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“A força do campo nasce da semente”

Marcelo Carlos Fortes Ribeiro

APROSESC lança campanha em prol da semente legal durante inauguração de nova sede em Campos Novos.

Na terça-feira, 16 de janeiro, a APROSESC (Associação dos Produtores de Sementes e Mudas do Estado de Santa Catarina) realizou cerimônia de inauguração de sua nova sede no município de Campos Novos. Os associados da entidade decidiram, em assembleia, transferir a sede da associação de Canoinhas para Campos Novos. De acordo com o presidente da APROSESC, Marcelo Carlos Fortes Ribeiro, a decisão foi tomada com a finalidade de aproximar a entidade dos produtores de semente de soja, que estão localizados principalmente nas regiões de Campos Novos, Xanxerê, Abelardo Luz e Chapecó.

Fundada em 1975 em Xanxerê, a sede foi transferida posteriormente para o Norte do estado, em Canoinhas, principalmente pelo advento da cultura da batata. “Tinha uma cultura muito expressiva em batata semente na época em Canoinhas, porém a parte de sementes em geral das grandes culturas que somos especialistas em Campos Novos e também de mudas, ficaram bastante esquecidas neste período. A mudança começou com o advento da nova lei de semente entre 2006/2007, em que a APROSESC também deu início a sua revitalização com um olhar um pouco mais voltado às grandes culturas, como soja, feijão e trigo, ficando deslocada do centro de produção, que fica em de Campos Novos, Xanxerê, Abelardo Luz e Chapecó. Campos Novos, por exemplo, é o maior produtor de sementes de soja do estado, sendo a Copercampos a maior produtora de sementes do Brasil no ano que passou, em números. Então porque estar em Canoinhas? Na última assembleia foi decidida pela sede no Celeiro Catarinense”, considerou Marcelo, observando que a sede da Associação já está em funcionamento desde novembro do ano passado na Avenida JK.

Combate à pirataria de sementes

Durante o evento de inauguração da nova sede em Campos Novos na terça-feira, a APROSESC lançou a campanha “A força do campo nasce da semente”, que tem como principal objetivo combater o uso de sementes ilegais no estado. “Queremos instruir os agricultores sobre as vantagens do uso de sementes legais, com procedência, padrões de qualidade e fiscalização. Nossa intenção é mobilizar o público envolvido com a produção de sementes e o público em geral, quanto à necessidade de termos sementes de qualidade e dentro do processo de certificação. Nós buscamos a moralização do processo dentro da produção de sementes. A grande bandeira da APROSESC hoje é que a semente não seja tratada como um insumo qualquer. A gente busca desenvolver a cadeia de produção de sementes dentro do estado de Santa Catarina”, afirmou Marcelo Carlos Fortes Ribeiro.

É a segunda campanha realizada neste sentido pela Associação. Conforme Marcelo, 70% das sementes plantadas no estado são certificadas. “A nossa semente certificada tem uma taxa muito boa, hoje 70% da semente plantada em Santa Catarina é dentro do processo de certificação. Somos um dos estados com a maior taxa de utilização de sementes no Brasil porque nós temos todos os produtores dentro do processo, todos são vinculados a uma cooperativa, fortalecendo o associativismo nesta visão que onde há união, existe retorno”. Já o Rio Grande do Sul, informa o presidente da APROSESC, a taxa de utilização de sementes é de apenas 30%, tendo em vista que a maioria dos produtores é independente.

A APROSESC trabalha também com a formação técnica de seus associados, oferecendo capacitações como cursos voltados aos responsáveis técnicos a cada seis meses, mantendo atualizado quem está na linha de frente do processo. As capacitações também atendem quem atua nas Unidades de Beneficiamento de Sementes (UBS).

E em breve a APROSESC divulga o padrão de qualidade de sementes no estado, resultado de uma pesquisa realizada nos últimos 5 anos. “Esse trabalho realizado juntamente com o CAV, mostrou que a nossa qualidade de sementes vem aumentando, juntamos dados de cinco anos e esse gráfico que foi gerado criou uma curva ascendente e nós temos um percentual de contribuição neste processo, porque viemos treinando o pessoal para que a cada dia consiga extrair o máximo de qualidade da lavoura e da semente, destacou ainda Marcelo.

*Reportagem publicada no jornal “O Celeiro”, Edição 1512 de 18 de Janeiro de 2018.

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