Estima-se que a população mundial chegou aos 8 bilhões no final do ano passado. E se for parar para pensar, não existe no mundo, nesta infinidade de gente, alguém que seja igual a você. Vai existir pessoas parecidas fisicamente, traços de rosto, gostos parecidos, humor compatível, mas nenhuma pessoa terá o seu código genético, o que garante que você é um ser único no planeta.
Por isso, e por tantos outros motivos, nunca me senti confortável a aplicar rótulos nas pessoas e, tampouco aceitar ser qualificado como se fosse um produto feito em grande escala. Quer me deixar irritado, venha com o papo dizendo: você é do signo tal, portanto você é assim, assim, assado… não faça isso!
Todos nós temos a condição de sermos arquitetos da nossa própria trajetória, assumir riscos, nos desafiar, quebrar paradigmas e sermos vencedores.
“Seja você quem for, seja qual for a posição social que você tenha na vida, a mais alta ou a mais baixa, tenha sempre como meta muita força, muita determinação e sempre faça tudo com muito amor e com muita fé em Deus, que um dia você chega lá. De alguma maneira você chega lá”
Esta frase citada acima, dá o embasamento ao meu modo de pensar e entender como as pessoas se tornam destaque no ambiente onde atuam. Estas palavras não são minhas, são de Ayrton Senna, talvez o último grande ídolo que já tivemos e o maior exemplo que eu conheço, de um campeão que se fez por si só.
Desde o início da carreira, Senna mostrou que não queria ser um piloto comum, medíocre, que fosse apenas mais um no automobilismo. Ele tinha a ambição de ser o melhor, e assim, considerado por muitos, chegou ao patamar do maior de todos os tempos. Mas, para que isso acontecesse, ele precisou tapar os ouvidos para as críticas, ignorar os negacionistas, e trabalhar em prol do seu objetivo.
Em 1988, Ayrton Senna é contratado pela equipe McLaren para se juntar ao bicampeão mundial Alain Prost. Senna seria o piloto número 2 e deixaria todos os holofotes para Prost, mas na primeira oportunidade que Senna teve, ele colocou seu carro lado a lado com Prost para conquistar a vitória naquela corrida, o campeonato daquele ano, alcançar o recorde de vitórias, de poles e se tornar Tri Campeão Mundial de Fórmula 1. Ídolo da sua nação e ídolo mundial e o número 1 da categoria.
Logo após a morte de Senna, Rubens Barrichello apareceu como o seu mais provável sucessor. Mesmo em carros não tão competitivos fez boas corridas e chegou à Ferrari. Lá, existia Michael Schumacher. Com o principal carro da categoria nas mãos, Rubinho teve a oportunidade de escrever o seu nome na história, dar orgulho à toda nação brasileira, mas quando essa oportunidade chegou, depois de uma corrida de recuperação, na chuva, em que se arriscou com várias ultrapassagens, simplesmente freou para o alemão ganhar a glória de vencedor.
Moral da história. A oportunidade para você mudar o rumo da sua vida, se tornar um campeão, não vai aparecer todos os dias, mas quando isso acontecer, você não pode ter medo de bater no peito e assumir a responsabilidade, a não ser que você queira frear, e nunca sair de onde você está!
Por: Orli Ricardo – Jornalista
*Editorial publicado no Jornal O Celeiro, Edição, 1779 de 18 de maio de 2023.

