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Alho na lavoura

O cultivo do tempero é alternativa de diversificação e agregação de renda.

Um dos temperos mais versáteis e utilizados nas cozinhas por todo o país e mesmo sendo de uso comum e encontrado na maioria dos mercados, o alho se apresenta como uma alternativa de diversificação e agregação de renda, principalmente em pequenas propriedades.

Em Campos Novos, o cultivo é incentivado pela Comercial Juruna e pode ser encontrado em propriedades da Comunidade do Pacheco. Na propriedade de Paulo Becker, de 56 hectares, onde vive com sua esposa, além das culturas tradicionais de soja e milho, 3  hectares foram destinados ao cultivo do alho nesta safra de 2017. “Nós começamos a plantar aos pouquinhos como um tipo de roda, fomos expandindo e agora estamos seguindo na atividade. A área é um pouco menos que a do ano passado, que foi de 5 hectares”, disse o produtor.

Paulo Becker

Com plantio manual, o produtor cultiva o tempero há 4 anos e na safra de 2016 a colheita foi de 10 toneladas. Para este ano, Paulo Becker espera colher entre 10 e 12 toneladas, apesar da área menor. O cultivo, porém, requer uma série de cuidados específicos e pontos de atenção para garantir um bom desenvolvimento e colheita. “O manejo dele é um pouco mais delicado na questão de doenças, tendo que fazer uma aplicação de fungicida a cada 7, 8 dias e a questão de adubação também é bem mais exigente que soja ou milho, por exemplo. É de alto risco, mas vale a pena o investimento”, observou Paulo.  O ciclo do produto é de cerca de 130 dias, entre plantio, desenvolvimento e colheita. Nos 3 hectares cultivados por Paulo, o plantio foi feito há cerca de 50 dias. Conforme o produtor, o custo aproximado é de R$ 30 mil o hectare e o rendimento varia a cada safra. O mercado do alho, porém, é consolidado. “O rendimento varia de ano a ano, o preço sempre varia, mas o mercado é firme, tem bastante liquidez, é um mercado consolidado. Desde o início do cultivo eu comercializo para os mesmos compradores”. O destino da produção da propriedade de Paulo Becker é para compradores de Curitibanos ou São Paulo.

E se faltar chuva, como ocorreu em julho, a irrigação é obrigatória para garantir o bom desenvolvimento do produto. Até então Paulo utiliza a irrigação por canhão, mas deverá adotar em breve o sistema de aspersão. Com o auxílio, via de regra, de um sistema de bombeamento, a água percorre um conjunto de tubulações gerando a pressão necessária para acionar os aspersores.

Além do alho, Paulo também aposta no cultivo da cebola e nesta safra 2017 o plantio foi de 6,5 hectares.

O Gerente Administrativo da Comercial Juruna, Felipe Sbrussi, reforça a proposta da diversificação e agregação de valor no cultivo do alho e cebola. “A ideia dos produtores de alho e cebola é de agregar valor, são culturas que tem um valor agregado muito alto e também um custo muito elevado, incluindo defensivos, adubos e mão de obra. Então alguns produtores ocupam essa mão de obra, muitas vezes familiar, buscando numa área de terra menor, fazer um volume de dinheiro num montante maior, justamente agregando valor”.

Felipe Sbrussi

A assistência da empresa e acompanhamento dos produtores se dá durante todo o ciclo dos hortifrúti (HF). “O nosso trabalho é fazer todo o acompanhamento desde o plantio até a colheita, distribuindo parte de adubação, defensivos e sementes”, afirmou o gerente.

Além dos cereais tradicionais da região, a empresa acompanha e incentiva o cultivo de outras áreas de HF como tomate, beterraba, cenoura e pimentão, entre outras. “Em sua maioria 80% das áreas são de pequenos agricultores que utilizam a mão de obra familiar. Pela empresa auxiliamos a desenvolver melhor este trabalho junto aos pequenos agricultores, ajudando a pulverizar o risco, conseguindo fazer com que eles agreguem valor para que se mantenham no mercado e ofertando uma opção a mais diante dos cereais, que é o carro chefe aqui na nossa região”.

E para agregar ainda mais valor e oferecer novas alternativas de venda, a Juruna estuda investir num projeto piloto de beneficiamento da produção de hortifrúti.

*Reportagem publicada no “Jornal O Celeiro”, Edição 1493 de 24 de agosto de 2017.

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