Com o fim da Copa do Mundo, as eleições deste ano, que até então estavam em segundo plano, voltam ao centro das atenções.
Enquanto a Copa uniu torcedores, as eleições voltam a causar tensão e a acirrar os ânimos entre quem pensa diferente. A polarização, que já marcou as últimas eleições, permanece presente e, ao que tudo indica, ainda mais intensa.
Antes, uma escolha política representava apenas uma preferência. Hoje, muitas vezes, o caráter de uma pessoa é julgado com base no candidato ou no partido que ela apoia. Em poucos minutos, uma troca de opiniões se transforma em discussão, amizades ficam estremecidas e famílias evitam determinados assuntos para preservar a convivência.
O problema não é a política. O problema é quando deixamos de enxergar o outro como alguém que pensa diferente e passamos a tratá-lo como um inimigo.
O debate saudável deu espaço a ataques desrespeitosos. Já não se discutem projetos ou propostas, mas, muitas vezes, a suposta superioridade moral de candidatos.
Será que a campanha “Diálogo e Paz”, lançada pela Justiça Eleitoral de Santa Catarina, conseguirá cumprir seu propósito de incentivar o respeito e promover um ambiente eleitoral mais pacífico? A resposta virá nos próximos meses.
A eleição vai passar. Os governantes mudarão com o tempo. Mas as pessoas continuarão dividindo os mesmos espaços: em casa, no trabalho, na vizinhança e na comunidade.
Vale a pena transformar um adversário político em um inimigo para a vida inteira?
Por: Priscila Nascimento
Jornalista / Jornal O Celeiro
*Editorial publicado no Jornal O Celeiro, Edição 1938 de 23 de julho de 2026.

