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Você sabe o que é sofrimento psicológico?

Não há dúvidas que a velocidade da vida tem deixado muitas pessoas atordoadas, como se estivessem agindo no automático. Muitas vezes não sabemos por que sentimos aquele sofrimento que acaba ficando escondido diante dos afazeres e das urgências que o trabalho, a escola, as cobranças de desempenho, a família e a sociedade podem nos impor.

Cada vez mais estamos impelidos em mostrar eficiência, dar conta de múltiplas tarefas, ser bom pai, mãe, filho, marido, esposa, profissional, amigo, além de cuidar da saúde, da casa, do corpo e da mente, ter isso ou aquilo, ser feliz para mostrar pra todo mundo nas redes sociais. A vida urge com o refinamento do capitalismo e a agilidade tecnológica, exigindo alta capacidade humana em se adaptar às rápidas mudanças e transformar em resultados palpáveis, sem contar os efeitos da pandemia.

Faça, seja, compre, use, lute, sorria, comemore, seja grato, e por aí vai. Somos bombardeados pela ideia de que os objetos e estilos de vida que nos vendem serão responsáveis pela nossa felicidade, e não percebemos que o efeito de “não poder ter” ou “não dar conta”, podem causar insatisfações e sentimentos de uma vida inadequada aos padrões sociais do momento. Influências invisíveis que trazem mal-estar para muitos sujeitos e contamina toda esfera social atual.

A grande questão, é que, nem todo mundo lida com as pressões da mesma forma, muitos acabam por desenvolver sintomas disfuncionais, sejam eles de ordem psicossomática (quando a mente não dá conta das angústias e o corpo acaba pagando) ou psicológica (transtornos de ansiedade e depressão, por exemplo).

Esses sintomas podem se mostrar de inúmeras formas, mas de um modo geral, são os prejuízos que eles acarretam na vida social e no trabalho que nos dizem de um possível problema. Sigmund Freud, pai da teoria psicanalítica, nos dá uma resposta simples, ele diz que uma pessoa que possua capacidade para amar e trabalhar, goza de boa saúde mental. Em resumo, o adoecimento humano é algo normal, e nem tudo o que sentimentos nos torna doentes, algum sofrimento sempre é tolerável. Mas, quando deixamos de funcionar, seja no trabalho ou nas relações, devemos acender um alerta e procurar ajuda.

Uma dose de angústia, ansiedade, medos, receios e recusas sempre estarão presentes na vida do humano, pois são elas que nos defendem dos perigos. Porém, o sofrimento psicológico começa quando esses aspectos normais da vida tomam proporções maiores do que deveriam ter. Passamos a não enfrentar o dia dia com o mesmo ímpeto, são momentos em que assuntos, pessoas, tarefas são evitadas, como nas fobias. A tristeza, a indisposição, desistir de tentar, se isolar, sentir-se incapaz ou sem valor, vão surgindo aos poucos rumo a uma depressão. Ou mesmo as crises nervosas, pensamentos recorrentes de situações ou coisas que podem vir a acontecer, irritabilidade e confusão, se apresentam como nos transtornos de ansiedade.

Estes são apenas alguns exemplos de diversas interrupções que vão acontecendo com o sofrimento mental, nos levando a adoecer com o tempo. Por isso, buscar ajuda é essencial nestes casos, pois nem sempre as pessoas conseguem voltar às suas atividades por conta própria. O psicólogo é um profissional capaz de auxiliar no tratamento do sofrimento psicológico, buscando através da análise, reconectar o paciente consigo mesmo, para que ele possa reconhecer e se reconhecer dentro do seu sofrimento. E, ir além, podendo encontrar uma trajetória mais saudável com as próprias ferramentas internas, sendo feliz a seu jeito, firmando-se como o sujeito que tem potencial em ser.

*Artigo publicado no Jornal ‘O Celeiro’, Edição 1728 de 12 de maio de 2022.

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