
A área da Segurança Pública consome boa parte dos recursos arrecadados pelo governo do Estado com os impostos pagos pelos cidadãos, que também precisam de educação, saúde e investimentos públicos. Este ano, mesmo em meio à crise, serão gastos R$500 milhões a mais com segurança do que no ano passado. Somente a folha de pagamento da segurança deve ultrapassar a casa dos R$3 bilhões, crescendo quase 20% em 2016. Enquanto isso, a previsão de arrecadação é de crescimento nominal de apenas 1%.
O leitor pode contrapor: números não resolvem o problema. Bom, graças aos números, que não são alcançados sem muito rigor na gestão, o Governo vai finalmente poder convocar mais 1.200 servidores para as áreas da segurança. É um reforço e tanto. Vale lembrar que entre 2011 e 2014, nomeamos 5.046 servidores para a área, o que equivale a um quarto de todo o efetivo atual da segurança pública no Estado.
Temos sim, problemas graves e localizados, que estão sendo atacados. Mas nossa situação é privilegiada quando nos comparamos com estados próximos e distantes. Nossos servidores têm a melhor remuneração do Brasil e estamos chamando mais gente. Que outra categoria recebeu em média 20% de aumento nos salários? Que outro estado está contratando ou dando aumento? Muitos não estão nem conseguindo pagar os salários.
O Governo faz um esforço hercúleo para manter em ascensão os gastos globais na área – leia-se folha, custeio e investimentos. Somente o pagamento dos salários dos servidores ativos (20.127) e inativos (10.114) representa um terço de toda a folha de pagamento. Entre 2011 e 2015 a folha de pagamento mais que dobrou: teve incremento de 105%. Em momento de grave crise, esses números são irrefutáveis provas da prioridade dada à área. E são desafios gigantescos, considerando fatores como o grande número de inativos que já fazem com que a segurança responda por 40% do déficit da previdência do Estado. O alto índice de inativos e pensionistas em relação ao número de servidores ativos é um desafio
Muitas vezes, nem todo esse esforço convence. Não raro vemos críticas infundadas e análise isolada de dados, sem visão global sobre este que é um tema complexo. Lidamos constantemente com a desanimadora e errônea constatação de que “a culpa é do Governo”. Ainda assim, não deixamos de injetar recursos na segurança e estamos fazendo um verdadeiro exercício numérico e de gestão, orientando enxugamento em gastos não prioritários e revendo contratos, para que não sejam reajustados – e se possível, tenham os valores reduzidos.
Se o exército do crime tem as vantagens de crescer sem as amarras burocráticas que cerceiam a área pública, o nosso exército tem a dedicação dos milhares de homens e mulheres que compõem as áreas da segurança. Podemos não crescer na mesma velocidade, mas certamente crescemos muito melhor estruturados. Somos um Estado que não foge à luta, seja ela qual for. A segurança pública é uma luta permanente e muitas vezes desleal, mas que não se pode deixar de lutar.
