Sábado , 21 Abril 2018
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Busca por alternativas no abastecimento do milho em SC

Mais uma vez a questão do abastecimento do grão bate à porta do agronegócio catarinense.

Com uma demanda cada vez maior e a previsão de redução na safra brasileira de milho, lideranças do agronegócio pensam em alternativas para o abastecimento do grão e a manutenção da competitividade das agroindústrias instaladas no Sul do país.

Representantes das agroindústrias procuram uma solução na busca direta do grão junto ao maior produtor mundial de milho: os Estados Unidos. Boa parte da carga viria direto para Santa Catarina, grande produtor de carnes e grande importador de milho. O assunto foi tratado no final de março por representantes do Governo do Estado, dos produtores rurais e da iniciativa privada durante reunião na Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC). Também foi tema levantado na Comissão de Agricultura e Política Rural da Assembleia Legislativa.

O milho é o principal ingrediente das rações que alimentam suínos e aves em mais de 18 mil granjas em Santa Catarina. E a alta nos preços do grão influencia diretamente a competitividade das agroindústrias instaladas no estado. As lavouras catarinenses devem produzir 2,4 milhões de toneladas de milho em 2018 – 20,4% a menos do que na última safra.

O Diretor Executivo da Copercampos, Clebi Renato Dias, afirma que o equilíbrio entre produção e o que se consome pela agroindústria vem sendo buscado há cerca de 10 anos em Santa Catarina, um número difícil de ser alcançado. “Está muito difícil chegar neste número, principalmente porque é uma cultura que além dos altos riscos, tem um custo de produção altíssimo. Santa Catarina que consome 6,5 milhões tem uma expectativa de colher 2,4 milhões de toneladas neste ano e alguns acham que pode baixar para 2,2 milhões de toneladas. Com tudo que está instalado e que a indústria de ração precisa, tem que se importar 4 milhões de toneladas para suprir a demanda do estado”.

Clebi Renato Dias, Diretor Executivo da Copercampos

Outros fatores ainda são apontados como influenciadores no mercado do milho. “Operações como Carne Fraca influenciam diretamente nas agroindústrias, tem empresas dando férias coletivas, principalmente pela venda da carne de frango, o que diminui o consumo, mas tem um lado ruim porque a economia deixa de girar”, avalia Clebi Renato Dias. O diretor aponta ainda, uma mudança radical no Brasil nos últimos 10 anos: as chamadas safra e a safrinha passaram a ser denominadas como primeira safra e segunda safra de milho, havendo uma redução violenta na produção do primeiro semestre, a qual tem a participação de produtores do Sul do país. “A primeira safra que é a que participamos, diminuiu no Brasil violentamente, de 42 milhões de toneladas para entre 27 e 28 milhões de toneladas. Então no primeiro semestre sempre fica uma demanda pelo produto, principalmente no Sul que está longe, onde há estoque no Centro Oeste, permanecendo assim a necessidade do grão e os produtores não vendem, que é o que está acontecendo, pensando em preços melhores. Portanto, até cobrir os custos que foram altos, além da quebra que está atingindo nossa região, está difícil encontrar milho disponível no mercado e por isso os preços subiram bastante”.

Em fevereiro, informou o Diretor Executivo da Copercampos, a saca de milho estava em R$ 27,00, chegando a R$ 36,00 no início desta semana. “Lá em fevereiro na lavoura de milho praticamente sobrava R$ 300 por hectare e hoje está dando uma rentabilidade de R$ 2 mil por hectare, dependendo do custo de cada produtor. É uma maneira de se ter uma motivação do produtor para a próxima safra, claro que tudo depende de custo de produção e incentivo”.

Entre as alternativas apontadas pelo Diretor Executivo da Copercampos para melhorar a situação do produtor, está o maior incentivo ao mercado futuro. “Entre as saídas que a gente sugere é um incentivo a negócios futuros, que o produtor tenha na hora que efetivar o plantio uma garantia futura de preço. Já foi feita esta tentativa em 2016, mas não funcionou à altura, mas acredito que é um negócio que deve ser aprimorado, já que o produtor na hora que planta tem a intenção de ter um preço que cubra pelo menos o custo de produção e lhe dê alguma rentabilidade na hora que for vender seu produto”.

A produtividade do milho também caiu nesta safra devido a fatores climáticos, com algumas exceções. Na abrangência da Copercampos, a queda na área plantada de milho ficou em 30% nesta safra, com previsão de recebimento direto dos produtores de 2 milhões de sacas, mais 1 milhão de sacas que serão adquiridas de terceiros. A fábrica de ração da cooperativa, porém, diferentemente da agroindústria catarinense, é abastecida pelos produtores associados. “A nossa fábrica de ração tem a tranquilidade que é abastecida com o milho do próprio produtor, o que é bastante positivo, pois neste momento quem tem o produto é que faz o preço no mercado”.

O setor produtivo de carnes espera para os próximos dias a chegada de dois navios, vindos da Argentina, com 60 mil toneladas de milho. O secretário de Estado da Agricultura e da Pesca, Airton Spies, explica que os preços do milho em outros países estão mais atrativos, diminuindo as compras internacionais da safra brasileira. A intenção é que aumente a oferta de milho dentro do país e o preço volte a um equilíbrio.

*Reportagem publicada no jornal “O Celeiro”, Edição 1523 de 05 de abril de 2018.

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