Estressados, esgotados, impacientes. Há quem diga que neste ano não vivemos, apenas sobrevivemos. Você também concorda?
“Eu queria deletar este ano da memória!”. Já teve este pensamento alguma vez? É comum fechar os olhos e negar tudo que nos contraria e desagrada. O ano de 2019 foi um ano difícil, que muitos reclamaram, mas sequer imaginaram que 2020 pudesse ser ainda mais desafiador. No finalzinho de 2019 o novo Coronavírus comprometeu o tão esperado ano de 2020. O mundo está há um ano vivenciando uma pandemia. Perdas irreparáveis, desemprego, falência de empresas, medo, insegurança e ansiedade foram alguns dos reflexos desta pandemia. Além de tudo isso, o distanciamento social causou abalos emocionais que afetaram milhares de pessoas. Crianças e adolescentes tiveram o ano letivo e o convívio social interrompidos bruscamente. Pensar em todos os aspectos negativos desta pandemia pode causar um sentimento enorme de frustração e nos fazer querer jogar 2020 pelo ralo. Toda essa situação nos deixou estressados, esgotados e impacientes, e estamos contando os minutos para que 2021 chegue. Porém, será que houve algum saldo positivo nesse ano? Chegamos ao mês de dezembro, período que muitos dedicam à reflexão. O que você vai levar desse ano? Que lições foram aprendidas? Com tanta coisa ruim, será possível enxergar o futuro com esperança e positividade?
A equipe do jornal ‘O Celeiro’, conversou com a psicóloga Carla Fabiana Campos Pereira sobre o assunto, que dissertou sobre o tema ‘2020: um ano para esquecer?’ e levantou algumas reflexões sobre como podemos enxergar este ano, ressaltando a necessidade de repensar tudo que foi vivido. “Aproxima-se o término do ano de 2020, um ano atípico para todos os seres humanos, em decorrência à pandemia. Considero de fundamental importância fazermos uma análise, para que assim possamos refletir sobre tudo o que nos foi possível viver nesse ano”, iniciou.
Um ano perdido? A psicóloga discorda e comenta alguns dos ganhos que tivemos nestes 365 dias. “Assim como em toda e qualquer situação, o ano de 2020 trouxe momentos difíceis e ruins, bem como momentos positivos para todos nós que tivermos a sabedoria e o desejo de avaliar os acontecimentos. Por meio do que todos nós vivemos nesse ano é possível afirmar que jamais poderemos dizer que 2020 foi um ano perdido, mas sim que foi um ano no qual as pessoas tiveram a oportunidade de obter diversos aprendizados, tais como: a importância da ajuda mútua, a capacidade de resiliência do ser humano, o resgate da espiritualidade, a coragem de pessoas que dedicaram suas vidas para salvar outras vidas, maior valorização da vida e menor valorização de bens materiais, superação ao conviver com uma ameaça cotidiana e principalmente a empatia. Sendo assim tivemos a oportunidade de nos tornarmos pessoas melhores para o mundo”, afirmou.
A profissional refletiu sobre importantes aprendizados que são essenciais para nos tornar seres humanos com mais valores. Amor, empatia, irmandade, responsabilidade, autodisciplina foram postos a prova durante este ano e tivemos que aprender pela dor qualidades importantes para que viver em comunidade. E sempre será tempo para demonstrações de carinho e amor uns pelos outros, isso fortalece os laços entre o ser humano. “Diversas pessoas estão convivendo com a dor da perda de seus entes queridos e a cada uma delas nossos sentimentos de pesar, assim sendo gostaria de salientar que podemos dedicar a elas, nosso apoio por meio de mensagens virtuais, nossa escuta (mesmo que de maneira virtual) e nossas orações, pois atitudes assim fazem a diferença positivamente”, aconselhou Carla.
Muitos lidam com pensamentos negativos constantes, mas no caso daqueles que conseguem e querem, poderão chegar ao final deste ano refletindo sobre tudo que aconteceu com sentimento de gratidão. “Todo ser humano que conseguir e desejar poderá terminar o ano de 2020 agradecendo por tantas oportunidades de crescimento pessoal, pois se sabe que existe crescimento por meio da dor, embora seja difícil admitir isso. Ao findarmos o ano torna-se importante nos sentirmos vencedores, pois apesar de tantos momentos de insegurança, conseguiremos ter mantido a nossa vida e isso é um dos principais motivos para agradecermos” ponderou.
Se é possível tornar-se uma pessoa melhor, é possível também tornar o mundo melhor e mais humano. E a visão positiva do futuro deve ser contínua, independente do que aconteça ao redor. Não é tempo de baixar a cabeça e desistir, mas de lutar e de confiar em dias melhores, afinal com toda a experiência adquirida as pessoas se tornaram mais fortes e capazes de enfrentar tudo que vier pela frente. A psicóloga expressou sua opinião profissional acerca desse assunto. “O ano de 2021 está prestes a iniciar e embora as possibilidades sejam de que até então ainda estejamos enfrentando a pandemia, podemos admitir que é possível iniciarmos esse ano mais fortalecidos para fazermos esse enfrentamento, para convivermos com os riscos decorrentes a essa pandemia e mais preparados para utilizarmos as medidas de proteção que se fazem necessárias, mantendo a esperança de que venha a ser descoberta a vacina para o vírus. Desejo que consigamos olhar para a oportunidade de iniciarmos um novo ano com positivismo, esperança e acima de tudo fé. Que tenhamos como objetivo olhar o mundo com a certeza de que nada é eterno e assim sendo, a pandemia terá seu fim e nós teremos a certeza de que nada acontece por acaso, o que não pode ser avaliado como benção, pode se tornar uma lição de vida”, concluiu.
O jornal O Celeiro convidou a psicóloga Carla Fabiana Campos Pereira para falar sobre o tema porque temos o objetivo de ajudar todos os leitores a ver o mundo com uma perspectiva mais positiva. Não é sobre ser um romântico sonhador, mas sobre ser realista e crente de que é possível viver bem e feliz mesmo enfrentando dificuldades. È sobre ver o lado bom, mesmo diante de situações adversas. Somos sempre capazes de nos reinventar e de recomeçar. Este ano foi difícil, mas não foi um ano perdido, e jamais será um ano para se esquecer, pelo contrário, este ano nos ensinou lições e qualidades que devem nos acompanhar pelo resto da vida.
*Reportagem, publicada no jornal ‘O Celeiro’, Edição 1657 de 17 de dezembro de 2020.

