Conhecedor e defensor do cooperativismo, o produtor destaca o sistema como propulsor do desenvolvimento do setor e do município.
Nascer num ambiente rural e manter-se nele por amor nem sempre é fácil. Às vezes os filhos de produtores permanecem na propriedade apenas para cumprir a vontade dos pais. Este não foi o caso de Hilário Cassiano, produtor rural e socio-fundador da Coperacel, que nasceu em uma propriedade rural em Campos Novos, e das terras promissoras fez sua morada e profissão. Sair de Campos Novos só para estudar, aprender e adquirir conhecimento, mas a decisão estava tomada, era aqui que ele queria ficar e ajudar no desenvolvimento do município. Esta semana no Quem Conta a História, Hilário disserta sobre sua trajetória, seu amor pelo campo, a importância do agronegócio para a região e a gigantesca contribuição das cooperativas no desenvolvimento deste setor.
Desde jovem o produtor já sabia o que queria, seu plano era cursar agronomia. Porém, não havia em Campos Novos nenhum curso na área. Portanto, em 1967, Hilário partiu para Curitiba, no Paraná, para aprimorar os estudos, ao todo foram dez anos fora de Santa Catarina, neste ínterim ele não só estudou, mas também se especializou na área do cooperativismo, adquirindo bastante experiência, preparando-se para atuar como agrônomo. “Eu vivi grande parte da minha infância no campo e daí surgiu a vontade e necessidade de buscar mais conhecimento para desenvolver esta atividade, que na época era bastante arcaica. Havia apenas agricultura de subsistência e uma atividade de pecuária menos desenvolvida. Partindo deste princípio eu busquei uma escola de agronomia”, relembra.
Com uma bagagem cheia de conhecimento e vivências, ele retorna para Campos Novos para atuar em uma cooperativa local. Ele poderia criar asas e fazer uma carreira Brasil afora, mas o conselho deixado pelo Padre Quintilho em sua adolescência ecoava em sua mente, e ele se sentia no dever de voltar para casa. “Eu nunca pensei em deixar para trás esta vocação, meu pensamento sempre foi estudar e voltar para trazer meu conhecimento para Campos Novos. Eu me lembro de uma recomendação do Padre Quintilho no colégio: “Filhos meus, vocês que estão aprendendo, nunca esqueçam de repassar este conhecimento aos descendentes de vocês”. Minha disposição era estudar em Curitiba, mas retornar para Campos Novos. Eu estava muito focado no cooperativismo. Eu trabalhei durante esses onze anos no sistema cooperativista no Paraná. Aceitei o desafio de voltar para mostrar o que eu tinha aprendido em termos de conhecimento e aplicar isso no meu município”, conta.
Ao longo dos anos Campos Novos mudou e se transformou. Os demais setores também foram se moldando, crescendo e proporcionado mais qualidade de vida. “Eu lembro de quando não havia nem paralelepípedo na frente da Igreja Matriz. Estavam começando a fazer a movimentação do solo para fazer o calçamento. Hoje, fazendo um paralelo, observamos que nos últimos anos Campos Novos tem crescido. Há cerca de 30 anos o município cresceu e desenvolveu muito”, diz. O que contribui para este progresso? Rapidamente, Hilário atribui o sucesso ao agronegócio, que também evolui de forma impressionante. “O agronegócio foi a mola mestre, a atividade principal para o progresso e o desenvolvimento de Campos Novos. Houve uma evolução muito grande, principalmente na parte de agricultura. A pecuária na época era de subsistência, mas representativa, pois sucedia a exploração da madeira. A agricultura começou mecanizada e de forma incipiente, e com o tempo se desenvolveu e hoje somos referência em termo de conhecimento, tecnologia, produção agropecuária e em produtividade agrícola. Esse avanço veio com as famílias de Campos Novos que investiram no estudo e conhecimento dos filhos. Muitos filhos de produtores saíram de Campos Novos para estudar e depois retornaram, principalmente na área da agropecuária. O progresso que vivenciamos, não desmerecendo os que vieram de fora, mas se deve em grande parte aos camponovenses e seus filhos que estudaram e voltaram para cá”, prosseguiu.
Para Hilário, este progresso no agronegócio não foi da noite para o dia, se deu principalmente devido a formação das cooperativas em Campos Novos. “O município teve dois períodos: o antes e depois das cooperativas. Tivemos o início da Copercampos, que foi a mãe de todas elas. As cooperativas trouxeram melhorias ao produtor em termos de armazenagem, assistência técnica, comercialização de grãos. Com isso houve facilidade para que o simples produtor conseguisse desenvolver a atividade de forma satisfatória e profissional. Não haveria esse desenvolvimento sem as cooperativas. O sistema cooperativista foi a base de sustentação agropecuária do município. Sem elas Campos Novos estaria muito atrasada e carente de progresso e de desenvolvimento”, avaliou.
Por acreditar nesse sistema ele se tornou um dos fundadores da Coperacel, constituído no dia 12 de outubro de 2010. “Sete famílias se uniram para fundar a cooperativa para defender os interesses da nossa produção, que na época era bem mais acanhada. Surgimos com o interesse de participar do progresso e do desenvolvimento do município. Essa infraestrutura traria muitos benefícios para nossos descendentes e para o nosso município”, declarou.
Olhando para trás, o agrônomo e produtor se vê realizado, e acredita que o município ainda tem muito mais para avançar. Como legado ele quer deixar o trabalho e honestidade. “Eu tenho o sentimento de que estou cumprindo minha missão. O conhecimento, o trabalho digno e honesto, não há valor que pague. O exemplo de vida, a busca por conhecimento e a vontade de colaborar e auxiliar no progresso e desenvolvimento das pessoas é fundamental para termos paz. O futuro de Campos Novos é promissor. Tenho certeza que teremos um lugar de destaque quanto ao uso da tecnologia, na produção e qualidade de vida para todas as pessoas”, finaliza Hilário.
*Reportagem publicada no Jornal O Celeiro, edição 1688 de 05 de agosto de 2021.

