Município já registra cerca de 150 casos no primeiro trimestre de 2026 e pode ter ano recorde.
Os furtos em Campos Novos têm sido constantes e têm alertado e preocupado a população. Alguns se perguntam o que a polícia tem feito para conter tais atos.
Os criminosos têm agido com cada vez mais ousadia e sabem exatamente o que procuram: cortam fios de energia ainda ligados, furtam metros e metros de cabos, extensões e materiais elétricos. Nem alarmes e câmeras têm sido suficientes para impedir a ação.
Para comentar a onda de furtos ocorrida no município, a Câmara de Vereadores de Campos Novos, recebeu na última semana, o major Francisco de Assis, da Polícia Militar, e o delegado da Polícia Civil, Adriano Almeida, para falar sobre a atuação dos órgãos no combate aos crimes de furto.
POLÍCIA MILITAR
Durante a sessão, o major Francisco destacou que o furto é um fenômeno social complexo. Segundo ele, a maioria dos autores é reincidente e muitos são usuários de drogas. “Essas pessoas são presas diversas vezes, passam um tempo detidas, mas acabam sendo liberadas e voltam a cometer furtos”, explicou, ressaltando que as penas para esse tipo de crime são mais leves dentro do sistema jurídico.
Ele também reforçou que o trabalho da Polícia Militar é constante. Há patrulhamento diário, com dezenas de pontos visitados e abordagens realizadas, inclusive durante a madrugada. “O policial trabalha o tempo todo, não paramos no batalhão”, afirmou.
Apesar disso, o major destacou que o combate aos furtos não depende apenas da repressão. Entre as medidas apontadas estão o reforço na segurança de estabelecimentos, com uso de câmeras, alarmes e melhorias estruturais, além da criação de redes de vizinhos. “É melhor uma rede de vizinhos conectada com uma viatura do que várias viaturas trabalhando no escuro”, pontuou.
Ainda conforme o major, a participação da comunidade é fundamental. Ele citou casos em que os crimes acontecem de forma silenciosa e poderiam ser evitados com a comunicação rápida à polícia.
Os principais alvos dos furtos, segundo ele, são baterias de carro, fiação elétrica, celulares, ferramentas e materiais de construção, objetos que geralmente são trocados por drogas posteriormente.
POLÍCIA CIVIL
Já o delegado Adriano Almeida apresentou um panorama dos números no município e afirmou que o problema vai além da atuação policial.
“Se prender resolvesse, já teríamos solucionado há muito tempo”, disse. De acordo com os dados apresentados, o município registrou mais de 500 furtos em 2022, com queda nos anos seguintes. Em 2025, houve aumento de 21,5% e, apenas no primeiro trimestre de 2026, cerca de 150 ocorrências já foram contabilizadas. Se a tendência continuar, o município pode registrar um ano recorde.
O delegado também destacou que a maior parte dos crimes é praticada por um número reduzido de pessoas, em sua maioria usuários de drogas. “Cerca de 95% dos autores são usuários de crack”, afirmou. Segundo ele, esses furtos estão diretamente ligados à necessidade de sustentar o vício, já que os objetos são rapidamente comercializados. Outro ponto levantado foi a gravidade da dependência química. Conforme o delegado, usuários em estágio avançado perdem a noção das consequências e agem apenas para saciar o vício.
Além disso, o crescimento da cidade aliado à redução do efetivo policial também impacta no cenário. Enquanto a demanda aumenta, o número de policiais diminuiu ao longo dos anos.
Adriano Almeida também explicou que nem todo autor de furto é preso, o que acaba gerando a sensação de que nada está sendo feito. No entanto, pela legislação brasileira, nem todo crime resulta em prisão imediata.
Por fim, o delegado reforçou a necessidade de um trabalho conjunto entre poder público e sociedade, com foco no enfrentamento ao uso de drogas. “Se não contivermos o avanço do crack, teremos aumento significativo dos furtos”, destacou. Entre as sugestões, ele citou o investimento em videomonitoramento e a possibilidade de criação de uma guarda municipal estruturada.
LEGISLATIVO
O presidente da Câmara, Darcy Rodrigo Pedroso, também se manifestou sobre o assunto.
Ele entende que deve existir um debate sobre políticas públicas de Assistência Social, ampliando essa ação em Campos Novos.
Darcy comentou em tribuna, que é essencial que a o social do município busque alternativas, para projetos e programas de geração de renda para pessoas vulneráveis, a fim de realizar a promoção humana, e oportunizar a ressocialização destas pessoas, bem como atendimento.
Os vereadores também apoiaram a iniciativa de propor a participação da Unicampo (União das Associações de Moradores), para reativar a Rede de Vizinhos da Polícia Militar e também criar um círculo de informações, conscientizando a população, quando forem vítimas, registrarem a ocorrência.
A sessão também reforçou a importância da integração entre comunidade, forças de segurança e poder público.
O alerta feito durante o encontro é claro: sem ações para conter o avanço das drogas, especialmente o crack, a tendência é de aumento contínuo dos furtos no município.
*Reportagem publicada no Jornal O Celeiro, Edição 1924 de 16 de abril de 2026.

