Assembleia Geral de Apicultores é realizada em Campos Novos
O estado conta com cerca de 13.840 criadores de abelhas, e todo trabalho empenhando por eles nessa cadeia já rendeu a Santa Catarina o título de melhor mel do mundo. Com o mel de bracatinga, a federação tem ganhado mais campo para defender e incentivar sua produção na região. O novo presidente da FAASC falou sobre a diferença do mel comum e mel de melato. “O melato, vem de bracatinga, embora tenha umas plantas começando a produzir, mas se dá somente nas regiões altas, e Campos Novos tem alguma coisa de melato, mas é uma área limite. O melato não é o mel da flor, ele é produzido através da cochonilla, um pequeno inseto sugador do caule e o melato é colhido pela abelha a partir do exsudato da conchonilla. Não é um mel de néctar da flor, o melato vem a partir da associação da cochonilla com a planta da bracatinga que produz uma substância e a abelha produz o melato. Ele tem açucares melhores que o do mel, e por ser escuro isso caracteriza ele por ter bastante minerais”, explicou.
O presidente comentou a importância desse trabalho e as razões do mel do estado ter ganhado grande destaque no mundo. “Nosso mel é valorizado porque é um mel de serra, que tem uma característica diferente, devido aos variados tipos de flor, não são usados produtos químicos para manusear a abelha, é um mel sem resíduos de produtos químicos, e o clima também gera um mel mais saboroso. É um mel diferenciado pelo tipo de florada, pela forma como é produzido e pelo empenho dos apicultores, declarou.
Campos Novos sediou o evento em virtude de sua localização geográfica centralizada no estado, mas o município também tem um potencial para aumentar a produção e fortalecer a cadeia na região. Porém, existem falhas que devem ser corrigidas e o setor exige mais atenção. O presidente da FAASC diz que a entidade irá discutir esse tema para tentar alavancar a cadeia no município, que já possui um posto, que atualmente está em desuso. O posto de Campos Novos é uma estrutura da Epagri em convênio com a prefeitura e com a Embrapa, sendo que o terreno é de propriedade da Embrapa, mas cedido para a Epagri como comodato até 2031. “A vontade da Epagri é passar esse posto para uma cooperativa de produtores da região, mas existem questões legais que precisam ser vistas antes, os advogados da empresa estão tentando junto a Embrapa um aceite para passar para os produtores. Com isso a Epagri deve passar para a prefeitura que deverá fazer um comodato com uma associação de produtores. Em breve será realizada, em Campos Novos, no centro de Treinamento na Epagri, uma reunião e uma capacitação para lideranças de apicultores da região, e se tratará sobre a transferência desse entreposto de mel”, adiantou Ivanir.
Conheça alguns tipos de mel produzidos em Santa Catarina
Santa Catarina possui uma grande diversidade de plantas e tipos de solo, e por consequência composição do néctar, isso possibilita que as abelhas produzam mais de 100 tipos de méis com cor, aroma, sabor e consistência diferentes.
Mel silvestre: Responde pela maior parte do mel produzido em Santa Catarina, é multifloral, ou seja, é produzido pelas abelhas a partir do néctar coletado em uma grande variedade de plantas, é considerado de excelente qualidade, seu sabor, aroma e consistência variam de acordo com as floradas predominantes na época em que é produzido. A coloração mais escura indica maior concentração de sais minerais, enquanto os méis mais claros normalmente são mais suaves.
Mel de eucalipto: O mel de eucalipto é produzido de março a maio, no sul do estado onde é maior a concentração desta planta, apresenta coloração âmbar e sabor mais forte, é uma boa pedida para quem precisa de um expectorante.
Mel de uva-japão: Produzido principalmente no oeste do estado nos meses de novembro e dezembro, época de floração desta planta, tem cor clara e sabor extremamente suave, tem como peculiaridade o fato de dificilmente cristalizar quando armazenado em temperatura ambiente.
Melato: Produzido no Planalto catarinense entre os meses de março a maio, é produzido somente em anos pares (a cada dois anos devido ao ciclo da cochonilha). O melato não é produzido a partir do néctar das flores e sim a partir de exsudatos da bracatinga, misturados a enzimas produzidas por cochonilhas (pequenos insetos sugadores, praga que ataca o tronco da bracatinga, essa por sua vez libara exsudatos).
*Reportagem publicada no jornal “O Celeiro”, Edição 1599 de 10 de Outubro de 2019.
