Poder SC 015 – Tempo de reeleição

Eleições municipais são conhecidas pela influência de demandas locais, que envolvem pessoas próximas e problemas mais objetivos. Mas sempre há algo, um sentimento comum, que aproxima o eleitor, independentemente da sua cidade. Em 2020, o pleito foi marcado pela pandemia e pela alta taxa de reeleição. Se por um lado a abstenção cresceu, por outro, quem saiu de casa, em sua maioria, estava disposto a manter o prefeito atual. A taxa de reeleição foi de 73% – 118 entre 160 conseguiram -, isso sem contar aqueles que foram indicados pelos atuais mandatários e tiveram sucesso. Alguns fatores explicam a vontade do eleitor de manter o prefeito ou seu grupo. Entre eles está a maior exposição do gestor durante o combate à pandemia, a falta de tempo e espaço para discussão de propostas e problemas, e um certo receio de provocar mudanças profundas no município em meio à recuperação econômica.

MAIS QUATRO

Os maiores expoentes do sucesso da reeleição são Gean Loureiro (DEM), em Florianópolis, e Clésio Salvaro (PSDB), em Criciúma. Mesmo sendo atacados diretamente durante a campanha pelos oponentes, tiveram votações muito expressivas, com larga vantagem em relação ao segundo colocado. Além dessas, outras cidades importantes renovaram o mandato do atual prefeito, como Lages, Jaraguá do Sul, Balneário Camboriú, e Itajaí.  A tendência atingiu todas as regiões e todos os partidos, mesmo para candidatos do enfraquecido PT.

– PRESIDENTE Jair Bolsonaro declarou apoio a poucos candidatos nas eleições. Uma pequena parcela deles se elegeu ou tem chance no segundo turno. O grupo do presidente, que está sem partido, dissolveu-se em outras siglas e não encontrou a chamada onda de 2018. Em SC, os tradicionais MDB, PP, PSD, e PSDB lideraram. Ponto para a “velha política”.

– NOS grupos de comunicação do presidente, o foco foi anunciar a derrota ainda maior do PT e explorar o baixo desempenho da desafeta Joice Hasselmann (PSL) em São Paulo. Ainda comemoraram uma suposta vitória do conservadorismo. Tudo para contornar a derrota de alguns aliados.

– MUITO se fez para evitar o contágio de Covid-19 durante a eleição, com protocolos e adiamento da data decisiva. Pois bem, a doença avançou em Santa Catarina, e no dia 15 de novembro – domingo de eleição – houve o maior registro de casos ativos da doença desde o início da pandemia até então.

*Coluna, ‘Poder SC’, publicada no jornal “O Celeiro’, Edição 1653 de 19 de Novembro de 2020.

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