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Faltou a mente campeã

Impressionante quanto o emocional interfere na produtividade do ser humano, o desempenho do indivíduo passa muitas vezes por esta condição, o quanto ele entrega ou deixa de entregar está condicionado àquela chavinha que todos nós temos.

E quando o assunto é o esporte, esse estado comportamental fica ainda mais nítido.
Embora, muito menos badalada que a competição masculina, a Copa do Mundo Feminina da FIFA teve um espaço midiático sem precedentes no Brasil, com cobertura in loco e transmissão ao vivo de todas as partidas. Milhões de brasileiros pararam suas atividades para acompanharem os jogos das nossas meninas, mandaram aquela energia positiva, um apoio incondicional, nunca visto antes.

Fora de campo, o apoio também veio, no ciclo dos quatro anos, o que se viu foram as cobranças das jogadoras ganharem uma resposta, com uma liga brasileira forte, uma condição de trabalho muito melhor, clubes mais estruturados, com maiores investimentos, melhoria na premiação e campeonatos transmitidos nas principais emissoras do país.

Nestas condições a seleção brasileira chega à Copa cheia de expectativa, falando em título, com jogadoras protagonistas nas principais ligas do mundo, mas o sonho do primeiro título mundial mais uma vez ficaria pelo caminho. E o que explica, com todos estes elementos, esse desempenho da seleção, não passando sequer da fase de grupos? Talvez, e o mais provável, é que esteja ligado ao estado emocional.

As meninas do Brasil se apresentaram muito bem fisicamente e tecnicamente, mas era nítido o desequilíbrio emocional das nossas jogadoras. Na partida contra a França, por exemplo, o medo estava estampado no rosto de cada uma delas, é fato que estavam enfrentando uma das principais forças da competição, mas a falta de confiança facilitou a vida das adversárias que passearam no primeiro tempo. Na etapa complementar, já com a cabeça no lugar, as brasileiras jogaram bola, mas mesmo assim acabaram perderam a partida e comprometendo o futuro na competição.

Com a derrota, o último jogo da fase de grupos era decisivo, era ganhar ou ganhar, e mais uma vez a seleção não soube lidar com a pressão, não saíram de um 0 a 0 com a Jamaica, seleção de pouca expressão no cenário mundial, o que culminou na volta mais cedo para casa.

Não estou aqui massacrando a seleção e tampouco estou aqui dizendo que o futebol feminino no Brasil está mil maravilhas, ainda tem muito o que melhorar, mas o próximo ciclo de Copa do Mundo passa por uma atenção especial ao psicológico destas meninas. Afinal, no esporte e na vida, corpo e mente devem estar em perfeito entrosamento para as coisas darem certo.

Por: Orli Ricardo – Jornalista

*Editorial publicado no Jornal O Celeiro, Edição 1790 de 03 de agosto de 2023.

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