Poder SC 009 – Rompeu o silêncio

Rompeu o silêncio

Presidente da Assembleia Legislativa de SC (Alesc), deputado Julio Garcia (PSD), quebrou o silêncio nesta semana e falou, pela primeira vez, sobre as denúncias do Ministério Público Federal (MPF) contra ele no âmbito da Operação Alcatraz. Em cerca de 15 minutos de discurso na sessão, criticou a imprensa, os investigadores e citou casos de operações do MPF que não resultaram em nada. Tudo para colar a pecha de perseguição. As justificativas, segundo ele, seriam manchar sua imagem enquanto sujeito público na sucessão do Executivo, em uma ação coordenada que uniu denúncia sem provas e vazamento à imprensa de informações sigilosas, diz. Garcia teve apoio do Parlamento, algo que já aconteceu quando do início das investigações. Parlamentares próximos e distantes o sucederam na fala para o testemunho de seu caráter e de seu trabalho. A Alesc está com ele.

MODO ATAQUE

Durante a posse da nova diretoria da Facisc, Moisés citou a Alcatraz e sugeriu que seu governo incomoda a “velhíssima política” que quer “voltar às velhas práticas”. Não é de hoje que o governador tenta associar o  impeachment ao seu legado de boas ações no combate a malfeitos. Acontece que Moisés sobe o tom num momento em que o processo nem está mais com Garcia, e sim no TJSC. A mensagem é tardia para gerar algum efeito prático no seu julgamento, mas também pode ser uma tentativa de alimentar a ideia de golpe como herança do seu afastamento.

– DOIS PESOS O Parlamento catarinense, por meio de alguns deputados, foi um dos primeiros a levantar o dedo contra o governador Carlos Moisés da Silva quando a PF bateu à sua porta. A situação de ambos, Moisés e Garcia, tem suas semelhanças. Pressionados por investigadores, falam em ações desnecessárias e injustas do MPF. De um lado e de outro, parece que a presunção de inocência está fora de moda.

– MESMO sendo preterida da composição da primeira comissão especial do impeachment na Alesc, a deputada Paulinha (PDT) descarta que o partido possa deixar o bloco parlamentar que divide com o PSD. Os pessedistas estão entre os mais ferrenhos opositores e barraram seu nome no primeiro colegiado. No segundo, ela entrou, mas acumula derrotas nos seus pedidos e requerimentos.

*Coluna publicada no jornal ‘O Celeiro’, Edição 1647 de 08 de Outubro de 2020.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui