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Covarde e Abominável!

O Estádio do Beira Rio, em Porto Alegre, foi o cenário de uma cena que rodou o mundo e chocou a humanidade. Motivado por uma briga generalizada entre jogadores do Internacional e Caxias, um torcedor colorado invadiu o gramado com a própria filha no colo e partiu para cima dos atletas adversários, os atacando com pontapés.

O meliante, que horas depois do episódio já havia sido identificado, responderá a um inquérito por invasão de campo e lesão corporal, e outro por expor a criança a uma situação de risco.

O comportamento execrável deste covarde me causa repulsa só em lembrar da cena do metido a valentão, usando a própria filha como escudo.

E tudo começa pelo fiasco moral do próprio time do Inter em não aceitar a derrota. Grande parte da torcida colorada fez o papel dela, apoiou os 90 minutos, provocou o adversário, tentou desestabilizar os batedores de pênaltis do Caxias, mas mesmo assim, o time da Serra Gaúcha foi mais eficiente, conquistando a classificação em pleno Beira Rio.

– “Ah mas o jogador do Caxias não deveria ter comemorado daquela forma provocativa!”, tenta contemporizar o torcedor fanático. Mas, pera lá, então por que a torcida tem o direito de vaiá-lo, xingá-lo e ameaçá-lo? Alguém que vence um jogo deve abaixar a cabeça e pedir desculpas por ter alcançado tal êxito?

Apesar de discordar frontalmente com o pensamento desse tipo de torcedor, o que mais me causa preocupação é ver colegas da imprensa, jornalistas, pessoas públicas sendo condescendentes, contemporizando o ato, e achando que o homem não cometeu um dolo premeditado, ao usar a própria filha como escudo, colocando em risco a vida de um ser indefeso de apenas 3 anos de idade, por causa de um resultado de jogo. Isso é repugnante, é o absurdo do absurdo.

Quem é pai, quem é pai de criança pequena (a redundância se faz necessária), quem é pai de menina, tenho certeza que entende a minha indignação. Eu, sou pai de uma menina também de 3 anos, e faria e faço de tudo pela segurança dela, bem ao contrário desse sujeito que não merece o título de Pai.

E, por fim, a discussão não é o banimento dele no estádio, a justiça precisa definir quanto tempo esse irresponsável vai ficar atrás das grades ou, no mínimo, internado numa clínica psiquiátrica. Ele não tem a menor condição em viver livre em sociedade.

Que a justiça atue de forma exemplar nos casos de todos os envolvidos e, que principalmente, deem todo o suporte à criança, a maior vítima de toda essa história envolvendo um mero jogo de futebol.

Por: Orli Ricardo – Jornalista

*Editorial publicado no Jornal O Celeiro, Edição: 1772 de 30 de março de 2023.

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