Pesquisas modificam a realidade do agronegócio na região do meio Oeste

Estudos levam inovação ao campo e geram resultados positivos para os produtores

Se hoje o agronegócio catarinense alcançou um status marcado pela produtividade e qualidade não foi à toa. Por trás dos resultados obtidos existe muito trabalho e empenho de empresas de pesquisa que se empenham em levar ao campo tecnologia e inovação que quando aplicados nas propriedades fazem toda a diferença no dia a dia do produtor e geram resultados que modificam sua vida e trazem benefícios a economia. O estado de Santa Catarina conta com empresas voltadas ao fomento do agronegócio que nos últimos anos modificaram e impulsionaram o setor.

Na região do Meio Oeste este trabalho é claramente visto. A Empresa de Pesquisa e Extensão Agropecuária de Santa Catarina (Epagri) desenvolve diversos estudos na região. Os 21 municípios da Regional de Campos Novos contam com uma Estação Experimental, um Centro de Treinamento e 21 escritórios de extensão rural e assistência técnica. Toda essa estrutura de 16 Gerências Regionais de Extensão, 9 Estações Experimentais que trabalha de forma integrada no desenvolvimento de inovações e na sua aplicação nas propriedades rurais. As atividades agrícolas prioritárias na região definidas juntamente com a população atendida de cada um dos 21 municípios são: Pecuária, Horticultura, Fruticultura, Agregação de Valor (Agroindústrias) e Grãos, além dos trabalhos com apicultura.

O extensionista e engenheiro agrônomo Maykol Ouriques, que atua no Centro de Treinamentos em Campos Novos, relatou as áreas em que são desenvolvidos estudos e pesquisas para dar suporte ao empreendedorismo rural. Para que a pecuária e agricultura se desenvolvam outros fatores precisam de atenção, por isso a Epagri atua em variadas áreas essenciais. “Temos o apoio do Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia de Santa Catarina (CIRAM), que é responsável por monitorar o tempo e o clima no Estado e fornecer informações para a sociedade. Também desenvolve uma série de pesquisas sobre recursos naturais e ambientais. Atua nas áreas de meteorologia, agrometeorologia, geoprocessamento, ordenamento ambiental e zoneamento agroambiental. Nosso Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (CEPA), contamos com pesquisas de mercados, levantamento de preços de insumos e fatores de produção que indicam tendências de mercado futuro. Estas informações são disponibilizadas em plataformas digitais que auxiliam o produtor, dirigentes e governantes em suas tomadas de decisões”, detalhou Maykol.

Conheça um pouco sobre as inovações que foram aplicadas nas principais áreas da região.

Pecuária

Na pecuária, a Epagri é protagonista no trabalho com sistemas de produção de leite e carne à base de pastagem perene, em sistema de piqueteamento com a instalação de água e sombra nas áreas, possibilitando ao agricultor trabalhar em um sistema que possibilita maior rentabilidade e saúde para a família, conforto para os animais e preservação dos recursos naturais.

Nos trabalhos das Estações Experimentais e em propriedades parceiras que são as nossas Unidades de Referência Técnica (URT’s), foi possível desenvolver a pastagem perene Missioneira Gigante, bem como definir o manejo adequado para cada tipo de pastagem utilizada. Neste sistema produtivo também implantamos a sobressemeadura de inverno, que possibilita melhorar a qualidade do pasto fornecido, além de ampliar o uso da área de pasto perene também no inverno, com a introdução de trevos, aveia e azevém, sem revolvimento do solo e mantendo a gramínea de verão preservada.

O fornecimento de água em todos os piquetes e a implantação de sombra, com o planejamento da área e das linhas de árvores, torna o sistema mais produtivo, uma vez que possibilita um ótimo conforto para os animais. O sistema de criação de terneiras e terneiros também é uma inovação da Epagri que possibilita o produtor a criar da melhor forma seus animais para que tenham o melhor desempenho. O uso racional de alimentos concentrados (Ração) e de silagem faz parte do manejo preconizado, pois ajuda a otimizar o desempenho dos animais.

Como a gestão dos empreendimentos agrícolas é fundamental para todas as famílias, nossos extensionistas além de estar presente na execução dos projetos, também utilizam ferramentas de gestão e planilhas para informar e discutir os resultados técnicos alcançados e a saúde financeira da atividade. Assim é possível trabalhar com propriedades que alcançam produções de mais de 15000 litros de leite por hectare ao ano, com lotações que chegam a 4 unidades animal por hectare.

Grãos

Na produção de grãos a Epagri trabalha com o desenvolvimento de cultivares de milho e feijão e até o momento a Epagri disponibiliza ao agricultor catarinense 3 cultivares de milho e 3 de feijão.

As cultivares de Milho são: Catarina, Fortuna e Colorado, materiais de polinização aberta que possibilita a produção de sementes na propriedade agrícola, os três materiais apresentam baixo custo de aquisição e boa produtividade para o sistema tecnológico indicado, proporcionando adequado retorno econômico a atividade. Quanto às cultivares de feijão ofertadas ao cultivo a Epagri disponibiliza atualmente Riqueza, Predileto e Potência, este último sendo lançado em 2019 com disponibilidade de sementes à partir de 2020.

São conduzidas pesquisas nas mais diversas áreas:

  • O controle fitossanitário para as culturas de milho, feijão, soja e trigo, onde podemos destacar ao Manejo de pragas e doenças em culturas anuais;
  • Manejo integrado do percevejo-barriga-verde (Dichelops melacanthus) na cultura do milho;
  • Tratamento de sementes e aplicações foliares de fungicidas no controle da antracnose, mancha angular e crestamento bacteriano no feijão e avaliação do efeito de diferentes fungicidas no controle de doenças em trigo.

A partir destas pesquisas os extensionistas de nossa região e do estado, realizam o acompanhamento das propriedades atendidas, levando estas tecnologias e acompanhando a sua eficiência à campo e auxiliando também no trabalho de pesquisa. Os trabalhos também são direcionados para adoção de práticas em conservação do solo e água, além de sistemas de produção agrícolas visando a sustentabilidade da atividade e o maior retorno econômico às famílias rurais.

*Reportagem publicada no jornal ‘O Celeiro’, Edição 1625 de 07 de maio de 2020.

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