Em Santa Catarina pesquisa apontou que 2% das pessoas não restringiam o contato mesmo com a orientação de isolamento.
Desde março de 2020 o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) está realizando a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD COVID19) Com o objetivo de obter informações sobre os sintomas referidos associados à síndrome gripal, como também para ser utilizada como instrumento de avaliação e monitoramento do combate aos efeitos da pandemia sobre o mercado de trabalho brasileiro. As entrevistas são realizadas por telefone em, aproximadamente, 48 mil domicílios por semana, totalizando cerca de 193 mil domicílios por mês, em todo o Território Nacional. A amostra é fixa, ou seja, os domicílios entrevistados no primeiro mês de coleta de dados permanecerão na amostra nos meses subseqüentes, até o fim da pesquisa. Até outubro, 25,7 milhões de pessoas (12,1% da população) haviam feito algum teste para saber se estavam infectadas pelo coronavírus (até setembro esse número estava em 21,9 milhões de pessoas ou 10,4% da população). Entre essas pessoas, 22,4% (ou 5,7 milhões) testaram positivo em outubro, contra 22,1% (ou 4,8 milhões) em setembro.
Não houve diferença significativa no percentual de homens e de mulheres que fizeram algum teste, sendo 11,8% e 12,4%, respectivamente. Por grupos de idade, o maior percentual foi entre as pessoas de 30 a 59 anos de idade (16,5%). Quanto maior o nível de escolaridade, maior foi o percentual de pessoas que fez algum teste: entre as pessoas sem instrução ao fundamental incompleto, 6,6% e, entre aqueles com superior completo ou pós-graduação, 25,0%. Outro dado observado é que quanto maior a classe de rendimento domiciliar per capita, maior o percentual de pessoas que realizaram algum teste para COVID19.
Com a flexibilização do distanciamento social era de esperar que houvesse uma queda nas medidas de restrição. O número de pessoas que ficaram rigorosamente isoladas no domicílio caiu para 12,4%. Entre os 211,5 milhões de residentes, 9,7 milhões (4,6%) não fizeram nenhuma medida de restrição em outubro, 93,8 milhões (44,3%) reduziram o contato, mas continuaram saindo de casa, 80,7 milhões (38,2%) ficaram em casa e só saíram por necessidade básica e 26,3 milhões (12,4%) ficaram rigorosamente isolados. As mulheres registraram percentuais maiores (13,5%) que os dos homens (11,3%) em medidas mais restritivas de isolamento.
Perfil dos Internados
Em outubro, entre as pessoas que procuraram atendimento em hospitais, 14,2% (116 mil) das que apresentaram algum dos sintomas pesquisados precisou ficar internada. Este índice apresentava uma tendência de queda desde julho, mas voltou a subir em outubro. O mesmo viés de alta foi observado entre aqueles que apresentaram algum dos sintomas conjugados e procuraram atendimento em hospital. Em outubro, 17,1% (44 mil) precisaram ficar internadas (foram 71 mil em julho, 52 mil em agosto e 40 mil em setembro).
Com relação ao sexo, em outubro, as mulheres tiveram uma representatividade bem maior que a dos homens entre os que precisaram ficar internados (foram 53,7% entre as pessoas com algum sintoma e 58,8% entre as com algum sintoma conjugado). As pessoas que se declararam de cor preta ou parda foram as que mais precisaram ficar internadas (56,0%, entre as com algum sintoma e 59,1%, entre as com sintomas conjugados).
Santa Catarina
Os dados apresentados significam que muita gente foi vítima do vírus no Brasil e traz também o alerta para a necessidade de cuidado. A mesma pesquisa aponta que no estado de Santa Catarina cerca de 2% da população não restringiram o contato mesmo após as orientações e decretos estabelecidos pelo Governo do Estado. No entanto, o estado aparece como um segundo no país que mais faz do uso do álcool em gel. Cerca de 98,2% dos domicílios catarinenses dispunham de álcool 70% ou superior em outubro, o 2º percentual entre os estados, 99,5% dos domicílios informaram ter Máscaras de proteção, enquanto 98,7% dispunham de água sanitária ou desinfetante e 53,4% de luvas descartáveis.
A proporção de pessoas que Não fizeram restrições (2%) de contato social em Santa Catarina foi o menor entre todos os estados em outubro. No entanto o percentual subiu em relação a setembro, e representou 142 mil pessoas que não faziam isolamento social. Somente 11,9% Ficaram rigorosamente isolados, representando 186 mil pessoas a menos em isolamento social completo em outubro. Metade dos catarinenses reduziu o contato, mas continuou saindo de casa e/ ou recebendo visitas. Entre as pessoas que Ficaram rigorosamente isoladas, as mulheres (13%) predominaram em relação aos homens (10,8%). Os homens (2,2%) predominaram em relação às mulheres (1,7%) no grupo que não fez restrições, representando 56,8% do total.
*Reportagem publicada no jornal ‘O Celeiro’, Edição 1656 de 10 de Dezembro de 2020.

