Projeto de arborismo na cidade não passa despercebido aos olhos, mas demanda de atualização.
O Jornal O Celeiro conversou com Rambo, que relembra os detalhes da ação, os objetivos do projeto e o impacto ao longo das décadas.
Luiz Fernando Rambo integrou o Rotaract Clube por aproximadamente 10 a 12 anos, período em que o grupo reunia entre 30 e 40 jovens envolvidos em ações comunitárias.
Durante esse tempo, ele ocupou a presidência do clube em três ocasiões. Foi justamente em seu último mandato, em 1985, que surgiu a ideia de promover uma arborização urbana em Campos Novos, voltada especialmente ao embelezamento da cidade por meio do plantio de árvores ornamentais.
Segundo ele, até então o município não havia desenvolvido nenhuma ação estruturada nesse sentido. A proposta foi apresentada ao Rotaract, aceita pelos membros e transformada em projeto. Na sequência, o grupo buscou uma parceria com o poder público municipal, levando a iniciativa ao Paço Municipal. Após reuniões e tratativas, a parceria entre o Rotaract Clube e a Prefeitura de Campos Novos foi.
O projeto previa o plantio de mudas de extremosa, árvore ornamental conhecida pela floração e pela característica de ter poucas folhas. O trabalho se estendeu por cerca de um ano e resultou no plantio de aproximadamente 300 mudas, distribuídas em quatro ruas do centro da cidade: Marechal Deodoro, Nereu Ramos, Coronel Lucidoro e Duque de Caxias.
A execução contou com trabalho voluntário dos integrantes do Rotaract. Nos fins de semana, especialmente aos sábados e domingos, os jovens percorriam as residências para conversar com os moradores, explicar o projeto e solicitar autorização para o plantio das mudas em frente aos imóveis.
Além disso, os proprietários eram convidados a “adotar” as árvores, comprometendo-se a auxiliar nos cuidados básicos, como rega e manutenção.
Também fazia parte da ação a medição dos espaços adequados para o plantio, respeitando um distanciamento médio de cinco a seis metros entre as mudas. A Prefeitura Municipal colaborou com a disponibilização de dois funcionários, responsáveis pela abertura dos locais onde as árvores foram plantadas.
De acordo com Luiz Fernando Rambo, a proposta inicial ia além daquela primeira etapa. A ideia era que, com o passar dos anos, tanto o Rotaract quanto o poder público dessem continuidade ao projeto, ampliando a arborização para outras regiões da cidade. No entanto, isso não ocorreu. Com o tempo, muitas mudas foram perdidas em razão de quebras, vandalismo e falta de reposição.
Ele destaca que caberia ao município, por meio do Horto Municipal, realizar o replantio das árvores danificadas ou arrancadas, o que, segundo ele, não aconteceu. Atualmente, estima-se que restem entre 20 e 30 extremosas daquele plantio inicial. Ainda assim, Rambo afirma sentir satisfação ao ver que parte do projeto permanece viva mais de quatro décadas depois.
O ex-presidente do Rotaract avalia que, se a iniciativa tivesse sido mantida ao longo dos anos, o centro de Campos Novos poderia apresentar hoje uma paisagem urbana significativamente diferente, com maior arborização, sombra e valorização estética.
Luiz Fernando Rambo explica que sua participação no Rotaract se encerrou naturalmente ao atingir a idade limite do clube, por volta dos 28 a 30 anos. Após esse período, seguiu outros caminhos, incluindo a atuação política. Ele relembra que, na década de 1990, quando exerceu mandato como vereador, foi autor de legislações voltadas à organização urbana, como a exigência de calçadas e a previsão de espaços para o plantio de árvores em novas edificações, sejam elas frutíferas ou nativas.
Segundo ele, embora a lei exista, a aplicação efetiva nem sempre ocorre.
Ao refletir sobre o projeto de 1985, Luiz Fernando Rambo avalia que ainda há tempo para retomar iniciativas semelhantes. Para ele, tanto o Rotaract quanto o Rotary, em parceria com o poder público, poderiam novamente promover ações de arborização, contribuindo para o embelezamento da cidade, a oferta de sombra e o fortalecimento da consciência ecológica, especialmente entre os jovens.
*Reportagem publicada no Jornal O Celeiro, Edição 1914 de 05 de fevereiro de 2026.

