Com mais de três horas e meia de duração, num ato democrático, a EEB Henrique Rupp Junior, juntamente com a Câmara Municipal de Vereadores realizaram na manhã desta quinta-feira, 23, audiência pública no auditório da Fundação Cultural Camponovense.
A Diretora da EEB Henrique Rupp Junior, Daniela Granzotto Rupp Flesch, esclarece que o posicionamento contrário à doação ocorre em função da necessidade de ampliação e também em virtude do crescimento contínuo na procura por vagas na unidade de ensino estadual. “Mantemos firme a nossa postura em continuar mantendo a posse do nosso terreno, já que entendemos que é necessário sim que haja uma expansão no número de vagas de creches, mas que não seja no terreno da Escola Henrique Rupp Junior. Sabemos que não existe uma projeção de quando esta ampliação da nossa escola será feita, no entanto, não estamos pensando na educação para o ano que vem, mas para daqui 10 a 20 anos. Retirar este terreno neste momento seria cortar qualquer possibilidade de ampliação da Escola de Educação Básica Henrique Rupp Jr. Estou falando aqui em nome de uma maioria quando nos referimos à comunidade escolar”.
Conforme dados da direção da escola estadual, com a reforma o aumento na taxa de matrículas aumentou em 22%, passando de 622 alunos em 2016 para 800 alunos em 2017. Com base nesta projeção para os próximos anos e já em 2018 se fará necessária a ampliação argumenta a direção, para no mínimo mais cinco salas de aula.
O presidente da Câmara de Vereadores José Adelar Carpes (PMDB), assim como a maioria dos vereadores que se pronunciaram na audiência, Cassio Campagnoni (PMDB), Dirceu Kaiper (PMDB), Rodrigo Pedroso (PMDB), Irineu Armando Osório Junior (PP) e Antonio Rosa (PT), também manifestaram posicionamento contrário à doação da área à prefeitura. O vereador Gilson Lopes (PMDB), também se pronunciou, mas não definiu uma posição, afirmando que há necessidade de solucionar as duas demandas.
Vereador Crespo acredita que a Administração possa adotar outra solução, como utilizar a área da antiga UNOESC, que já havia sido proposto no passado. “Dizer em nome dos senhores vereadores que fomos procurados pela direção da Escola e tomamos a decisão de realizar esta audiência diante deste pedido, que também foi feito pelos professores. E acompanhando as necessidades pudemos constatar que a escola realmente necessita de uma ampliação. Nós somos contra a doação do terreno. A nossa preocupação é futura, diante desta necessidade da ampliação. Também temos a preocupação com necessidade de uma creche, devido à grande demanda por vagas, que vem de longo anos. Temos acompanhado e visto que na antiga UNOESC poderia sim ser feita uma creche”.
O prefeito Silvio Alexandre Zancanaro destacou a importância da discussão, em que prevaleceu a democracia, esclarecendo na oportunidade, qual é a proposta da administração. “O que vale relembrar que não é só a doação de um terreno, por trás deste pedido existe todo um planejamento, diante de uma necessidade real de mais creches e claro de abrir mais vagas para o ensino fundamental também. Agora fazer adaptação, melhorias ou puxadinhos, na minha administração não vamos fazer. Como se pensou em fazer uma creche na UNOESC, houve um levantamento da engenharia que comprova que com todas as adaptações necessárias seria um investimento quase igual ao de se construir uma nova creche. Quando avaliamos a região, nós detectamos esse terreno da escola estadual que há muito tempo não se usa e está ali de forma ociosa. Fizemos uma solicitação ao estado que fez um apontamento que se fosse da vontade da comunidade, daria continuidade. Fizemos uma reunião com os professores, alguns foram favoráveis e outros contrários. Fizemos uma reunião com a associações de moradores da Morada do Sol, Senhor Bom Jesus e Nossa Senhora de Lourdes que de forma unânime foram favoráveis e demos continuidade”.
O projeto prevê a construção de uma creche para atender até 180 crianças. O prefeito esclareceu que o projeto envolve outras questões, além da doação da área. “A doação do terreno envolve no projeto de lei que hoje está com os deputados, a obrigatoriedade do município doar um terreno para o Corpo de Bombeiros, colocando uma área adequada para os bombeiros e Samu e ainda a Câmara de Vereadores poderá ampliar seu espaço com a saída do Corpo do Bombeiros do local. É um planejamento atendendo a diversas necessidades. Mas respeitamos a todos e vamos avaliar todos os posicionamentos levantados nesta audiência”
A construção da creche seria com recursos do FNDE, com contrapartida de 4% do município. O pedido de doação do terreno foi apresentado ainda em janeiro ao Governo do Estado, por meio da Agência de Desenvolvimento Regional pelo prefeito Silvio Alexandre Zancanaro. Na oportunidade informou o Secretário Executivo da ADR Jairo Luft, a comunidade escolar foi ouvida e se constatou existir a necessidade de ampliação da EEB Henrique Rupp JR, que já havia recebido em 2016 uma reforma. Diante desta expectativa e ampliação, o parecer do Secretário Executivo foi contrário à doação. O projeto de ampliação foi encaminhado e há expectativa da construção de mais três salas de aula e um auditório, porém, na lateral da escola e não na área solicitada pelo município.
Nesta área solicitada pelo município existe uma pré-disposição, que também já foi tema de reportagens, da implantação de uma unidade educacional de ensino técnico, confirmou Jairo. “Nós fizemos também o nosso encaminhamento contrário à doação deste terreno na expectativa real de se fazer a ampliação, a qual já solicitamos, com auditório e mais três salas de aulas. E também existe uma perspectiva de anos atrás da utilização daquele espaço solicitado pelo município para construção de uma escola técnica. Como a escola recebeu uma reforma em dezembro do ano passado, o governo preferiu aguardar um pouco para fazer esta ampliação. Estamos aguardando uma definição e também uma solução desta situação que foi gerada entre a comunidade escolar e a Administração Municipal, sobre a doação do terreno ou não”.
Ao final da audiência o prefeito Silvio Alexandre Zancanaro sugeriu uma nova reunião entre as partes interessadas para uma nova discussão, a partir dos apontamentos da comunidade. Já o presidente da Câmara de Vereadores, José Adelar Carpes sugeriu a criação de uma comissão a fim de discutir o destino do projeto na ALESC.

