Instituição se consolida como referência no atendimento educacional e clínico no estado.
Fundada no ano de 1954, no Rio de Janeiro, a APAE só chegou a Campos Novos em 1976, a partir da iniciativa de um grupo de moradores, motivados por médicos do município que falavam bem da entidade. Desde então a APAE está presente e construindo uma história de superação e evolução ao longo dos anos.
O diretor Luiz Augusto de Souza, que está na entidade há quase 25 anos, conversou com o jornal O Celeiro, e falou sobre o início dessa trajetória.
“A vinda da APAE para Campos Novos foi um marco. Quando a APAE foi criada, os alunos especiais não frequentavam nenhuma escola. A partir dali, passaram a ter atendimento e isso foi fundamental para as famílias”, destaca o diretor.
Sem muitos recursos, o primeiro local de atendimento foi em um centro comunitário, no bairro Aparecida. Em seguida mudou-se para o bairro São Sebastião, mas com o aumento da demanda mais uma vez mudou-se para o atual local que ao longo dos anos recebeu investimentos e melhorias.
Grande parte dessas conquistas veio do esforço coletivo. “Teve um período em que a gente vendia sopa, participava de festas e eventos para conseguir recursos. Era assim que buscávamos melhorar a estrutura”, relembra Luiz Augusto.
EVOLUÇÃO
Com o apoio da comunidade e de entidades parceiras, a APAE conseguiu avançar na acessibilidade, construir o ginásio e, mais tarde, implantar a APAE Clínica, ampliando o atendimento para além da sala de aula.
Hoje, a instituição conta com uma estrutura considerada completa, com equipe multiprofissional e recursos que ultrapassam meio milhão de reais em materiais pedagógicos. “Hoje temos tudo que precisamos para oferecer um bom atendimento. Estamos entre as melhores APAEs do estado e tratamos esse trabalho com muita responsabilidade”, afirma.
Ao longo dos anos, a APAE também acompanhou mudanças importantes na forma de inclusão das pessoas com deficiência. Atualmente, a instituição atua como suporte para a inserção no ensino regular e no mercado de trabalho. “A APAE deixou de ser um espaço segregado e passou a promover inclusão. Hoje, trabalhamos para que o aluno tenha contato com a sociedade e desenvolva seu potencial”, destaca.
Um dos exemplos citados é a inserção de alunos no mercado de trabalho, com casos de profissionais que seguem empregados há anos. “O trabalho dignifica. Quando a pessoa tem essa oportunidade, a família também passa a acreditar mais no potencial dela”, afirma.
ATENDIMENTO INTEGRAL E FOCO NO DESENVOLVIMENTO
Atualmente, a APAE atende mais de 150 alunos e oferece um trabalho que integra educação, saúde e desenvolvimento social. As atividades são organizadas por faixas etárias e necessidades específicas, passando pela estimulação precoce, atendimento educacional especializado, preparação para o mercado de trabalho e serviços voltados à autonomia e convivência.
Além do trabalho pedagógico, a instituição conta com uma equipe clínica formada por profissionais como psicólogos, fisioterapeutas, assistente social, psiquiatra, fonoaudióloga, nutricionista e dentista, realizando cerca de 1.800 atendimentos por mês.
Segundo a secretária pedagógica Juliana Espíndola, o diferencial está justamente na integração entre as áreas. “Trabalhamos em conjunto, o pedagógico com a clínica, e isso permite um desenvolvimento mais completo dos alunos. É um trabalho diferenciado”, explica.
Ela também destaca o envolvimento das famílias no processo. “Buscamos trazer as famílias para perto. Muitas relatam evolução significativa dos filhos, desde o desenvolvimento da fala até a autonomia no dia a dia”, comenta.
DESAFIOS
Apesar dos avanços, a entidade ainda enfrenta desafios, principalmente na manutenção da estrutura e na divisão de responsabilidades com o poder público. “O município e o Estado repassam recursos, mas a APAE ainda precisa assumir muitas responsabilidades que deveriam ser públicas. Isso sobrecarrega a instituição”, pontua o diretor.
Ele defende que a entidade seja tratada com o mesmo suporte destinado às escolas regulares. “Estamos falando de um direito. Não pode haver diferença no atendimento. A gestão pública precisa assumir essa responsabilidade de forma mais ampla”, completa.
UMA HISTÓRIA CONSTRUÍDA POR MUITAS MÃOS
Mais do que números e estrutura, a história da APAE é construída diariamente por profissionais que vivenciam de perto cada conquista dos alunos. Para a equipe pedagógica, o trabalho vai além da profissão.
A APAE segue com o propósito de promover inclusão, dignidade e desenvolvimento.
A história mostra que, por trás de cada atendimento, existe um compromisso diário com a construção de uma sociedade mais justa, inclusiva e humana.
*Reportagem publicada no Jornal O Celeiro, Edição 1924 de 16 de abril de 2026.

