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Quem conta a história: Alceni Basso

Alceni Basso conta o início da história do jornal ‘O Celeiro’

Fundadora do jornal, relata com o orgulho a trajetória do veículo que há quase 30 anos registra a história de Campos Novos.

“Registrar história e contribuir com o desenvolvimento”, assim resume Alceni Basso sobre o objetivo do jornal O Celeiro quando foi fundado no ano de 1992. São quase trinta anos de trajetória, e a ex-proprietária se emociona ao ver que seu ‘filho mais velho’, como carinhosamente chama, ainda está atuando com a mesma premissa. A frente do jornal O Celeiro por 17 anos, ela conta como tudo começou e quando descobriu sua vocação profissional.

Comunicadora nata, desde pequena ela já sabia o que queria. Assistir o programa Fantástico inspirou nela o desejo de ser repórter. Anos depois ela cursou Comunicação e logo passou a trabalhar na área. Sua primeira experiência profissional foi em seu estado de nascimento, o Rio Grande do Sul, na cidade de Passo Fundo, onde foi criada. Em seguida ela mudou-se para Campos Novos e foi aqui que construiu sua carreira e um nome que até hoje é lembrado por muitos amigos e admiradores de seu trabalho. Quando chegou ao município começou a trabalhar na Rádio Cultura, mas após dois anos decidiu que iria fundar o jornal O Celeiro.

A ideia veio bem antes que o nome. Em meio a conversa com amigos foi levantada a ideia do jornal, e aos poucos o projeto foi criando vida. “A ideia surgiu das conversar que tínhamos com amigos nos botecos. O João Toscan me sugeriu montarmos um jornal. Nós montamos o jornal, mas ainda não tinha o nome”, iniciou. E de onde surgiu o nome O Celeiro? Ela explica: “Quem sugeriu o nome foi o Athos de Almeida Lopes em 1992 que na época era secretário de agricultura. Ele tinha alguns projetos de desenvolvimento na área do agronegócio e sempre dizia que Campos Novos era um ‘Celeiro’. Nesta época começou a trabalhar a ideia do ‘Celeiro de Santa Catarina’. Nós gostamos e aceitamos a sugestão”, completou.

Foi em 1992, época em que Campos Novos começava a se desenvolver a passos largos, que o jornal ‘O Celeiro’, chegou para deixar a população informada e a lutar ainda mais por melhorias. Até então o único veiculo de comunicação no município era a Rádio Cultura. Desde então, como segundo veículo de comunicação ela relembra vários acontecimentos marcantes que teve o privilégio de registar no jornal. “São muitos, estávamos presentes em todos os eventos. Um dos fatos de grande importância que registramos foi o desvio do rio na obra da Usina, foi um marco importante; Nas Expocampos trabalhamos junto aos sindicatos e a CDL, era sempre um grande evento, era uma vitrine. Algo importante para mim pessoalmente foi uma homenagem feita pela Câmara de Vereadores quando fizemos dez anos”. Entre os fatos polêmicos, ela cita a coluna ‘Atras do Toco’ que causou muita discórdia na época.

Todo o trabalho empreendido por Alceni a frente do jornal tinha como objetivo dar voz a população e lutar por avanços. A jornalista inclusive fala sobre a importância da imprensa. “O Celeiro tinha o compromisso com a comunidade de Campos Novos e região de registrar a história e contribuir para o desenvolvimento da região. Nos envolvemos em quase tudo que Campos novos fez a partir de 1992. Eu lembro que alguns políticos não gostavam de ir para Campos Novos porque não queriam enfrentar a cobrança da imprensa. A obra da Rodovia 470 dependia de deliberação do Governo Federal. Nós e a Rádio Cultura éramos muito parceiros nessa cobrança. Nós cobrávamos não só por Campos Novos, mas por todos os municípios da região da Amplasc. Eu acredito que a imprensa comprometida com a comunidade contribui muito para o desenvolvimento”, opina.

Para Alceni esse deve ser o papel de todo veículo de comunicação, e ela acredita que o Jornal O Celeiro ainda cumpre com este compromisso. “O papel dos meios de comunicação é fundamental para contribuir para o bem estar da população. Jornalista não pode ter partido. Nos envolvemos em muitas polêmicas políticas, mas nunca tivemos partido, denunciamos tudo que foi necessário denunciar. O compromisso do jornalista tem que ser com a verdade, ele não tem que dar opinião, ele tem que colocar os fatos e a população deve julgar. O compromisso é em investigar e denunciar, não varrer para baixo do tapete. Pagamos um preço, mas não podemos nos omitir”, afirma categórica.

Sobre o jornal impresso mais especificamente, Alceni avalia que é um meio de grande valor por trazer a notícia de forma mais detalhada, diferente do que acontece na atualidade com os meios digitais em predominância. “Os meios eletrônicos permitem um acesso rápido e não dá tempo de apurar a matéria. A matéria completa, investigada, com um conteúdo mais aprofundado, a informação mais séria e precisa é do meio impresso. Os jornais impressos precisam trabalhar dessa forma, não de forma superficial. Nos meios eletrônicos as pessoas se informam apenas pelas manchetes”, afirma.

Mesmo com toda a tecnologia, o jornal impresso tem seus adeptos e o jornal O Celeiro, independente de seus proprietários, está comprometido em registrar a bela história de Campos Novos. Alceni, que atualmente reside em Passo Fundo, se despediu do jornal em 2008, mas seu amor e carinho pelo veículo e por Campos Novos ainda é muito grande. “Eu amo Campos Novos, eu sei mais de Campos Novos do que de qualquer outro lugar. O Celeiro é meu filho mais velho, uma boa parte da minha história está diretamente ligada ao jornal. Eu acho que ele chegou aos trinta anos porque conseguimos desde a criação conquistar a credibilidade como meio impresso. Essa credibilidade mantem o jornal até hoje. A Informação séria, fundamentada gera confiança e vínculo com os leitores pelas notícias locais e regionais. O jornal O Celeiro é de Campos Novos e dos camponovenses”, finaliza.

*Reportagem publicada no jornal ‘O Celeiro’ Edição 1681 de 17 de Junho de 2021.

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