Covid-19: Após um ano de pandemia saiba as principais dúvidas com relação a doença

Após um ano a Covid-19 continua tirando a paz dos brasileiros. O que mudou e o que continuar a fazer para se proteger?

A vacina contra a Covid-19 começou e a humanidade aguarda o retorno da vida normal. Em alguns países a situação está tranquila, mas no Brasil a história é bem diferente e mesmo com a vacinação ainda estamos vivendo um colapso e uma onda gigante de casos e de mortes. A região Sul se destacou no cenário nacional devido a atuação do vírus e as muitas vítimas registradas. Santa Catarina precisou do auxilio de outros estados e ainda está com os hospitais abarrotados de pacientes e muitos aguardam leitos de UTI. Portanto a fase atual ainda é de preocupação, alerta e muitos cuidados, pois a variante da Covid-19 surgiu mais agressiva. A doença que, antes era o terror dos mais vulneráveis, hoje também tem acometido os jovens.

Campos Novos segue o roteiro do Brasil, registrando nos três primeiros meses de 2021 mais mortes por Covid-19 do que no ano todo de 2020. A situação é séria, e a população não deve achar que o início da vacinação dará um fim aos cuidados preventivos. A forma de lidar com a doença também já não é a mesma, esperar que os sintomas completem três dias nem pensar, agora é buscar ajuda o mais rápido possível. Doutor Euclides Dall’Oglio que atua no Centro de Triagem, há cerca de dez meses, fala sobre a evolução do vírus durante este tempo, a forma em que os pacientes estão sendo conduzidos e responde algumas dúvidas que ainda temos sobre a Covid-19.

Sobre este primeiro ano de pandemia, Dr. Euclides relata: “Após este um ano chegamos à conclusão de que o acolhimento precoce é importante. Eu gosto de usar a expressão acolhimento, porque o tratamento precoce está sendo utilizado com cunho político. Quando falamos do acolhimento falamos da procura imediata de atendimento médico. O médico e o paciente irão decidir o melhor caminho e definir o que é melhor para o paciente com bases científicas e experimentais da prática. As medicações fornecidas para o tratamento da Covid-19, possuem estudos que comprovam sua eficácia quando utilizadas no momento certo. Porém há alguns estudos dizem que não. Isso faz parte da medicina, em um ano é muito cedo para ter os estudos ‘duplos cegos’. As experiências práticas falam sobre o benefício do acolhimento. O último levantamento dos 21 internados nesta semana, 19 não haviam feito tratamento precoce”.

Com a variante do vírus, o problema ficou maior e mais perigoso, tendo efeitos até mesmo nos mais jovens. “Após este um ano a variante do vírus veio e ela é muito mais contagiosa e agressiva. Quando achávamos que teria uma tranquilidade, a variante piorou a situação. Todos os vírus sofrem mutação, e a Covid-19 não é diferente. A variante é agressiva no sentido de que antecipa os sintomas, e por isso muitos jovens estão sendo acometidos. Até então a primeira onda afetava mais os idosos. Mas a variante tem um potencial maior de contaminação. A característica da doença e dos sintomas é muito diferente em relação a primeira onda”, explicou o médico.

Atualmente as novas variantes já fizeram muitas vítimas tanto no Brasil quanto em outros pontos do mundo. A vacinação da Covid-19 trouxe esperança à população, mas apenas uma pequena parte vacinou, o que não garante uma defesa em massa. “O pior nós estamos passando. A cada dia que vemos novas faixas estárias sendo vacinadas, isso nos deixa mais tranquilos. A vacina é o caminho para sair dessa situação. Esperamos que consigamos uma vacinação em massa. Imagino que em dois ou três meses tenhamos vacinado boa parte da população”, diz, mas alerta a necessidade de ser realista neste momento. “Ainda estamos no momento de turbulência da pandemia. As pessoas precisam se cuidar, evitar contato desnecessário, aglomerações, encontros. Este momento ainda é preocupante, no qual o estado continua em colapso. Nos primeiros sintomas é preciso procurar atendimento médico. Os sintomas são os mesmos, mas agora eles estão se antecipando. Esta variante tem como uma das principais característica a febre. Até o ano passado eu não tratei muitos casos de febre, hoje de 30 pacientes, cerca de 25 evoluem com febre. Nesta hora o paciente precisa de acompanhamento médico, com exames e um tratamento efetivo. Não se deve esperar mais três dias, no primeiro pico de febre já deve buscar ajuda”.

Dúvidas constantes

  • A vacina imuniza ou minimiza os efeitos da doença?

‘Ainda não temos dados 100% comprovados. As vacinas aprovadas no Brasil, tanto a Coronavac quanto a Oxford, são emergenciais. Elas têm sua eficácia comprovada pela Anvisa, a Coronavac em torno de 50% e a Oxford de 70 a 80%. Acredito que as pessoas obterão uma boa imunidade e uma boa resposta. Mesmo com a vacina é preciso manter todos os cuidados. Deve-se evitar aglomerações, fazer uso de máscara, e a higienização das mãos. Esta é a única coisa que não mudou desde o início da pandemia. Nós já vimos casos em que mesmo pessoas que já fizeram a vacina contraíram o vírus’.

  • É seguro tomar banho de piscina?

‘Não há problema utilizar a piscina. O risco está no ambiente com muitas pessoas’.

  • Posso borrifar álcool 70 para limpar minha máscara?

‘Nunca. É preciso lavar a máscara sempre’.

  • Posso lavar minha máscara junto com a roupa?

‘Não há problema se forem lavadas juntas’.

  • Viajei, quando voltar para casa preciso ficar quantos dias em isolamento?

‘Não é a viagem que põe a pessoa em risco, mas sim o fato de entrar em contato com alguém positivado. O que define o isolamento são os sintomas, se você não os tiver a vida é normal, mas seguindo os protocolos de prevenção’.

  • Qual a possibilidade de contaminação ao conversar com uma pessoa infectada utilizando máscara?

‘Com o uso de máscara diminui-se a chance de transmissão do vírus. Estudos comprovam que o positivado com máscara e a outra pessoa também a chance é mínima. Mas se uma das pessoas estiver sem máscara a possibilidade é de 50%’.

  • Estou com sintomas, mas o exame deu negativo, o que devo fazer? O exame será repetido?

‘Independentemente do resultado é preciso procurar o médico. Os exames nos ajudam, mas existem falsos negativos. São os sintomas que importam para nós, eles falam mais alto que os exames. Possivelmente o médico solicitará um segundo exame’.

  • Qual a função do álcool 70? Posso usar álcool com um teor mais baixo?

‘O álcool faz higienização eliminado o vírus. O álcool de teor mais baixo não terá a mesma eficácia. Ainda assim, o álcool serve para nos ajudar, mas a higienização das mãos é com água e sabão’.

  • A pessoa com Covid-19 transmite a doença em que período?

‘O período de transmissibilidade é de até o decimo dia. O paciente grave que precisou ficar internado é de vinte dias’.

*Reportagem publicada no jornal ‘O Celeiro’, edição 1670 de 01 de abril de 2021.

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