Segunda-feira , 28 Maio 2018
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Depressão: Santa Catarina é o estado com segundo maior índice de depressivos

Altos índices alertam quanto ao diagnóstico e tratamento da depressão

Santa Catarina é um dos estados que mais se destaca no cenário nacional, tanto por sua econômica, quanto por sua beleza. No entanto, infelizmente, o estado também se destaca pelos números de casos de depressão, sendo apontado como o segundo estado com o maior número de depressivos, superando os índices nacionais, conforme diz pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A doença é apontada como o quarto motivo de afastamento de trabalho, gerando cerca de 5,9 mil dos pedidos de auxílio-doença no estado. A nível municipal, cerca de 60% das pessoas atendidas nos centros de apoio psicossocial apresentam transtornos mentais, que incluem a depressão e transtornos de ansiedades.

A depressão não escolhe classe social, raça, sexo, e nem idade, e mesmo crescendo vertiginosamente, ainda gera muitas dúvidas e é carregada de preconceitos. As estatísticas servem para alertar que a depressão é um problema que deve ser levado a sério, e o conhecimento é essencial para entender a doença.

Até alguns anos atrás ela nem era considera como quadro clínico, e todos a confundiam com melancolia. A psicóloga Luana Lorenzine afirma que a depressão é uma doença como qualquer outra, e precisa de acompanhamento médico. Mas não se pode confundir a depressão com tristeza momentânea. De acordo com a psicologa Luana, o que diferencia depressão de tristeza ou melancolia é a durabilidade desses sintomas. “É normal ficar triste. Todos passam por isso, principalmente quando sofrem alguma perda. O perigo está quando a tristeza se prolonga por semanas, ou até meses, nesse caso é preciso procurar ajuda, pois é um forte indicio de que a pessoa está depressiva”.

Quando não é diagnosticada com antecedência, a depressão pode evoluir a um quadro perigoso. “Enquanto ela está no estagio leve ou moderado, é mais fácil fazer um acompanhamento, mas quando chega grave é bem complicado, porque o paciente tem pouca vontade de reagir, mas ainda é possível que o quadro seja revertido com ajuda profissional, como a psicoterapia”, afirma Luana

Em alguns casos, além da psicoterapia, os médicos podem prescrever alguma medicação para ajudar na produção de neurotransmissores responsáveis pela sensação de bem-estar. Mas ninguém deve fazer uso desses medicamentos por conta própria, o aconselhado é que seja indicado por um médico. As causas nem sempre são as mesmas, alguns não sabem porque se sentem tão pra baixo, outros passaram por momentos difíceis e não conseguem lidar a com situação, e até fatores genéticos podem contribuir para a depressão. “O indivíduo é singular. Assim como os sintomas mudam de pessoa para pessoa, as causas também mudam. Cada um reage de um jeito”, esclarece a psicóloga.

Neste processo de diagnostico e aceitação da doença, o paciente precisa de muita ajuda. O tratamento medico é importante, mas não é o bastante. Os médicos indicam também atividades físicas que devem ser realizadas com regularidade, pois ajudam o organismo a produzir naturalmente as substâncias do bem-estar. A psicóloga diz que além dessas atitudes, o que vai ajudar ainda mais o paciente é o apoio emocional de familiares e amigos. “Depressão não é frescura. A família precisa entender a depressão como doença, precisa estar disposta a apoiar. O apoio familiar é essencial para a melhora do paciente”, garante.

Porque a região Sul?

Não são apenas os estados da região sul que são mais propensos a casos de depressão. Na Europa os países mais frios também apresentam taxas bem altas de casos de depressão. Porque será? Muitos estudos foram realizados para buscar respostas, e de acordo com a psicóloga Luana, o clima frio tem bastante influencia sobre isso. “Na depressão acontecem alterações químicas no cérebro. As substâncias que causam prazer como a serotonina e dopamina são liberadas naturalmente com a ajuda dos raios solares, exercícios físicos e momentos de lazer, porém nas regiões cinzas o sol já não aparece com constância, e as pessoas tendem a ficar mais em casa, sem realizar atividades. Esse cenario dentro de meses faz muita diferença para o organismo e as substâncias do prazer sofrem uma diminuição, contribuindo para a depressão, conclui.

Mas, independente do clima, o mais indicado por médicos e psicólogos, é a prevenção. Neste caso o melhor é que desde já as pessoas criem o habito de praticar atividades físicas, e que promovam momentos de lazer.

*Reportagem publicada no jornal “O Celeiro”, Edição 1528 de 10 de maio de 2018.

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