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Quem vai produzir o alimento do futuro?

O agronegócio brasileiro segue batendo recordes. Em 2025, o país exportou cerca de US$ 169 bilhões em produtos do setor. Santa Catarina tem participação importante nesse resultado, especialmente pelas regiões Oeste e Meio-Oeste, que ajudam a sustentar essa força com muita dedicação no campo. Mas, por trás desses números que impressionam, existe uma pergunta que precisa ser feita com seriedade: quem vai produzir o alimento do futuro?

Eu cresci no interior, filha de pequenos agricultores. Sei bem o que é acordar bem cedo, ajudar na lida e ver meus pais fazendo de tudo para garantir o sustento da família. E sei também o que significava, naquela época, olhar para o futuro. E para muitos de nós, a única saída era ir embora.

Eu mesma saí muito jovem de casa para estudar. Não porque não gostasse do campo, pelo contrário. Mas porque, naquela época, o campo não oferecia perspectiva de crescimento para quem queria construir um caminho profissional e meu sonho era continuar estudando.

Hoje, o que vemos é o reflexo disso: um campo que envelhece. Mais de 30% dos produtores brasileiros têm acima de 65 anos, enquanto a presença de jovens nas propriedades rurais diminui a cada ano. A sucessão familiar virou um dos maiores desafios da agricultura. E sem jovens, não existe futuro no campo.

Mas o que me anima — e muito — é perceber que essa história começa a mudar. E Santa Catarina, especialmente o Meio-Oeste, é um bom exemplo disso.

Regiões que investiram em educação técnica, inovação e qualificação estão conseguindo reverter esse cenário. No Vale do Rio do Peixe, municípios como Videira, Tangará e Pinheiro Preto mostram que é possível, sim, manter os jovens no campo — mas de um jeito diferente.

A vitivinicultura é um exemplo claro dessa transformação. O que antes era uma atividade tradicional hoje envolve tecnologia, gestão, agroindústria e até turismo rural. E muitos jovens estão não só ficando, mas liderando esse novo momento. Isso mostra algo importante: o jovem não sai do campo por falta de vínculo. Ele sai por falta de oportunidade.

Quando há renda, tecnologia, acesso à educação e perspectiva de crescimento, ele fica. E mais do que isso: ele inova, empreende e transforma a propriedade da família.

Garantir o futuro da produção de alimentos passa, necessariamente, por investir em educação rural, fortalecer as escolas agrícolas e levar inovação para dentro das propriedades.

O agro brasileiro pode continuar batendo recordes, mas o verdadeiro desafio não está apenas nos números: está em garantir que as próximas gerações queiram — e possam — continuar no campo. Porque o futuro da nossa alimentação começa, antes de tudo, por quem escolhe permanecer ali e enfrentar todos os desafios para garantir, com dignidade e dedicação, a comida na nossa mesa.

Por Marlene Fengler

Secretária-geral da Alesc

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