Apae Campos Novos faz a diferença na vida das pessoas com deficiência
Luiz Augusto Souza fala sobre o início da entidade que abriu as portas do terceiro setor na região, resgatando a dignidade e respeito dos excepcionais.
Impossível falar da história de Campos novos e não destacar as entidades do terceiro setor, que deram ao município um status de inclusão, fato extremamente relevante nos dias de hoje. A Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) Campos Novos foi a pioneira em abraçar a causa das pessoas com deficiências, até então sendo excluídas pela sociedade. O atual Diretor, Luiz Augusto de Souza, gestor da entidade há 11 anos, foi o convidado desta semana para a editoria ‘Quem Conta a História’ e compartilhou com os leitores como se deu a formação da instituição que completou 45 anos de muitas conquistas.
A primeira presidente da Apae foi Ulda Varela. Hoje o pedagogo Luiz Augusto é quem dá continuidade ao trabalho, sendo categórico ao afirmar: “É preciso muito amor para trabalhar”. Filho de agricultor e professor, Luiz teve o apoio dos pais ao sair de casa para estudar. Após formado fez um concurso estadual para trabalhar com educação especial. Aprovado, ele começou seu trabalho na Apae de Campos Novos como professor, e logo em seguida foi conduzido o ao cargo de Diretor, onde adquiriu o respeito dos alunos e colaboradores. Ele relatou algumas das realizações e conquistas, a começar pela inauguração do espaço, história que ele não participou desde a fundação, mas que conhece muito bem.
A Apae iniciou no Rio de Janeiro, em 1954, em virtude da necessidade das pessoas com deficiência, baseada em um modelo que já existia em outros países. As atividades das Apaes se popularizaram e Campos Novos, percebendo os benefícios da entidade, se mobilizou para trazer ao município um espaço para atendimento especializado. O médico Riscala Miguel Fadel foi um dos primeiros a encabeçar o projeto no ano de 1976, sendo também abraçado pelo Lions. “O projeto foi apresentado a comunidade e tivemos um respaldo muito grande pelo Lions de Campos Novos. Eles sabiam das dificuldades que essas famílias tinham ao lidar com essas pessoas. Seria criada uma entidade tocada por voluntários, e o trabalho foi muito bem aceito. Iniciamos no bairro Aparecida, num espaço que não era próprio. Ainda haviam poucos alunos. As coisas foram fluindo. Os familiares entenderam que era importante para os filhos. Com o tempo recebemos a doação de um espaço para a construção de nossa sede. Aos poucos o número de alunos cresceu e o espaço físico também”, contou.
Antes da Apae as pessoas com necessidades especiais ficavam isoladas em casa, recebendo atendimento medicamentoso na maioria das vezes. A condição de distanciamento social e falta de atenção especializada agravava ainda mais a saúde e o comportamento dos especiais. Tanto os deficientes quanto suas famílias sofriam com a falta de apoio. Felizmente a Apae surgiu e mudou a realidade dessas pessoas permitindo que elas pudessem realizar atividades jamais imaginadas pela sociedade. “Alguns eram trancados em salas especiais. Conviver com eles era muito difícil. O que nós oferecemos hoje começa primeiramente com a escola, depois o professor investiga o aluno para conduzir ao melhor tratamento. As famílias sofriam muito e eles não tinham perspectiva de crescimento e melhora. Essas pessoas precisavam de atendimento diferenciado. Nós começamos a dar apoio pedagógico, e também buscamos o reconhecimento e respeito dessas pessoas como seres humanos”, afirmou Luiz. Com todo esforço empregado, essas instituições lutaram por direitos e foram bem sucedidas nessa luta.
Uma das principais conquistas das pessoas com deficiência foi o amparo legal para que elas tivessem melhores condições de vida. O apoio viria não apenas por caridade, mas sim devido a lei. Através do Estatuto das Pessoas com Deficiência, os beneficiados tem direito a educação de qualidade, saúde, atendimentos direcionados, transportes adaptados e o Benefício de Prestação Continuada (BPC), que possibilita uma renda para estas pessoas, mesmo se estes estiverem no mercado de trabalho. Estes avanços foram alcançados devido a luta de pessoas e entidades como a Apae Campos Novos, que hoje é uma referência no estado pela atuação e gestão.
No município, a Apae tem obtido muitos avanços, desde a conquista de uma sede própria até o aumento do espaço físico e mais recursos pedagógicos que são inseridos visando aprimorar a educação dos alunos, fato que os prepara para a vida em comunidade e contribui significativamente para a inclusão. “Hoje nossos alunos alcançaram o mercado de trabalho. Há cerca de 14 anos eles conseguiram trabalhar com todos os direitos garantidos. Tudo aconteceu em virtude do trabalho que é feito na nossa equipe. Alguns constituíram família. Não há dinheiro que pague a oportunidade de participar dessas conquistas. Eu vivenciei tudo isso”, orgulha-se o presidente, que conseguiu junto a equipe colocar o município em destaque no que diz respeito a gestão. “Somos a quinta Apae que mantem uma organização financeira muito boa, com uma boa estrutura, com trabalho de qualidade, mesmo na pandemia não nos acovardamos, trabalhamos bastante”, completou.
Comprometido e participativo, Luiz conta com profissionais que ajudam a entidade a manter um trabalho de qualidade, voltado a valorização das pessoas com deficiência. “Além do amor você precisa conhecer e aprender sobre essas pessoas. Eu não tenho rótulos com os nossos alunos. Eles estão em nossas mãos para aprender. Trouxemos muitos projetos para ajuda-los. Não fazemos nosso trabalho de qualquer forma, nós damos o nosso melhor”, afirma. Porem, Luiz sabe da importância da comunidade diante de toda as realizações. “Temos cerca 130 alunos bem assistidos e 26 colaboradores, mas é comunidade toda que ajuda nosso trabalho.”, reconhece.
São atividades e iniciativas como a da Apae, voltada as minorias, que elevam Campos Novos e demostram sua grandeza no estado. São histórias dentro de outras histórias que se entrelaçam e deixam ainda mais rica a linha do tempo do município. “As pessoas vêm de fora e observam o nosso trabalho. A presidente estadual nos deu grandes elogios. Tem estado que não tem a estrutura que nosso município tem. Muitas pessoas podem aprender conosco”, finaliza o diretor.
*Reportagem publicada no jornal ‘O Celeiro’, Edição 1684 de 08 de Julho de 2021.

