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Poderes municipais e o agronegócio: Unidos para promover o desenvolvimento

O agronegócio só se desenvolve se houver forças envolvidas para fortalecê-lo e impulsioná-lo. Sendo assim qual o papel do município em dar apoio ao setor?

Campos Novos tem tentado investir em muitos setores econômicos, mas é inegável a vocação agropecuária do município, fato que o destaca no estado de Santa Catarina. Para tornar este setor uma referência é necessária um conjunto de esforços empreendidos entre poderes privados e públicos. As cooperativas desempenham um papel vital como facilitadora e fomentadora das tecnologias e inovações encontradas no campo. O Governo do Estado tem atuado através dos órgãos de pesquisa e fiscalização para fortalecer o agro, assim como por meio da Secretaria de Estado de Agricultura e Pesca. Não podemos esquecer o Governo Federal, que também criou inúmeros órgãos para promover estudos e pesquisas voltadas ao desenvolvimento do agronegócio brasileiro, Mas quanto a esfera municipal, qual a função do Poder Público para dar suporte e apoio ao agronegócio?

O Poder Município é a esfera pública que está mais próxima ao produtor e conhece sua realidade de perto. Por meio da Secretaria Municipal de Agricultura o Poder Executivo pode e deve levar aos pequenos produtores meios para que ele possa ter os mesmos recursos que os médios e grandes produtores. Poder Legislativo e Executivo devem andar de mãos dadas para atuarem junto ao homem do campo promovendo melhoria que permita mais renda e produtividade. Qual é a principal demanda da região? Ouvimos um produtor que relatou sua visão. “O produtor rural precisa mesmo é de boas estradas para escoar sua produção, para que seus filhos possam freqüentar a escola e para que numa emergência possa trazer as pessoas adoentadas até a cidade. Sem estradas, ficamos de mãos e pé atados. Uma boa assistência à saúde é indispensável também. Se você chega ao hospital com uma pessoa ferida ou doente e te deixam mofar numa sala de espera sem dar um encaminhamento é algo desesperador. Somos carentes também em comunicação, muitos lugares não tem acesso a telefonia e internet. De que adianta adquirir tecnologia de plantio, colheita, monitoramento de rebanhos se não temos comunicação? Na minha modesta opinião a melhoria nessas áreas é vital pra quem vive ou tem seus negócios no campo”, opinou o produtor rural Jair Noriler.

Estas são algumas das demandas de muitos produtores. Tita Almeida, ex-secretário de agricultura do município e vereador eleito no último domingo, comentou de que forma os poderes executivo e legislativo do município podem ser um auxilio aos pequenos produtores. “Os dois poderes devem trabalhar juntos para melhorar a vida do homem do campo na questão de estradas, trazendo equipamentos, tecnologias e projetos para a agricultura familiar. A agricultura familiar depende desses dois poderes com emendas bem distribuídas para gerar renda para que o pequeno produtor tenha a capacidade de trabalhar de igual para igual com o médio e grande produtor. O Poder Legislativo e Executivo devem ir atrás dos recursos para disponibilizar ao produtor condições para que ele promova em sua propriedade a alimentação animal, genética e sanidade animal. A parte comercial para o pequeno produtor também é muito importante. O produtor precisa vender o que vai produzir. O uso na merenda escolar é um caminho para a comercialização da produção”.
A infra-estrutura de estradas e de comunicação é também imprescindível para minimizar o êxodo rural. O pequeno produtor com seu projeto, ganhando dinheiro, tendo acesso a estruturas de comunicação e de estrada para escoamento da produção terá condições de manter sua família na propriedade garantindo a sucessão familiar. Porque as estradas do interior precisam de atenção? Primeiro devido ao escoamento da produção. Outra situação é para que recebam maquinários pesados e de grande porte, conforme Tita concorda. “Este é um trabalho que precisa ser feito porque os equipamentos estão crescendo e estão ficando maior que a estrutura pública. Antes as colheitadeiras e plantadeiras eram pequenas e passavam em estradas pequenas, hoje elas cresceram e algumas têm quase 7 metros de largura. Os pequenos produtores precisam de uma estrutura que permita essas máquinas grandes para escoar sua safra”.

Campos Novos conta com cerca de 2 mil km de estrada, e Tita garante que parte delas está em boas condições, no entanto ele admite que é necessário continuar focado nas demandas do pequeno produtor. Para ele o trabalho precisa ser contínuo no qual todos os envolvidos devem se mobilizar pra oferecer melhores condições ao homem do campo. Se o setor do agronegócio receber a devida atenção ele irá contribuir para o desenvolvimento não apenas do setor, mas de todo o município. ”Nossa vocação é agrícola e não podemos fugir disso. Outros segmentos estão crescendo, mas o dinheiro vem do agronegócio. Nosso comercio é forte porque nossa agropecuária é forte. O agro é uma das prioridades porque por meio dele nos geramos renda e mais renda nos permite ter uma saúde melhor e uma educação melhor e uma cidade melhor”, completou.

A direção que deve ser dada é clara, mas como está a realidade atual? Ainda há muito trabalho a ser feito e requer mais empenho do município para contribuir para que o homem do campo seja mais valorizado e alcance seus objetivos.

*Reportagem publicada no jornal “O Celeiro’, Edição 1653 de 19 de Novembro de 2020.

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