A possibilidade de concessão das BRs deveria trazer esperança para quem quer e precisas de rodovias mais seguras. No entanto, antes mesmo de o projeto ser aprovado, a proposta já gera questionamentos. O principal deles é simples: por que começar a cobrar antes que as melhorias aconteçam?
O debate ganha força porque a concessão prevê novos pedágios em uma região que há décadas convive com trechos perigosos, trevos que exigem atenção redobrada, sinalização deficiente e uma infraestrutura que já não acompanha o crescimento do fluxo de veículos. São problemas conhecidos por quem percorre essas rodovias diariamente e que, infelizmente, continuam contribuindo para acidentes e perdas de vidas.
É claro que as estradas precisam de investimentos. Poucos discordam disso. A questão é que a população espera ver uma contrapartida. Antes de cobrar, é preciso entregar. Parece óbvio, mas é exatamente esse o sentimento que tem predominado nas discussões sobre esse tema.
Se o objetivo é oferecer rodovias mais seguras e bem conservadas, a proposta precisa integrar todas as regiões envolvidas. Campos Novos tem importância estratégica para Santa Catarina e não pode ficar apenas com a conta enquanto os maiores investimentos acontecem em outros trechos.
A discussão não é sobre ser contra ou a favor do pedágio. É sobre garantir que o dinheiro arrecadado retorne em obras que realmente façam diferença para quem utiliza as rodovias todos os dias. Afinal, quando o cidadão paga mais, ele espera receber mais.
Por: Priscila Nascimento
Jornalista / Jornal O Celeiro
*Editorial publicado no Jornal O Celeiro, Edição 1937 de 16 de julho de 2026.

