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O desconhecido em nós e a PSICANÁLISE

Quando a vida parece não andar, há uma verdade que se apresenta. Uma verdade que muitas vezes nos cega, pois nem sempre estamos preparados para aceitá-la. Essa verdade fala de nós mesmos, nossos impasses e irresoluções. Coisas que deixamos escondidas, talvez medos. Coisas que não compreendemos bem o porquê e que talvez evitamos. Mudanças que gostaríamos de realizar, mas que adiamos pela decisão de sustentá-las.

Por verdade, é que vamos adiamos a nós mesmos para dar conta do viver. E, em alguns momentos, na ilusão de que o tempo tudo resolve, vamos repetindo os mesmos erros, as mesmas palavras e ações sem perceber. Acabamos presos em ciclos com as mesmas causas e efeitos, na esperança de resultados diferentes.

A clínica psicanalítica, é um encontro com estas verdades ocultas da nossa experiência no laço da vida. Um encontro com nossa história e as personagens que fizeram e fazem parte dela, um desvelar de coisas que, talvez, nem sabíamos que ali estavam. É pegar na mão o livro de nossa existência, ler e reler, até compreender o que está inscrito nele. Poder tomar o lápis entre meio os dedos para reescrever e escrever a narrativa, e perceber que nunca é, e nem será, tarde demais para novos capítulos.

Viver é uma constante atualização de nós mesmos, nosso passado, nossas escolhas, verdades e incertezas. Ao reconhecermos os desejos e as vontades que nos guiam, por que e quem está falando dentro de nós, vamos nos apropriando daquilo que nos interrompe. Analisar o que e quem somos, é uma sábia decisão, demanda paciência e coragem, mas, certamente, é uma possibilidade de nos convocarmos à própria metamorfose. Afinal, são nossas linhas, nossas páginas, nossa crônica de vida, e, nela, é que seremos capazes de contar a história que temos o potencial de viver.

Por: Márlon Marcos Milkiewicz – Psicológo CRP 07/36569

*Artigo publicado no jornal ‘O Celeiro’, Edição 1725 de 21 de abril de 2022.

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