O sentimento de impunidade deve promover uma das sensações mais revoltantes que o ser humano pode ter. Saber conviver com a injustiça é uma tarefa das mais difíceis e ninguém está livre de um dia passar por isso. Nem todo mundo tem sangue frio, o suficiente, para simplesmente superar uma perda ou um dolo do passado e tocar em frente a sua vida como se nada tivesse acontecido. Muitas vezes, as pessoas, diante da sensação de impotência, decidem não aguardar pela justiça dos homens e tampouco a de Deus, e se permitem a dar o troco com a mesma moeda. E você, sabe me dizer qual seria a sua reação?
O ataque ocorrido na creche em Blumenau trouxe à tona faces distintas de pessoas que estavam vivendo o dia de maior sofrimento de suas vidas. Por meio das redes sociais, dois vídeos com depoimentos de familiares das vítimas viralizaram e ganharam repercussão nacional. Um deles, de um pai que acabava de receber a notícia do falecimento do filho e que mesmo no calor do momento, concedia publicamente perdão ao autor do crime.
Sinceramente não consigo reverenciar a “maturidade” de um pai que acaba de perder um filho, um anjo, com toda a vida pela frente. Haja vista que, não foi um acidente, algo inevitável, não! O assassino que tirou a vida de quatro crianças indefesas já tinha uma extensa ficha criminal, era usuário de drogas, um sujeito que optou por seguir no mundo do crime e nem deveria estar convivendo em sociedade.
É no mínimo estranho ver a complacência desse pai, na medida que acompanhamos o desabafo sanguíneo da madrinha de uma das crianças mortas. Esta senhora, chamada Lidiane, demonstrou a indignação de milhares de pais e mães que num dia presenciam seus filhos sendo mortos e no outro assistem os criminosos saindo pela porta da frente da delegacia.
“O que eu quero é justiça, eu quero cobrar do governo, prefeito, governador, presidente, eu quero segurança para o nosso país, roubar todo mundo rouba, mas eu quero justiça. Esse tipo de gente é para ficar na cadeia, pena de morte e prisão perpétua deveria existir aqui no Brasil, porque um crime como esse não precisa de prova para mostrar quem é o culpado, ele é o culpado. A pessoa que entrou na creche e fez isso é culpada e não dá margem para provar nada, tem mais que provas suficientes para este cara ficar preso com prisão perpétua ou pena de morte. É por isso que o nosso país não funciona, por não haver justiça. Vai ficar preso dez anos ou 15 anos? Aí ele sai e faz mais vítimas? O nosso país tem um monte de lei, mas precisa de aplicabilidade em penas mais severas na questão de assassinato, não haverá dúvida nos autos de qual bandido cometeu estes crimes. Isso é revoltante e o nosso país precisa de segurança”, esbravejou a madrinha.
Até quando o crime vai compensar no Brasil? Até quando vamos enxugar gelo, passar a mão na cabeça de bandido, ver os valores se inverterem, tratar criminosos como pobres reféns da sociedade? Já passou da hora de enrijecer as nossas leis penais e fazer doer na alma de vagabundo sem escrúpulos o peso de um crime hediondo, sobretudo envolvendo criança.
Por: Orli Ricardo – Jornalista
*Editorial publicado no Jornal O Celeiro, Edição 1774 de 13 de abril de 2023.

