
No entanto, apesar de todas as conquistas femininas, é perceptível um paradoxo na vida de algumas mulheres, mesmo entre aquelas que se mostram independentes. Infelizmente existem mulheres que vivem uma realidade retrograda e machista entre quatro paredes, e não fazem valer seus direitos dentro de casa, se submetendo a agressões constantemente, e fazem isso não porque precisam de dinheiro ou porque tem medo de não ter aonde dormir, ou mesmo por causa dos filhos, muitas vivem essa triste realidade em nome do amor, se apegando a um sentimento unilateral na esperança de que o amado possa vir a mudar, e assim vão levando a vida aguentando maus tratos e agressões, fingindo que está tudo bem.
Não queremos julgar nenhuma mulher que vive essa situação, não sabemos explicar o que se passa na mente delas, mas precisamos ajuda-las a tomar uma atitude corajosa como a de Maria da Penha, mulher que deu nome a lei que defende mulheres que sofrem esse tipo de maus tratos. A violência doméstica não é apenas uma questão policial, a denúncia faz parte da rede de combate ao ato, mas a experiência vivida por uma mulher é um assunto complexo por se tratar de uma relação afetivo-familiar que acaba afetando a mulher psicologicamente. Então não adianta sermão e nem uma atitude enérgica nesse momento.
Esse debate é muito sério porque é uma questão de vida, os números são altos de mulheres assassinadas pelos companheiros. O caso da Maria da Penha é inspirador, mas nem todas tem a mesma atitude corajosa que ela teve. Mas um primeiro passo precisa ser dado, toda mudança começa sempre aos poucos. Por mais difícil que seja essas mulheres precisam de ajuda, apoio psicológico é essencial para que elas consigam lidar com o fato. Não se esconda, não deixe que as lutas e conquistas das mulheres por igualdade sejam invalidadas no âmbito familiar. Se você passa por isso ou conhece alguém que sofre violência doméstica não aceite, não se cale, denuncie, se falta coragem peça para algum amigo próximo fazer a denúncia por você, o esforço vai valer a pena.
Por: Priscila Nascimento
Jornalista
*Editorial publicado no jornal “O Celeiro”, Edição 1524 de 21 de Junho de 2018.
