Tem um ditado no futebol que diz o seguinte: se concentração ganhasse jogo, o time da penitenciária seria campeão invicto. Evidente que estamos falando de uma analogia, uma brincadeira, sem nenhuma eficácia comprovada e tampouco, há um estudo científico por trás desta afirmação. Porém, existe algo muito mais fidedigno, capaz de definir o ganhador de um jogo, neste caso, mais precisamente, de uma corrida eleitoral, que são as pesquisas de intenção de voto. E se no futebol, ninguém quer entrar para perder, nas eleições isso não é diferente. Jogadores e torcedores, políticos e eleitores, todos querem sair vitoriosos, e salvo algumas exceções, escolhem o mais forte para torcer / votar.
Fato é, que os eleitores que decidiram “virar a casaca” com medo de perder o voto, após a divulgação das pesquisas eleitorais, se frustraram frontalmente. Como veremos na matéria especial das eleições, as pesquisas de intenção de voto extrapolaram as margens de erros e divergiram consideravelmente com o resultado das urnas, seja para o senado, governo ou presidência.
Mas, deixamos de lado por ora este assunto e vamos voltar à analogia entre o esporte e política, porque se tem algo em comum entre os dois personagens que protagonizaram a eleição mais polarizada da história deste país, é o amor pelo futebol. E ambos, vira e mexe, fazem questão de usar uma metáfora futebolística para ilustrar alguma importante situação. Como agora, por exemplo, logo após o encerramento do primeiro turno, o Corintiano Lula disse: “Eu quero dizer para vocês que nós vamos ganhar essas eleições. Isso para nós é apenas uma prorrogação”. Enquanto isso, o candidato Bolsonaro, torcedor fanático do Palmeiras, usa com frequência o termo “segundo tempo”, ao se referir a sua campanha política durante o segundo turno das eleições.
E é neste clima de “Derby”, entre Lula x Bolsonaro, que o país viverá até o dia 30 deste mês. Apesar do Petista ter saído na frente, no segundo tempo ou na prorrogação, tudo pode acontecer. Outro fator a favor de Lula é o histórico dos confrontos na disputa presidencial, nunca um candidato que chegou atrás no primeiro turno conseguiu virar a eleição no período do segundo turno, por outro lado, Bolsonaro não cansa de repetir que nunca perdeu uma eleição.
Pois bem. O jogo continua aberto, sem favoritismo para nenhum dos lados, contudo, a tendência é que essa disputa acabe nas cobranças de pênaltis, voto a voto, decidida nos detalhes. Eu, prefiro não apostar em ninguém, pois só podemos cravar o vencedor após o apito final.
Por: Orli Ricardo, Jornalista
*Editorial publicado no Jornal O Celeiro, Edição 1749 de 06 de outubro de 2022.

