras para todas as pessoas que trabalharão nos leilões e nas feiras e o distanciamento mínimo de um metro e meio. A visitação dos animais nos recintos de leilões também deverá ter agendamento prévio por lote, com controle de acessos para evitar aglomerações, além da disponibilização de álcool em gel 70% em locais estratégicos para higienização. Os estabelecimentos devem, ainda, fixar cartazes informativos com orientações sobre higiene das mãos, etiqueta respiratória e normas de precauções.

A portaria também estabelece que no horário programado para recebimento ou carregamento dos bovinos só será permitida a presença do motorista do caminhão e de um proprietário ou responsável pelos animais. É proibida a presença de público e de compradores no recinto de leilões e os trabalhadores devem ser orientados a intensificar a higienização das mãos. Os organizadores devem manter todas as áreas ventiladas e desinfetar com álcool 70% maçanetas, mesas, corrimões, interruptores, banheiros e lavatórios.

Faesc, Antônio Marcos Pagani de Souza

De acordo com o vice-presidente de finanças da Faesc, Antônio Marcos Pagani de Souza, que coordena o programa de pecuária de corte, os leilões virtuais serão organizados pelos Sindicatos Rurais e empresas leiloeiras a partir do dia 23 de abril e devem aumentar as vendas dos bovinos, com valor agregado em todo o Estado. Segundo ele, os animais têm idade média de oito meses, pesam em média 200 kg e são predominantemente de raças britânicas e continentais.

Pagani explica que os lotes de terneiros serão filmados nas fazendas ou nos recintos dos parques de exposição e as imagens serão transmitidas pela internet durante o leilão virtual. “É algo inédito em Santa Catarina, com expectativa de aumento nas vendas, já que as transmissões serão para todo o Estado, com a possibilidade de o comprador fazer o negócio em casa. Por outro lado, por ser uma modalidade nova, não sabemos quantos produtores irão aderir aos leilões virtuais. Será um teste para o setor”, avalia Pagani ao destacar que além dos leilões virtuais, os pecuaristas também seguem com vendas diretas nas propriedades rurais. O dirigente da Faesc ressalta que a crise do Coronavírus provocou queda nos preços dos animais, porém a expectativa é de que com a retomada dos leilões o mercado seja aquecido e os valores restabelecidos.

* Reportagem publicada no jornal ‘O Celeiro’, edição 1623 de 23 de abril de 2020.

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