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Quem conta a história: Athos de Almeida Lopes

‘O Celeiro de Santa Catarina’ sob a ótica
de Athos de Almeida Lopes

Confiante no potencial do agronegócio na região, o ex-parlamentar acreditava que o município seria o maior produtor de grãos do estado.

Quem aqui esteve em anos anteriores, jamais imaginou que aquelas terras nativas se tornariam um solo com uma capacidade produtiva ímpar. As terras deixaram de ser apenas o piso do gado, para ser a fonte de produtos que hoje são o destaque de Campos Novos. Com todo o conhecimento adquirido pelos que vinham de fora, a produção agrícola foi aos poucos evoluindo e logo o município sinalizava uma mudança de cenário. Diante de todo o trabalho realizado pelos produtores ao longo dos anos, a previsão era de que Campos Novos seria o maior produtor de grãos e sementes. Dito e feito! Em 1992 o município foi reconhecido no estado como o ‘Celeiro Catarinense’. Foi neste ano que o jornal O Celeiro foi fundado, influenciado por Athos de Almeida Lopes, que indicou o nome por realmente acreditar no desenvolvimento do município. Esta semana na editoria do ‘Quem Conta a História’ é o ex-parlamentar, que atuou fortemente no setor do agronegócio, que relata seu ponto de vista sobre o caminho percorrido pelo homem do campo. Com uma longa trajetória de atuação política, ele contribuiu para escrever esta rica história.

Athos relembra que foi aos poucos que o desenvolvimento aconteceu, e muitos fatores foram essenciais para que o município se consolidasse neste setor, como a chegada de pessoas de outras cidades, que trouxeram uma mentalidade diferente ao campo, assim como também a primeira cooperativa instalada no município. Para ele a fundação da Copercampos foi um dos pilares para fomentar o crescimento e melhorar a atividade na região. “Ela foi a primeira cooperativa em Campos Novos, a partir dali os agricultores tiveram uma base para levar os produtos, não precisando mais entregar aos intermediários, que muitas vezes os exploravam. Com a entrega na cooperativa houve um nivelamento, pois a cooperativa pagava um preço justo, isso trouxe um grande avanço. O fundador da Copercampos, Alberto Aleixo Rossi, a esse homem nós devemos muito. Ele foi o primeiro presidente da cooperativa junto com mais lideres, visitando o interior explicando o que era o cooperativismo”, afirmou Athos, que foi presidente da cooperativa em 1975.

Para ele, a Cooperativa não apenas deu base para a formação de outras associações, mas também trouxe a Campos Novos e região tecnologias que mudaram a realidade no campo. As ferramentas tecnológicas aliadas ao conhecimento advindo de pessoas de outras regiões elevaram o patamar da agricultura local. “Nossos terrenos, em termos de características físicas, são ótimos, mas as características químicas são deficientes, precisávamos de calcário, fósforo e de mais nutrientes. Os nossos campos nativos foram sendo lavrados. Os camponovenses e os que vieram de fora começaram a promover esta mudança. Vieram muitas pessoas do Rio Grande de Sul que arrendaram áreas consideráveis e a cooperativa proporcionou aos arrendatários a possibilidade de desenvolvimento entregando insumos, facilitando o financiamento. Nós devemos muito aos gaúchos e aos produtores de Campos Novos, em especial aos cem primeiros que fundaram a Copercampos. Eles entendiam que precisam de um sistema forte para que de fato a agricultura se desenvolvesse”, declarou.

Os avanços alcançados pelo município não foram apenas observados por Athos, pelo contrário, ele foi participativo atuando em diversas frentes e assumindo muitas responsabilidades, entre elas a de prefeito de Campos Novos, de 1993 a 1996. Além disso, ele também assumiu diversos outros cargos, sempre voltados ao setor agrícola. Ele já atuou em Brasilia como diretor da Emater, foi Secretário de Agricultura, presidente da Acaresc, presidente da Epagri e coordenador do Projeto Microbacias. Em todos esses cargos ele se empenhou em contribuir para o crescimento de Campos Novos e região, acrescentando que teve o apoio de muitas pessoas importantes. “Eu nunca trabalhei sozinho. Eu me gabo de ter trabalhado com pessoas melhores do que eu. Os trabalhos sempre foram delegados. Sempre escolhi trabalhar com pessoas capacitadas que podiam colaborar e todos eles me ajudaram a fazer a coisa desenvolver”.

Porém, Athos destaca que todo desenvolvimento deve ser continuo e que o município deve continuar investindo em melhorias. “O que ainda falta?” Sempre precisamos melhorar. Precisamos de mais cursos profissionalizantes. Hoje somos produtores de commodities, mas precisamos agregar mais valor ao nosso produto agrícola. Poderemos transformar o nosso milho em diversos produtos. E também precisamos especializar a mão de obra, que ainda deixa a desejar. A educação é a base do desenvolvimento”, finalizou Athos, um camponovense de coração que se diz orgulhoso dessa história de 140 anos.

*Reportagem publicada no jornal ‘O Celeiro’, Edição 1682 de 24 de Junho de 2021.

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