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Alimentação escolar quer chegar a 100% de produtos de CN na agricultura familiar

Chamada pública e licitação para aquisição de alimentos destinados à merenda escolar na Rede Municipal de Ensino já foram realizadas. Responsáveis pelo setor garantem qualidade e orientação na manipulação correta e para preparo das refeições.

Na última sexta-feira, merendeiras que atuam nas Escolas da Rede Municipal de Ensino, receberam capacitação sobre boas práticas de fabricação, higiene e manipulação de alimentos. A capacitação aconteceu no Centro de Treinamento – Cetrecampos, numa parceria do município com a Epagri e reuniu cerca de 60 pessoas.

As orientações integram a proposta da oferta de uma alimentação de qualidade às crianças que frequentam a Rede Municipal de Ensino na Educação Infantil, Ensinos Fundamental e Médio. Na capacitação além das profissionais do Setor de Alimentação Escolar do Município, colaboraram os profissionais da Epagri, André Sarturi, Neide Corrêa dos Santos Durini e Ezequiel Nunes. A reportagem do Jornal O Celeiro conversou com as responsáveis pelo Setor de Alimentação Escolar, Odete Tormen Jacomel – Gerente de Alimentação Escolar, Ana Carolina Viel Matté – Nutricionista da Merenda Escolar e Inara Durigon Surdi – Auxiliar Administrativa do Setor.

A nutricionista Ana Carolina, explica que a aquisição de alimentos para a merenda escolar é feita por semestre em duas modalidades, chamada pública para aquisição de produtos da agricultura familiar e licitação para compra dos demais produtos alimentícios.

Na chamada pública é obrigatória a aquisição de no mínimo 30% de produtos da agricultura familiar, porém a proposta é chegar a 100% dos produtos deste setor em Campos Novos. “Vamos já receber mais de 30%, mas o objetivo é atingir os 100% da verba federal com a agricultura familiar. Só vai depender na verdade dos agricultores se organizarem e ter uma produção variada, se todos produzirem o mesmo produto fica impossível. A adequação teria que ser também na parte de panificação, doces de frutas e massas. Cada agricultor pode entregar R$ 20 mil por DAP (Declaração de Aptidão ao Pronaf), então R$ 20 mil de pão, por exemplo, é pouca quantidade, são poucas entregas, tendo espaço para outros produtores entregarem. Então nós precisamos de uma variedade maior de produtos. Todos os produtos, porém, vem de Campos Novos pela chamada pública”, informou a nutricionista.

Ana Carolina Viel Matté , Odete Tormen Jacomel e Inara Durigon Surdi

Além da DAP, retirada na Epagri, o produtor que queira participar da chamada pública também deve possuir o bloco de produtor rural. A fim de incentivar o produtor a diversificar a sua produção, reuniões mensais serão realizadas numa parceria entre o Setor de Alimentação, Secretaria Municipal de Agricultura e Epagri. Já a licitação é aberta, empresas interessadas tanto de Campos Novos, como de outros municípios podem participar.

E para garantir a qualidade dos produtos fornecidos, o Setor de Alimentação faz a análise das amostras dos alimentos fornecidos e na última semana houve reprovação de alguns itens, desclassificando algumas empresas com a chamada da segunda colocada, procedimento que deve atrasar em alguns dias, a entrega de alguns alimentos às escolas.

Ana Carolina Viel Matté reforça ainda que o cardápio fornecido às merendeiras foi elaborado com base no censo de matrículas de 2016 e inclui todas as dietas voltadas a crianças que sofrem de algum tipo de intolerância alimentar. A novidade este ano é que a administração também irá fornecer o tipo de leite adequado para cada idade na educação infantil. “É elaborado o cardápio para cada faixa etária e levando em consideração a questão de crianças que tem algum tipo de intolerância alimentar, são portadores de diabetes ou possuem colesterol alto. Na ficha de matrícula os pais já informam se o filho tem alergia ou intolerância a algum tipo de alimento ou outros problemas de saúde. E esse ano a novidade é que pela primeira vez na merenda escolar, as crianças da educação vão receber o leite apropriado para cada fase, é um produto bem caro, mas será fornecido pela administração”, enfatizou a nutricionista.

A proposta da administração declarou a Gerente de Alimentação Escolar, Odete Tormen Jacomel, é a prevenção por meio da oferta de uma alimentação de qualidade. Crianças do ensino fundamental recebem uma refeição por período, ensino infantil quatro refeições, do pré-escolar recebem duas refeições e crianças do Projeto Mais Educação, recebem três refeições diárias.

A nutricionista Ana Carolina reforçou ainda que a escola pode contribuir por meio da merenda, para a reeducação alimentar. “Fornecendo alimentos que sejam saudáveis, para que a criança adquira o hábito, desde o tempero e a questão do açúcar, controlando a quantidade. Na escola vai acabar formando o paladar das crianças, a escola pode contribuir para uma reeducação alimentar. É preciso também sensibilizar os professores e pais para que isto aconteça. Na escola é proibido levar lanche de casa. A gente tenta sempre resgatar os hábitos alimentares, por exemplo, polenta, a quirera, aipim, a batata doce, trazer esses alimentos que hoje muitas crianças nem conhecem. Conhecem o que? miojo!”.

E para atender a demanda das escolas municipais, o Setor de Alimentação Escolar também contará com mais uma nutricionista. O investimento na merenda escolar na Rede Municipal de Ensino fica próximo a R$ 1 milhão no primeiro semestre de 2017.

*Reportagem publicada no jornal “O Celeiro”, Edição 1466 de 16 de Fevereiro de 2017.

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