Quem conta a história: Nelson Cruz

Do agronegócio a Política camponovense:
Nelson Cruz fala sobre trajetória e desafios

Aos 18 anos, Nelson chegou a Campos Novos e participou ativamente da transformação e evolução do município.

Natural de Videira, Nelson Cruz chegou a Campos Novos ainda jovem e fez do município seu lar e aqui construiu sua família. Filho de agricultor, ela sabia que seguiria seu caminho trabalhando nesta área. Após se formar no colégio agrícola ele começou a trabalhar na Copercampos, primeira cooperativa do município, onde está até hoje atuando como gerente operacional. Formado em administração, com foco no agronegócio, e especialista na área, ele contribui significativamente com o setor mais importante da região: o agronegócio. Além disso, ele assumiu um dos cargos mais elevados no município quando foi eleito prefeito de Campos Novos por dois mandatos e meio. Essa semana na editoria Quem Conta a História, Nelson Cruz relata um pouco sobre sua trajetória e os desafios diante de dois grandes poderes: o agronegócio e o poder público.

Criado na roça, conhecia bem a lida campeira. Antes de seguir a caminhada profissional, Nelson foi Jockey quando tinha cerca de 13 anos. Mas logo foi em busca de sua carreira profissional. Na Copercampos ele conquistou seu primeiro emprego como classificador de semente, até assumir diferentes funções dentro da cooperativa. Neste período ele iniciou o curso de administração, uma área compatível com seu espírito de liderança. Provavelmente esta foi uma das características que o fizeram assumir os cargos de presidentes de órgãos como a Associação da Copercampos, da Credicampos, e da Acircan, e claro, mais a frente a liderança do Poder Executivo e do Legislativo.

Focado e apaixonado pelo agronegócio, a política parecia ser algo distante, nem mesmo na juventude ele alimentou alguma pretensão neste sentido, mas com o tempo seu pensamento mudou e ele aceitou o desafio de disputar o cargo de vereador. Em 2000 ele foi eleito o vereador mais votado naquela eleição. Antes de terminar seu mandato, quando era Presidente da Câmara de Vereadores, algo inesperado aconteceu, o prefeito a época faleceu, o vice renunciou, e ele acabou assumindo a prefeitura. Medo da responsabilidade? Não! “Eu assumi em 2002 o Poder Executivo. Para mim foi um desafio, mas eu sabia que eu tinha capacidade”, afirmou seguro.

Segundo ele a transição do agronegócio para a política foi tranquila, afinal apesar de ser um setor diferente ele justifica que ambos carecem de boa gestão. Sobre o início de seu mandato como prefeito ele conta: “Eu peguei o município com muitos problemas e o colocamos nas condições que está hoje. Nenhum bairro tinha asfalto, saneamento básico, iluminação. As estradas do interior eram carentes de cascalhamento. Fizemos muita coisa. A cidade passou por uma transformação. Hoje somos um bom município, cresceu muito a partir desta época”, afirma.

Administrador por formação, ele encarava o município como uma empresa que precisava ser organizada. “A primeira coisa que eu fiz foi regularizar a folha de pagamento, os fornecedores estavam todos atrasados. Eu sanei os problemas financeiros. Cumpríamos os prazos. Nunca atrasamos um pagamento. Mas as principais diferenças é que no agro você planeja e faz, e no setor público tem coisas que não dependem só do teu planejamento, sempre depende de aprovação da Câmara, e as vezes não dá certo por vários motivos. A dificuldade e a demora no órgão público são maiores. No setor privado escolhemos as melhores empresas para executar um serviço, no público fazemos licitação e nem sempre é a melhor”, compara.

Em Campos Novos desde os 18 anos e com a experiência que adquiriu ao longo dos anos, Nelson presneciou e foi partícipe das mudanças. “Os pastos foram transformados em lavoura, fazendo com que o município crescesse. Naquela época Campos Novos era muito maior em extensão territorial. Com o desmembramento aqui ficou concentrando o agronegócio. Aos poucos fomos nos modernizando e diversificando as atividades. Hoje somos o maior produtor de grãos do estado. O comércio foi crescendo, tanto que hoje ninguém vai para outro município fazer compras. Temos um mercado competitivo. Houve uma transição e cresce a cada dia. Em 2016 a arrecadação era de R$ 89 milhões, hoje chega a cerca de R$ 170 milhões. Somos um município admirável”, declara.

Ao diferenciar estes dois setores, Nelson deixa claro que cada uma tem uma função específica no desenvolvimento do município, atribuindo ao agronegócio um fator determinante para o desenvolvimento local. Já o Poder Público ele aponta como o setor que deve dar condições as empresas através de bons acessos, sistema de esgoto, saneamento básico, educação e saúde de qualidade. “O Poder Público não tem que fazer, ele tem que dar o suporte e o alicerce para que os demais façam a sua parte. Temos que separar bem, ele não executa o crescimento, ele é o incentivador para o sucesso”, completa.

Ao notar o que fez e onde chegou, Nelson diz ter alegria e satisfação por fazer parte desta rica história de Campos Novos. Ele ainda vê muitas possibilidades para o futuro. “Campos Novos tem muitos campos para crescer, qualquer indústria pode vir para cá. O fato de não ter um aeroporto aqui não é um impedimento. Estamos no meio de um entroncamento de várias rodovias. Ainda vamos crescer muito e em muitos outros segmentos”, afirma, dizendo ainda que existe a possibilidade de retornar a política: “Nunca digo que não vou voltar. Eu gosto da política. Estou à disposição”, finaliza.

*Reportagem publicada no ‘Jornal O Celeiro’, edição, 1699 de 21 de outubro de 2021.

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