Novas tendências? Funk e Rap atraem adeptos em Campos Novos

A história dos ritmos é longa e teve início fora do Brasil, mas aqui na região o Rap e o Funk são uma novidade que divide opiniões.

“Música de preto. Música de malandro”. Esses são alguns dos conceitos que se tem a respeito do rap e do funk, inclusive os ritmos são confundidos um com o outro. Muito comum em outras regiões do Brasil, o funk e o rap não são os ritmos preferidos em Campos Novos. Um município de raiz europeia e de gêneros tradicionalistas concentra uma população com um estilo mais tradicional. Porém, há quem tenho seguido uma curva diferente e atraiu-se a um estilo nada convencional. Atualmente Campos Novos conta com alguns apreciadores e até cantores de rap e funk que buscam na música uma forma de comunicação. Na roupa e no modo de falar eles não passam despercebidos e continuam tentando ganhar espaço, aceitação e consagrar-se como artistas.

O jornal ‘O Celeiro’. conversou com dois artistas locais que comentaram seus sonhos, suas dificuldades e seu interesse pelo ritmo. A coincidência não está só no gosto musical, mas também no nome. Wiliam Dime e Willian Wolff, se encontram no funk e no rap, respectivamente, e tentam alavancar a carreira no ramo do entretenimento, mas ainda não vivem exclusivamente da música. Mc Dime explica a diferença entre os ritmos: “o funk começou através do rap, a única diferença é a velocidade entre os ritmos. A batida do rap é mais lenta, o funk já é mais avançado”.

Sobre a imersão no funk, ambos têm a mesma opinião. “Na música eu achei uma forma de expressão, tudo que acontece no dia a dia eu escrevo, eu achei uma forma de me expressar”, disse Dime, que é natural do Rio Grande do Sul. “Quando comecei no rap minha intenção foi levar uma mensagem. Nós conseguimos através da música passar nossa vivência, visão e conseguimos ajudar as pessoas a abrir sua mente”, reiterou Mc Wolff.
Mesmo bem intencionados, os jovens ainda sentem o preconceito, justificado pelo fato de que cantores de rap e funk são ‘usuários de droga’. Mas eles contestam a afirmação e lamentam a generalização a cerca do assunto. “Infelizmente ainda existe preconceito, por conta de alguns artistas que acabaram manchando a cultura do rap e do funk. As pessoas generalizam e julgam muito, mas não são todos que estão envolvidos com drogas. Nossa intenção é justamente dizer para as pessoas que certos comportamentos são ilusão”, defendeu Wolff. “Há muitas críticas em relação ao funk. As pessoas só veem o lado ruim, mas não enxergam o lado bom, que o funk conta a realidade, um sonho, um pedido de paz, é uma forma de conscientização”, completou.

Sonhadores, os jovens desejam voar alto e deixar sua mensagem para as pessoas, por isso esperam ser entendidos e receber o apoio que precisam. Afetados pela pandemia, as apresentações quase não aconteceram neste período, mas aos poucos eles estão retomando suas atividades como cantores. “O incentivo poderia ser muito maior, tendo em vista que a maioria das músicas da região são de muita qualidade e que tem vários talentos escondidos. O investimento e incentivo deveriam ser maior por parte do Poder Público e da Comunidade”, diz Wollf, sendo corroborado por MC Dime. “Nós não temos apoio. As pessoas precisam acreditar e nos dar um voto de confiança, porque tem jovens Mcs que tem sonhos e não conseguem realizar porque ninguém acredita em seus talentos”, desabafa.

Apesar das dificuldades eles seguem acreditando no futuro e buscando mais espaço no meio artístico. Para conhecer um pouco mais o trabalho deles confiram suas redes sociais: @mc.wolff_sc e @dimewilliam.

*Reportagem publicada no jornal ‘O Celeiro’, Edição 1664 de 18 de fevereiro de 2021.

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