Região de Campos Novos tem foco de Brucelose em saneamento

Apesar da boa condição sanitária no estado a brucelose ainda não está erradicada. Conheça um pouco mais sobre essa zoonose que também pode afetar humanos.

A vocação agropecuária do estado tem promovido grande empenho por parte do Poder Público para tornar este setor mais produtivo e de qualidade reconhecida internacionalmente. Os esforços não têm sido em vão, tanto que Santa Catarina se encontra como um dos estados com melhor condição sanitária no país tendo algumas doenças animais já erradicas. Porém, ainda há zoonoses presentes que afetam tanto os animais quanto os seres humanos. A brucelose é uma dessas doenças que registram um índice pequeno de casos, mas não está erradicada. Campo Novos, município que tem apresentado avanços na pecuária, apresentou um caso que está em saneamento. Karen Sandrin Rossi, médica veterinária da Companhia Integrada Desenvolvimento Agrícola (Cidasc) de Campos Novos, conversou com a redação do jornal ‘O Celeiro’, e contou mais sobre esta zoonose e seus riscos, e também sobre o trabalho realizado a fim de eliminar esta e outras zoonoses. Veja a entrevista:

O Celeiro: O que a brucelose causa no animal? E como ela é transmitida?

Karen Sandrin: A Brucelose também é onhecida como Aborto Contagioso, que é uma doença infecciosa que contamina tanto os animais que tiveram contato com o feto e a placenta, como a pastagem onde ocorreu o aborto. O modo de infecção é por via oral (boca), respiratória (ar) e contato com mucosas ou pele ferida. A doença também é transmitida para as pessoas que manuseiam os restos de aborto, manejam animais doentes e também ao alimentarem-se com leite cru e produtos derivados não pasteurizados, como nata, queijo, manteiga. O hábito das vacas de lamberem os bezerros recém-nascidos de outras vacas aumenta as chances de infecção e disseminação da doença. No feto abortado e nos restos placentários o número de bactérias é extremamente grande, causando a contaminação do ambiente e difusão da doença

O.C: Ao notar os sintomas no animal que medidas devem ser tomadas?

K.S.: Utilize sempre luvas para manusear secreções de aborto, retenções de placenta e resíduos de parto. Queime fetos, tecidos de aborto e parto. Consuma apenas leite e derivados que tenham sido fervidos ou pasteurizados. Caso ocorra aborto no rebanho, procure um médico veterinário habilitado para fazer os exames de Brucelose em todo o rebanho. Isso evitará que animais doentes permaneçam na propriedade e disseminem a doença para pessoas e outros animais. Notifique a ocorrência de aborto para a Cidasc para receber mais orientações.

O.C.: Qual o risco de contágio em humanos?

K.S.: Há um risco alto ao manusear restos de aborto ou de parto sem luvas ou equipamentos de proteção individual, e também no consumo de produtos lácteos crus. A pele lesionada, o contato de gotículas dos líquidos do parto com a mucosa da boca, olhos ou até pela simples inalação já podem acarretar na infecção de uma pessoa. Geralmente pessoas infectadas desenvolvem sintomas semelhantes a uma gripe severa, mas a doença persiste durante várias semanas ou meses, agravando-se o seu quadro progressivamente.

O.C.: O que é feito com o animal diagnosticado?

K. S: A propriedade entra em saneamento para a doença, todo o rebanho é testado, os animais positivos são eliminados, as fêmeas negativas são vacinadas e a propriedade fica interditada até estar livre da doença, com dois exames de rebanho negativos.

O.C.: Este foco ativo levanta que alerta na região? É possível que haja mais casos sem notificação?

K.S: A doença está presente na nossa região, devemos estar alertas principalmente para os sinais clínicos como aborto no terço final da gestação, pois esta é a maior fonte de transmissão da doença para as pessoas e os outros animais do rebanho. O feto e tecidos do aborto ocorrido por Brucelose possuem milhares de bactérias que podem permanecer na pastagem por cerca de 6 meses. É muito importante que o produtor investigue a Brucelose em sua propriedade em casos de ocorrência de aborto.

O.C.: Está situação compromete o status do estado e sua boa reputação perante outros países?

K.S.: Santa Catarina possui a menor prevalência de Brucelose Bovina conhecida no país, com 0,9% dos rebanhos contaminados, mas isso não significa que seja uma doença rara. Diversos rebanhos estão acometidos pela doença em todo o Estado. É uma meta do governo erradicar a doença do Estado, somente eliminando a doença do rebanho bovino é que teremos a população protegida da brucelose humana. Como bônus o mercado de lácteos poderá se abrir para novos consumidores internacionais que exigem o controle dessa doença.

O.C.: Qual o principal meio para erradicar a doença?

K.S: Santa Catarina tem implementado a vigilância ativa buscando identificar os animais positivos. Nos rebanhos leiteiros há uma vigilância buscando identificar rebanhos suspeitos através de testes no leite. Para rebanhos de gado de corte é realizada a vigilância em abatedouros, testando animais de diferentes origens que vão para o abate.

*Reportagem publicada no Jornal ‘O Celeiro’, Edição 1643 de 10 de setembro de 2020.

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