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O Inverno e a Economia Catarinense

Vorlei Cruz: Personal Financeiro, Pós-Graduado em Planejamento Financeiro Familiar, MBA em Gestão Financeira e Controladoria, Especialização em Planejamento Estratégico Empresarial, MBA em Business Coach e Corretor de Seguros

Consultor Financeiro, fala sobre como o Frio Impacta o Bolso das Famílias em Campos Novos.

Com a chegada do inverno, as temperaturas em Campos Novos e em todo o estado de Santa Catarina caem drasticamente, e com elas, surgem preocupações sobre os impactos econômicos dessa estação no orçamento familiar.

Mais do que apenas tirar casacos do armário, o frio intenso movimenta a economia de formas complexas, afetando desde as contas de casa até o preço dos alimentos.

PRESSÃO NO ORÇAMENTO DOMÉSTICO: AQUECIMENTO EM FOCO

Não é segredo que as temperaturas negativas pressionam os orçamentos das famílias catarinenses.

A necessidade de aquecimento se torna primordial, elevando o consumo de energia elétrica, gás e, em algumas áreas rurais, a demanda por lenha.

Dados da Celesc, por exemplo, já mostraram picos de consumo em períodos de temperaturas extremas, e a SCGÁS registrou um aumento de 10,64% no consumo residencial de gás natural em novembro do ano passado, sinalizando essa busca por aquecimento.

A recente ativação da bandeira tarifária amarela, que adiciona R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos, também reflete um custo maior para o consumidor.

Em alguns casos, a conta de gás de cozinha pode subir até 80% no inverno, um peso e tanto no bolso.

INFLAÇÃO INVISÍVEL: ROUPAS, COBERTORES E MEDICAMENTOS MAIS CAROS

Além da energia, o frio impulsiona a demanda por produtos essenciais para enfrentar as baixas temperaturas. Aquecedores, cobertores, edredons e roupas de inverno tendem a ter seus preços elevados em média de 5% a 15% devido à maior procura. Essa “inflação do frio” também se estende à área da saúde.

É comum observar o encarecimento de medicamentos, especialmente aqueles voltados para o tratamento de doenças respiratórias, como gripes e resfriados.

O reajuste anual permitido em 2025 foi de 3,83%, mas a alta demanda pode gerar variações ainda maiores no varejo. Medicamentos para sintomas de resfriado e gripe, como analgésicos e descongestionantes, são os mais procurados e, consequentemente, os que mais podem sofrer aumentos.

O FRIO E A VULNERABILIDADE SOCIAL

A população em situação de vulnerabilidade social é a mais impactada.

Para essas famílias, as temperaturas mínimas, que em Florianópolis já atingiram 0,84°C, representam um risco real de hipotermia e agravamento de doenças.

Muitos não têm acesso a abrigos adequados, roupas quentes ou alimentação nutritiva.

Além da saúde, o frio intenso pode dificultar a subsistência de trabalhadores informais, impactando diretamente a renda e a capacidade de adquirir itens básicos para se proteger.

ESTRATÉGIAS PARA MITIGAR OS IMPACTOS FINANCEIROS

Para famílias de baixa renda, algumas medidas emergenciais podem fazer a diferença:

  • Tarifa Social de Energia Elétrica: É fundamental buscar informações e se cadastrar no programa. A partir de julho de 2025, a ANEEL ampliou a tarifa social, garantindo isenção para até 80 kWh mensais para os beneficiários, um alívio significativo na conta de luz.
  • Otimização do Aquecimento: Priorizar o uso de cobertores extras e roupas quentes para reduzir a dependência de aquecedores elétricos. Vedar frestas em portas e janelas com panos ou fitas adesivas também ajuda a reter o calor.
  • Alimentação Estratégica: Priorizar alimentos calóricos e nutritivos, como sopas e caldos, que fornecem energia e aquecem o corpo, e podem ser mais econômicos quando preparados em maior quantidade.
  • Cuidado com a Saúde Preventivo: Buscar atendimento médico em postos de saúde ao primeiro sinal de doença respiratória para evitar agravamentos e gastos maiores com tratamentos.

DICAS DE ECONOMIA E AQUECIMENTO ACESSÍVEL

Para todos os bolsos, algumas dicas práticas podem reduzir o consumo:

  • Aproveite o Sol: Abra cortinas e persianas durante o dia para aproveitar o calor natural do sol. À noite, feche-as para reter o calor.
  • Chuveiro Consciente: Reduza o tempo no banho e, se possível, use a temperatura morna ou “verão”.
  • Desligue Eletrônicos: Tire da tomada aparelhos em stand-by, que continuam consumindo energia.
  • Manutenção de Equipamentos: Mantenha filtros de aquecedores e secadoras limpos para melhorar a eficiência.

SETORES ECONÔMICOS SOB O FRIO

O inverno rigoroso afeta diferentes setores da economia catarinense. Na agricultura, embora algumas culturas, como a maçã, sejam beneficiadas pelo frio, outras podem sofrer perdas significativas com geadas.

A pecuária também exige mais cuidados e alimentação para os animais, elevando os custos de produção. A construção civil pode ter seu ritmo reduzido ou obras paralisadas.

No comércio local, há um comportamento misto. Lojas de roupas de inverno, farmácias (devido à busca por medicamentos) e eletrodomésticos (aquecedores) registram aquecimento nas vendas. Por outro lado, setores como sorveterias e lojas de produtos de verão enfrentam retração. Não há um percentual único, mas o frio claramente redistribui o consumo.

O inverno em Campos Novos e em Santa Catarina é um período que exige atenção e adaptação, tanto das famílias quanto dos setores econômicos. Compreender esses impactos é o primeiro passo para enfrentá-los de forma mais eficaz e garantir o bem-estar da população.

*Reportagem publicada no Jornal O Celeiro, Edição 1888 de 24 de julho de 2025.

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