1º Leilão de Prenhezes Charolês Santa Tecla acontece no mês de julho no Parque de Exposições Leônidas Rupp.
Para falar sobre esta iniciativa inédita, o proprietário da Fazenda, uma das Cabanhas mais antigas e tradicionais da raça charolesa, Jamil Deud Junior, conversou com nossa reportagem nesta semana semana. Jamil é Médico Veterinário e Diretor Técnico da Associação Brasileira de Criadores de Charolês, da qual também foi presidente por duas gestões. Ele também integra o quadro de jurados da raça na Associação.
A relação de amor e de investimento na raça charolesa, teve início em 1953 na Fazenda Santa Tecla, pelos pais de Jamil Junior, Jamil Deud e Alice Lourdes Deud, hoje com 90 e 93 anos de idade respectivamente. Conhecida em todo o Brasil pelos investimentos em melhoramento genético, a fazenda trabalha hoje com o que há de mais moderno ofertado pela tecnologia, tendo participado inclusive de feiras internacionais, como a Feira de Palermo na Argentina. Também foi o único criatório de charolês no Brasil, que exportou animais para a Angola na África, no ano de 2012.
A editora-chefe do Jornal O Celeiro entrevistou Jamil Deud Junior e trouxe mais desta história para os leitores. Confira.
O Celeiro – Antes de falarmos propriamente do leilão em Campos Novos, gostaria que o senhor nos contasse um pouco mais sobre a Fazenda Santa Tecla, que está comemorando 65 anos. A família sempre trabalhou com plantel selecionado de charolês? Como começou esta história de amor e investimentos na raça?
A Raça Charolesa chegou ao oeste de Santa Catarina e Sudoeste do Paraná em 1923. Observando o bom desempenho que a raça imprimia no cruzamento com o gado que na época existia na região, minha mãe, que tem origem rural, e meu pai, engenheiro agrônomo, na década de 50 iniciaram com o Charolês.
O Celeiro – Por que a raça charolesa?
Como os animais obtidos nesse cruzamento e como a raça se a adaptou de maneira muito adequada nas condições de manejo, nas pastagens nativas existentes e no nosso clima, a ideia de trabalhar com animais puros e seleção foi uma consequência. Na década de 60 meu pai adquiriu um casal de animais Puros de Origem do criador gaúcho Aquiles Jaques Fernandes que participava em uma das primeiras exposições agropecuárias realizada em Clevelândia (PR). A partir daí, ao que era um trabalho de cruzamento absorvente com a raça charolesa, se incorporou o trabalho de seleção genética.
O Celeiro – A fazenda trabalha com reprodutores registrados e provados e com as melhores receptoras da raça. A contribuição da tecnologia no melhoramento genético está presente nesse trabalho, desde a inseminação artificial, transplante de embriões e agora fecundação in Vitro. Como chegaram a estes resultados?
Para aprimorar o trabalho genético e qualificarmos sempre mais a seleção, passamos a usar técnicas de reprodução, o que praticamente tornou-se uma necessidade. Hoje trabalhamos com a tecnologia de fecundação in Vitro que permite, além da reprodução dos melhores machos e fêmeas, o aumento com mais rapidez desses animais que possuem essa genética superior. Esse bom resultado com o trabalho fé FIV, sem dúvida, deve ser atribuído ao uso de pais com genética superior e também ao critério que sempre tivemos na Santa Tecla de selecionarmos nossas matrizes pela fertilidade, para nós uma vaca só é boa se produzir filhos superiores a ela, tanto nos aspectos econômicos como funcionais.
O Celeiro- O reconhecimento da genética, do plantel da Fazenda Santa Tecla é em nível nacional com inúmeras premiações e animais presentes em praticamente todos os estados brasileiros. A fazenda realiza inclusive um leilão na sua própria sede?
Esse trabalho de melhoramento genético ao longo do tempo fez com que obtivêssemos pecuaristas e interessados na genética charolês Santa Tecla, por todo o Brasil. A participação em eventos de pecuária e exposições trouxeram visibilidade à nossa seleção de charolês e credibilidade, que nossos clientes e amigos oferecem ao nome do charolês Santa Tecla. Além disso, no ano de 2003 iniciamos projeto de venda de nosso charolês através de leilões realizados na sede da fazenda, pois com isso proporcionamos uma série de vantagens para nossos clientes em relação econômica e opções de escolher os animais.
O Celeiro – O primeiro leilão de prenhezes selecionadas da raça acontece em Campos Novos em 15 de julho. Por que Campos Novos? Qual é a proposta com esta iniciativa?
Recentemente participamos da ExpoCampos 2017 com alguns animais atendendo convite da Associação Catarinense de Charolês e do Sindicato Rural de Campos Novos, que de maneira empreendedora restaurou e reativou esse evento marcante para o setor rural catarinense. Obtivemos grande sucesso mais uma vez nesse evento. Tanto na parte comercial como também sob o aspecto zootécnico, com importante premiação: Grande Campeão, Terceiro melhor Macho e Terceira melhor Fêmea. Por isso surgiu essa ideia de realizarmos o Leilão de Prenhezes dia 15 de julho. Devemos dizer que participaram da ExpoCampos as melhores Cabanhas de Charolês de Santa Catarina. A localização da cidade e a reativação do parque de exposições, foram importantes para que em conjunto com o Sindicato Rural e com o diretor da empresa Tarumã Remates, escolhêssemos Campos Novos para nosso evento comemorativo dos 65 Anos Charolês Santa Tecla.
O Celeiro – Quantas fêmeas serão leiloadas e a expectativa de vendas qual é?
Essa iniciativa é inédita no Brasil. Um grande momento para a seleção de charolês porque a Santa Tecla nas 35 receptoras prenhas que levará a leilão, vai ofertar a genética de suas melhores doadoras à pecuária do Brasil. O evento pecuário vai mostrar 65 anos de trabalho, dedicação e amor pela nobre Raça Charolesa. Esse formato de venda em leilão baseada em receptoras com prenhezes sexadas, é mais um avanço que a Cabanha Santa Tecla disponibiliza através da raça charolesa, para a pecuária catarinense e brasileira. O leilão no dia 15 de julho no Parque de Exposições Leônidas Rupp será realizado por meio da Tarumã Remates, com boas condições de pagamento. O evento tem o apoio do Sindicato Rural de Campos Novos, Faesc, Senar e Cidasc. No dia 11 de junho, o presidente do Sindicato Rural de Campos Novos, Fernando Rosar, juntamente com a equipe da Tarumã Remates, visitaram a Fazenda Santa Tecla, a fim de acertar detalhes do leilão.
*Reportagem publicada no jornal “O Celeiro”, Edição 1485 de 29 de junho de 2017.
