Para o cidadão camponovense que gosta do esporte, e especialmente para àqueles que amam o futebol, estes anos de portões fechados do lendário Estádio do Pinheirão, passaram de maneira lenta e dolorosa. Sobretudo para os moradores do Bairro Aparecida, acostumados com o barulho da bola, com o grito de gol, com o vibrar da torcida; aos poucos viram as demarcações sumirem, as estruturas deteriorarem, o mato tomar conta num processo lento, angustiante e silencioso.
Quantas finais acirradas deixamos de assistir, quantas jogadas de classe deixaram de nos encantar, quantos talentos deixamos de revelar. O tempo perdido, ficou no passado, não temos como recuperar, mas podemos construir um futuro promissor.
Contudo, antes de falar do futuro, sejamos justos, não podemos deixar de fazer uma menção honrosa à Família Castanhel que tão bem cuidou por anos do “Xodó” do Bairro Aparecida. Um local que as famílias se sentiam em casa, criaram uma identidade, aprenderam a amar e lutar pela sua existência.
Não sou contra o progresso, aos grandes projetos, ao desenvolvimento, porém o que as pessoas contrárias ao fim do Estádio do Pinheirão estavam clamando e suplicando que fossem compreendidas, não era de caráter pessoal ou político, e sim porque para elas, aquele local tem alma e sempre representou muito mais do que um campo de futebol.
Felizmente o Pinheirão ganhou uma sobrevida. Que alegria ver as crianças naquele ambiente correndo atrás de uma bola, brincando, caindo, levantando, se divertindo como crianças. Nossos pequenos personificam o renascimento do Pinheirão.
Que a população camponovense possa desfrutar desta nova chance, que as novas gerações aproveitem a oportunidade de beber da mesma fonte de tantos talentos que por ali desfilaram. Que o Pinheirão possa também contribuir com a formação de grandes cidadãos, com caráter, capacidade de vencer com muito amor pelo esporte.
Por: Orli Ricardo – Jornalista
*Editorial publicado no Jornal ‘O Celeiro’, Edição 1771 de 23 de março de 2023.

