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Intolerância ao glúten é coisa séria

A intolerância alimentar entrou em pauta nos últimos anos. Entre elas, vamos conhecer um pouco mais nesta reportagem sobre a intolerância ao glúten.

O glúten é uma combinação de proteínas coesa e insolúvel em água e está presente em alguns alimentos como trigo, cevada, centeio e malte. Essa combinação confere às massas elasticidade, ou seja, deixa o pão macio, o bolo bem fofinho, permite que as massas fermentem e cresçam. Mas por qual motivo, as pessoas desenvolvem a intolerância a esta proteína?

Para saber um pouco mais sobre a intolerância, nossa reportagem entrevistou nesta semana Elizangela Marques, nutricionista da Clínica de Nutrição que funciona junto a Clínica de Medicina Oriental de Campos Novos. “Então a intolerância é a incapacidade de absorção à proteína do glúten, que está presente no trigo, na aveia, no centeio e na cevada”, explicou Elizangela.

Elizangela Marques, nutricionista

Nessas pessoas, o glúten danifica as paredes do intestino delgado, provocando diarreia, dor e inchaço abdominal, além de dificultar a absorção de nutrientes, entre outros sintomas, esclarece a nutricionista. “Essa má absorção faz com que algumas pessoas sintam alguns sintomas, causados pela intolerância ao glúten, que são diarreia frequente em que a pessoa vai até três ou quatro vezes ao banheiro com volume de fezes bem elevado, o que deixa de ser normal. Também provoca dor abdominal, inchaço e causa até esterilidade em alguns casos, além de anemia ferropriva. Ainda há pessoas que tem a doença e não sabem, porque os sintomas são diferentes. Elas apresentam uma anemia que vai e vem, hoje você tem, amanhã você não tem. Também pode causar palidez e as pessoas não crescem, além da diminuição da massa muscular”, esclareceu.

Como identificar

Especialistas acreditam que cerca de 10% da população pode ter sensibilidade ao glúten. É possível adotar várias medidas para reconhecer a intolerância no seu corpo e começar a buscar um futuro mais saudável. “Primeiramente quando você faz uma dieta você deve cuidar se você se sente mal ao digerir alimentos com glúten, como pão, biscoitos e massas. Então muitas vezes a pessoa pode apresentar gases e simplesmente achar que a comida fez mal. Porém, pode ser algum sintoma dando sinal que já existe a intolerância à proteína. É interessante às pessoas irem ao médico ou ao nutricionista e solicitar exames para detectar a intolerância, que são exames de sangue, de urina e até mesmo uma biópsia no intestino”, alertou Elizangela Marques.

Como deve ser a dieta

Diagnosticada a intolerância ao glúten, a nutricionista deixa algumas dicas para substituição dos alimentos que contém a proteína. “Hoje a gente sabe que a maioria das indústrias enriquecem o trigo, embora sem necessidade porque uma alimentação adequada rica em sais minerais e nutrientes não é preciso enriquecer. A pessoa pode trocar o trigo pela farinha de milho, mais conhecida por fubá. Pode adotar ainda fécula de batata, a mandioca e a farinha de mandioca. São alguns ajustes que a pessoa precisa fazer na alimentação. Uma reeducação alimentar própria para quem tem intolerância ao glúten, restrita e única, porque a dieta que é pra você não é para seu filho ou seu marido ou assim por diante”, indicou a nutricionista.

Elizangela orienta ainda que a dieta tenha acompanhamento profissional adequado.

Contaminação cruzada

Elizangela Marques orientou também para que as pessoas intolerantes ao glúten estejam atentas não só aos rótulos dos produtos, mas também à maneira como o produto foi fabricado. “Antigamente as pessoas tinham uma alimentação mais saudável, com menos agrotóxicos e hormônios, presentes hoje em quase todos os alimentos. É interessante as pessoas olharem os rótulos, porque lá vai conter se há glúten ou não. Porém, é preciso estar atento ainda à maneira como o alimento é fabricado, porque às vezes o que acontece é que a fábrica vai fazer alimentos sem glúten, mas vai utilizar equipamentos usados para fabricar os que têm a proteína, o que vai provocar uma contaminação cruzada. Portanto, quanto mais saudável a alimentação, menos risco”, enfatizou.

Diferença entre intolerância ao glúten e doença celíaca

A doença celíaca pode ser resumida como uma intolerância permanente ao glúten e autoimune, ou seja, o próprio corpo rejeita a substância. Tem origem genética e afeta primeiramente o intestino delgado, diminuindo as vilosidades e causando um processo inflamatório. “A doença celíaca também ocorre por causa do glúten, mas há uma reação diferenciada no sistema imunológico, causando quadros mais graves como inflamação, dores intensas no abdômen, diarreias bem mais frequentes, com o dobro de evacuações do que quando se apresenta o quadro de intolerância. Quando a pessoa tem alguma intolerância alimentar, é preciso uma investigação mais aprofundada, para identificar e realizar o tratamento adequado”, orientou ainda Elizangela Marques.

Para o dia a dia, atitudes saudáveis para melhorar a sua qualidade de vida. “A pessoa mais importante é você. Então devemos nos cuidar, nos amar e prestar atenção ao nosso organismo, que nos envia muitos sinais”, concluiu.

*Reportagem publicada no Jornal “O Celeiro”, Edição 1429 de 19 de Maio de 2016.

 

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