Suínocultura vive bom momento no Brasil e região

Crise na china abriu a oportunidade para o aumento da produção brasileira de suínos.

No final de 2019, na finalização da revista ‘O Celeiro do Agronegócio’, conversamos com alguns produtores e conhecedores do agronegócio sobre as perspectivas de futuro no segmento e a maioria deles previu um salto na produção da carne de porco. Muitos produtores já aguardavam com expectativa o início de 2020 porque já sabiam que a situação era promissora. O motivo? A crise vivida na China que começou quando a peste suína afetou o país em 2018 fazendo com que a produção do país despencasse. A previsão foi acertada e óbvia e até o momento o Brasil tem se beneficiado do mau momento da pecuária chinesa que tem se abastecido com a carne brasileira. Este fato tem contribuído para o aumento nas exportações, que mesmo com a crise econômica causada pela pandemia se mantem com resultados positivos.

Devido a este bom momento vivido na Suinocultura produtores estão incrementando a produção pensando neste mercado externo. Porém, este setor precisa também pensar no potencial de crescimento do mercado interno. Atualmente o consumo na região sul ainda é pequeno, chegando a 14 quilos per capita por ano, porém, está previsto um aumento para 16 quilos nos próximos anos. O investimento é necessário para que a produção alcance excelência e ofereça um produto de qualidade que se enquadre as exigências do mercado internacional. Produção de qualidade garante as exportações e atraem novos mercados externos.

Em Campos Novos a Copercampos é uma empresa que acredita na abertura deste mercado e que ele deve perdurar por um tempo. A cooperativa está atenta a este cenário e já se antecipou como forma de atender a demanda. Recentemente a empresa inaugurou a granja de suínos que garante produzir cerca de 90 mil suínos por ano. Para atender e manter este mercado é preciso mais que oferecer o produto é preciso oferecer qualidade, afinal a tendência é que os países se tornam cada vez mais exigentes quanto a qualidade da carne. O gerente agroindustrial da Copercampos, Lucio Marsal Rosa de Almeida, comenta este bom momento da suínocultura no Brasil e região. “A suinocultura sempre foi uma atividade com altos e baixos. Devido ao problema que teve na China, o Brasil e geral teve um grande aumento das exportações de proteína animal. Consequentemente começou a faltar animal provocando a elevação no preço. A gente acredita que os chineses estão tendo uma certa dificuldade para produção e acreditamos que vamos ter alguns anos bons para suinocultura brasileira. Mediante isso a cooperativa realizou investimentos numa granja nova. Estamos de olho no mercado. As exigências cada vez vão ficar maiores. Estamos trabalhando na restrição de uso de antibiótico porque é possível que o mercado externo exija isso logo, já estamos nos adiantando para oferecer um animal de boa qualidade”, detalhou Lucio.

A ideia da granja de suínos foi pensada estrategicamente e com tempo hábil para chegar a este momento com uma quantidade suficiente de animais. A cooperativa conta com cerca de 100 produtores integrados que fazem o maneja o preparam o animal até que ele esteja pronto para o abate. O tempo médio para a criação e preparação do suíno é de 150 dias, neste interim o animal chega aos 128 quilos. Lúcio comenta a atividade no Brasil e região como sendo de qualidade, por isso a produção do país tem tido grande aceitação e o trabalho realizado pela Copercampos tem demonstrado esta qualidade. “No Brasil temos qualidade e bom preço. Acreditamos que com essa abertura para a China está começando a se abrir mercados para outros países que estão começando a querer comprar carga brasileira. Temos esperança que aumente a exportação ainda pela qualidade que oferecemos”, afirmou o gerente.

O Secretário Municipal de Agricultura, Engrácio Alves de Carvalho, diz que a suinocultura tem sido o setor que mais tem crescido no município. “Os produtores estão investindo muito, fazendo novas unidades, trazendo inovações genéticas, e a produção de suíno está cada vez maior. A Copercampos está se destacando muito nesse segmento. O município, por sua vez, tem feito todo o possível para ajudar os suinocultores, fazendo cascalhamento, melhoramento das estradas, sistema de agulhamento, alargamento e terraplanagens para construção de novas unidades, sendo que esses trabalhos não tem custo nenhum para os produtores. Algumas vezes acontece de atrasar os trabalhos de terraplanagem por falta de máquina e pela demanda, já que são bastante pedidos. Desde o começo, a gente vem ajudando e não pretendemos parar de ajudar os suinocultures, é um incentivo pelo retorno que a suinocultura está dando para nosso município. Não seria muito dizer que, em breve, o município de Campos Novos vai ser um dos maiores produtores de suíno do estado de Santa Catarina”, declarou.

Reação da China

De acordo com informações do site G1.com, a China registra alto do rebanho suíno após dois anos. O rebanho de suínos da China avançou 13,1% em julho na comparação com o mesmo mês do ano passado, foi o primeiro aumento ano a ano desde abril de 2018. O crescimento do rebanho de porcas foi de 20,3%, acrescentou o ministério, em meio a esforços de reconstrução das criações locais de porcos, devastadas pela epidemia de peste suína africana, que agora começam a mostrar resultados. O aumento em comparação anual no estoque de porcos vivos indica que daqui a cinco ou seis meses o número de porcos vivos e já prontos para o abate também aumentará ante o ano passado, o que irá fundamentalmente reverter a oferta apertada no mercado.

*Reportagem publicada no jornal “O Celeiro”, Edição 1640 de 0 de agosto de 2020.

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