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O sabor do Japão que invadiu Campos Novos

Fernando Hatano conta sua trajetória e como a culinária japonesa ganhou espaço na cidade.

Fernando Hatano

Em uma entrevista exclusiva ao jornal O Celeiro, o empresário que trouxe a culinária japonesa para Campos Novos contou a história de sua trajetória, desde a infância até o desenvolvimento de seu restaurante, Minamirô, e compartilhou como o mercado gastronômico da cidade evoluiu ao longo dos anos.

Natural de Capão do Leão, no Rio Grande do Sul, Fernando Hatano, cresceu em uma família com raízes japonesas.

“Meu pai veio do Japão jovem, conheceu minha mãe e se estabeleceu como agricultor por lá”, relata.

A conexão com a cultura japonesa se fortaleceu durante os cinco anos em que viveu no Japão, entre 1989 e 1994, onde trabalhou com um futuro dono de restaurante japonês em Porto Alegre, experiência que mais tarde o levaria a se aprofundar na culinária japonesa.

De volta ao Brasil, iniciou sua carreira em Porto Alegre, atuando na área de alimentos e bebidas em hotéis e estabelecimentos gastronômicos, período em que teve seu primeiro contato com o sushi.

Alguns anos depois, em 2010, foi convidado por um conhecido de Curitibanos para se tornar sócio em um projeto de expansão de restaurante. Ele conheceu o projeto e a cidade, e a mudança definitiva para Campos Novos aconteceu em fevereiro de 2011. Inicialmente, a ideia era ficar apenas um ano, mas a oportunidade se consolidou.

Durante nove anos, trabalhou no último andar do Hotel Bebber, com o Restaurante Hikari, enfrentando desafios de crescimento e atendimento. Apesar do sucesso, a localização dificultava o acesso e o fluxo de clientes.

“Mesmo com atendimento de qualidade, percebemos que, sendo a nível da rua, seria mais acessível e aumentaria o fluxo de pessoas”, explica. Durante esse período, a operação enfrentava altos e baixos, com alguns anos de crescimento e outros de retração, o que exigia ajustes constantes.

A sociedade com Gerson Suzuki foi fundamental para entender os processos. A expectativa era de transformar a marca em uma rede, o acabou não sendo realizado.

O tempo passou, e Fernando decidiu seguir sozinho com seu restaurante, agora em novo local, com nome de Minami.

Quando chegou a Campos Novos, o empresário já trouxe consigo a experiência com festivais de sushi e implementou mudanças graduais no cardápio. Inicialmente, oferecia sushi apenas às quartas e sábados e realizava festivais frequentes, atraindo clientes curiosos e já familiarizados com a culinária japonesa.

Ao longo do tempo, expandiu a oferta, oferecendo sushi de terça a sábado e realizando um festival por mês. “Fazíamos três por mês no início, mas com o aumento da oferta de outros locais, optamos por um por mês”, explica.

DESENVOLVIMENTO

No cardápio, a preferência dos clientes por pratos de carne se destacou, enquanto frutos do mar passaram a ser servidos de forma mais esporádica, acompanhando a demanda local. O peixe, em diversas preparações frito, grelhado, assado ou em moqueca, se tornou presença constante, assim como massas, polenta e carnes vermelhas, atendendo à diversidade de paladares.

A logística de insumos também evoluiu ao longo dos anos. No início, era necessário buscar ingredientes como o salmão em Curitiba, mas hoje há quatro empresas realizando rotas regulares do litoral para o Oeste, facilitando a operação.

Ainda assim, o setor continua sensível à variação cambial, especialmente pelos produtos importados. “Hoje temos acesso mais fácil, mas ainda lidamos com oscilações do câmbio, o que influencia diretamente o custo dos produtos”, comenta.

O empresário também percebeu mudanças significativas no perfil do público de Campos Novos.

“Quando chegamos, quase todos eram adultos. Hoje, temos adolescentes e crianças a partir de quatro, cinco anos que já comem sushi e gostam. Isso mostra que o mercado continua crescendo”, observa.

DIAS ATUAIS

Ele enfatiza que a concorrência na cidade é saudável, e que cada restaurante se posiciona de maneira diferente, oferecendo produtos distintos e permitindo que os clientes escolham conforme suas preferências.

A evolução do setor de gastronomia em Campos Novos chamou atenção do empresário. Ele nota que os restaurantes locais elevaram a qualidade e a variedade de suas ofertas, impulsionados também pela presença de empresas e profissionais de outras regiões, que trazem expectativas de gastronomia diferenciada.

“É gratificante ver que outros estabelecimentos se dedicam em buscar referências e aperfeiçoamento”, comenta.

Recentemente, o restaurante passou por mudanças em sua marca. Após contestação no INPI, o nome foi alterado para Minamirô, com nova identidade visual em azul índigo e dourado-oliva, deixando de lado os tons tradicionais de laranja, preto e vermelho associados à culinária japonesa. Ele destaca o trabalho da equipe responsável pela reestilização: “A agência Reação  fez um trabalho sensacional, queria deixar registrado que são fantásticas”.

A essência que o empresário busca transmitir no restaurante é confiança. “Acredito que as pessoas confiam no que oferecemos. Não somos necessariamente os de menor preço, mas conseguimos passar uma noção de valor. O cliente percebe a atenção aos detalhes, a qualidade e o cuidado em cada prato, e isso é valorizado”, explica.

Ele reforça que, para o mercado gastronômico, o preço não é o fator mais importante, mas sim a experiência, o ambiente, o cardápio e o serviço.

Sobre o futuro, ele mantém uma visão otimista. Acredita no crescimento contínuo de Campos Novos e no desenvolvimento da gastronomia local, com espaço para novos empreendimentos e diversificação de ofertas. Ele observa que, nos últimos cinco anos, o mercado de delivery se expandiu significativamente, incluindo serviços em horários antes inexistentes, como às segundas-feiras.

“Hoje, a cidade oferece mais opções e horários flexíveis. Essa evolução é irreversível e beneficia tanto clientes quanto empresários”, afirma.

A trajetória do empresário, marcada por desafios, adaptações e aprendizado constante, reflete o crescimento do setor gastronômico de Campos Novos. Com dedicação, atenção aos detalhes e compreensão do público, ele contribuiu para consolidar a culinária japonesa na cidade e, ao mesmo tempo, acompanha o desenvolvimento da gastronomia local de forma orgânica e sustentável.

*Reportabem publicada no Jornal O Celeiro, Edição 1892 de 21 de agosto de 2025.

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