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Nunca é tarde para começar

Nunca foi tão comum encontrar jovens abalados emocionalmente, desgostosos da vida e, por consequência, desistindo prematuramente dos seus sonhos. Eu tenho uma frase que carrego comigo há anos, que diz: não é legal desistir, mas o que dizer de quem nunca tentou?

Muitas pessoas carregam consigo uma carga nociva nos ombros, acumulada pelos traumas, decepções, frustrações e até mesmo agressões sofridas no passado. Estas feridas, quando mal curadas, se mantém abertas ao longo do tempo e impedem que a pessoa prospere e alcance um novo nível de vida.

Independente de quanto tempo passou, é preciso se permitir a tentar, se livrar destas dores que lhe prendem neste passado obscuro. E neste sentido, um dos grandes exemplos que tivemos a oportunidade de conhecer, foi a da Palmirinha Onofre, a Vovó Palmirinha, que nos deixou no último domingo.

É difícil existir unanimidade na TV brasileira, mas desconheço alguma pessoa que não gostasse da Palmirinha. Se como artista ela não foi considerada uma Super Star, como pessoa, ela foi um grande exemplo de luta e superação.

A história da “Vovó do Brasil”, nascida em 1931, foi marcada por episódios de desprezo e violência. Com apenas 6 anos de idade, deixou a casa dos pais após desentendimentos com sua mãe e foi morar com uma francesa. Foi lá que ela aprendeu muito sobre culinária. Anos depois, precisou voltar para casa após a morte do pai, mas aos 16 anos, sua mãe a vendeu para um fazendeiro, mas ela conseguiu fugir. Aos 19 anos, a jovem se casou para poder sair de casa. Infelizmente, ela viveu um relacionamento abusivo, apanhava do marido, uma realidade que durou quase 20 anos.

Todo o mal que lhe causaram até aquele determinado momento da sua vida, nunca serviu de muleta para ela desistir. Palmirinha praticamente criou as três filhas sozinha, e vendendo salgadinhos conseguiu pagar a faculdade para as três.

Por sempre transparecer uma pessoa feliz e realizada, Palmirinha fez muitos amigos e conquistou muitos clientes, alguns deles famosos, que consumiam seus produtos culinários.

E em 1994, aos 63 anos, estreou na Televisão.

Palmirinha apareceu em uma reportagem do programa comandado por Silvia Popovic, na Band. Lá, chamou a atenção de Ana Maria Braga, que a convidou para uma participação no “Note e Anote”, da Record. Mais tarde foi chamada para trabalhar na TV Gazeta, sua casa por 11 anos. Ainda conduziria o programa que carregava o seu nome no canal Bem Simples/Fox Life, vindo a deixar a TV em 2019, como jurada do reality “Chef ao Pé do Ouvido”.

Sim, uma das figuras mais amadas da TV brasileira iniciou a sua carreira artística aos 63 anos de idade. E você, o que está esperando para arregaçar as mangas e viver novas experiências, ir em busca de seus sonhos? Faça valer cada batida do seu coração, aproveite a vida, nunca é tarde para começar!

Por: Orli Ricardo – Jornalista

*Editorial publicado no Jornal O Celeiro, Edição 1778 de 11 de maio de 2023.

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