Culturas de inverno também registram reflexos do clima seco. Em Campos Novos já são mais de 20 dias sem chuvas.
Em julho Campos Novos registrou apenas 13 milímetros de chuva. A escassez de chuvas é provocada por um sistema de alta pressão localizado no oceano. “Este sistema acaba trazendo esses ventos de norte, que vem da região central do pais, mais quentes e secos, que inibem a entrada de frentes frias. Neste época do ano deveríamos ter ainda a predominância de ventos do Sul, vindos do Uruguai e Argentina”, informou o meteorologista.
A falta de chuva e as temperaturas acima da média para o período já comprometem as culturas de inverno devido à escassez de umidade do ar e do solo. Os efeitos do clima seco também já são sentidos na pecuária. Nas lavouras de trigo, por exemplo, além da baixa precipitação entre julho e esta primeira quinzena de setembro, os produtores enfrentaram problemas com a erosão em junho nos primeiros plantios, após a ocorrência de uma forte chuva. Posterior a esta ocorrência, quem plantou no seco e não veio chuva, o trigo nasceu com pouca umidade, desparelho, deixando um estande de plantio desuniforme. E agora em fase de desenvolvimento, a falta de chuva pode comprometer os tratos culturais e o controle de pragas e doenças.
Os produtores também estão no aguardo do retorno das chuvas a fim de iniciar o plantio de milho. A perspectiva indicam os modelos climáticos, é de uma precipitação em torno de 60 milímetros entre a noite desta sexta-feira e a madrugada de sábado, com a previsão da passagem de uma frente fria, mas o mês ainda deve fechar abaixo da média em volume de chuvas. “Tem esta previsão de chuva para o próximo final de semana, mas não deve normalizar a condição do mês. Então a gente deve mais uma vez fechar o mês abaixo da média também pelo que os indicativos estão mostrando”, afirmou Erikson.
Em outubro e novembro há previsão de chuva mais frequente e aumento do volume, resultando em valores próximos a climatologia. Conforme o Ciram, setembro e outubro marcam a transição inverno/verão, dando início às chuvas de primavera com totais mensais mais elevados. Em boa parte dos municípios catarinenses, a maior precipitação do trimestre ocorre em outubro, com acumulados de 210 a 280 mm no Oeste e Meio-Oeste, e de 140 a 180 mm do Planalto ao Litoral. Em novembro, o volume de chuva diminui, com valores de 130 a 180 mm em média, no estado.
Os episódios de precipitação devem ocorrer especialmente na passagem de frentes frias, influência de sistemas de baixa pressão, e também dos Sistemas Convectivos de Mesoescala (SCM) que provocam chuvas mais intensas no Oeste e Meio Oeste. Na segunda quinzena de novembro inicia o processo convectivo, caracterizando as pancadas de chuva de verão.
Também é a época de formação e deslocamento dos ciclones extratropicais no litoral Sul do Brasil, que trazem perigo para a navegação e a pesca em embarcações de pequeno e médio porte, devido aos ventos fortes e ao mar agitado, muitas vezes resultando em ressaca.
Em relação às temperaturas, a previsão é que fiquem próximas a acima da média climatológica em Santa Catarina, no trimestre.
*Reportagem publicada no jornal “O Celeiro”, Edição 1496 de 14 de Setembro de 2017.
