Poder SC 012 – A vez de Daniela

Nas primeiras horas como governadora de Santa Catarina, Daniela Reinehr disse o que cada ente político do Estado gostaria de ouvir. Destacou a infraestrutura como principal gargalo – demanda histórica do empresariado -, afirmou que o diálogo será constante – a despeito da principal crítica feita a Moisés -, e acenou para prefeitos e ao presidente Bolsonaro ao sinalizar a abertura de novas atividades. Concedeu a primeira entrevista coletiva com discurso alinhado e preparado, de quem via, do banco, os erros do titular. Sua missão será mostrar que pode fazer diferente de Moisés, mesmo sem experiência política. A mensagem em primeira análise é certeira, mas vai depender se os deputados na Assembleia Legislativa vão levar a sério essas promessas. Até agora, apenas um nome anunciado. Daniela afirma que quer uma transição harmônica, mas também lhe faltam aliados para colocar no primeiro escalão.

ACOMPANHADA

A nova governadora posou com uma quantia considerável de nomes do secretariado, como podes ver na foto acima. Muitos deles são ligados a Moisés desde 2018 e ocupam cargos de fundamental confiança. Pois Daniela prometeu, em frente a estes, que “mudanças essenciais devem vir nos próximos dias” e que considera incluir parlamentares no Executivo. Ainda não dá para saber quem cairá, ou quem não tem prestígio com Daniela, mas pode-se confirmar uma possível gafe lá na frente. A mudança de entendimento sobre a pandemia pode ser um primeiro sinal.

– CASA CIVIL Daniela escolheu o general do Exército Ricardo Miranda Aversa para assumir a Casa Civil. Afirmou que ele é de confiança e repete o que fez Jair Bolsonaro ao atrair a cúpula das Forças Armadas. Na primeira entrevista Miranda cumpriu o papel e reafirmou a necessidade de diálogo com todos os entes. À frente dos repórteres, retirou a máscara para falar, mas recolocou-a após pedido da própria imprensa.

– MAIS CINCO A Alesc escolheu os cinco deputados que vão compor o novo tribunal misto: Marcos Vieira (PSDB), José Milton Scheffer (PP), Fabiano da Luz (PT), Laércio Schuster (PSB), e Valdir Cobalchini (MDB). Em relação ao primeiro tribunal, a nominata é mais independente do que oposicionista, o que deve resultar em certa leveza no julgamento, e talvez seja um sinal de que o Parlamento prefere Moisés a Daniela.

*Reportagem publicada no jornal “O Celeiro”, Edição 1651 de 29 de outubro de 2020.

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